A história de que a Universal Music estava a planear lançar um serviço de subscrição mensal de música já não é nova e foi divulgada em primeira mão pela Digital Music News mas agora surgiram mais pormenores. A ideia do director executivo Doug Morris é, ao que tudo indica, oferecer finalmente aos apreciadores de música aquilo que eles realmente desejam, isto é, uma assinatura ilimitada de música grátis associada à compra de dispositivos móveis.
O plano passa por fazer com que as fabricantes de hardware e operadoras de telemóveis absorvam parte do custo da música, tendo o utilizador apenas que pagar uns míseros cinco dólares por mês mediante a aquisição de um telemóvel ou leitor de música digital para ter acesso a toda a música que queira sem quaisquer riscos de ser processado pela RIAA, AFP ou IFPI… apenas (faltam as outras partes).
Segundo a Business Week, Morris conseguiu já convencer a Sony BMG a aderir ao serviço e encontra-se neste momento em negociações com a Warner. Ausente da mesa de conversações parece estar a EMI. A bem da verdade, o artigo está escrito de modo a transmitir a impressão ao impressão de que se trata de mais um confronto da Universal com a Apple de Steve Jobs, mas o que está em jogo neste serviço com o nome de código “Total Music” é bem mais do que um mero confronto de egos individuais ou empresas, mas sim de uma mudança radical de atitude da indústria discográfica. Em vez de hostilizar o P2P, as majors começam finalmente a querer abraça-lo e legalizá-lo.
Mas será que já não ouvimos esta mesma conversa antes? Para os que não estão lembrados, as majors já tentaram fazer algo semelhante com serviços como o PressPlay e MusicNet que depois se vieram a revelar autênticos fracassos. E como Ian Rogers do Yahoo Music explicou há poucos dias, os serviços de subscrição actualmente existentes do Yahoo, Napster e Rhapsody nunca conseguiram lá muito sucesso devido a uma série de complicações e obstáculos criados pelas próprias majors com o receio de estarem assim a canibalizar as vendas de CDs.
Mas com as vendas de CDs a descerem pelo sétimo ano consecutivo e a previsão de um cenário ainda mais negro para 2008 – e não, os downloads legais de singles nunca irão compensar as perdas no negócio de CDs -, as majors vêem-se encurraladas.
Os cépticos poderão argumentar que as quatro grandes irão sempre tentar “prender” a música algum tipo de DRM que impeçam a transferência das músicas para outros dispositivos. Até há cerca de dois meses atrás sempre que alguém de fora propunha um serviço de subscrição sem DRM as majors diziam sempre que isso era o mesmo que oferecer música de borla pois os clientes poderiam muito bem assinar o serviço durante um mês, descarregar Terabytes de música, cancelar o serviço e ficar com os ficheiros no disco rígido.
Mas nestas circunstâncias o caso muda de figura, dado que as próprias discográficas ficam a ganhar se os fabricantes de hardware e as operadoras de telecomunicações venderem mais dispositivos… Além disso, é preciso notar que a Universal já está a vender downloads de MP3 sem DRM em lojas como a da Amazon.
Mesmo que a música oferecida seja de facto livre e não grátis, é preciso ainda saber como é que as etiquetas vão “descalçar a bota” de convencer as editoras de música e os compositores – os detentores dos direitos conexos -, bem como os próprios artistas a entrar neste tipo de serviço de modo a receberem também eles uma parte das receitas sobre as assinaturas. Por outro lado, ainda não existem detalhes sobre a solução tecnológica concreta que a Universal está a ponderar para determinar a distribuição do dinheiro entre as partes.
No meio de tudo isto, é de lamentar o dinheirão que milhares de pessoas em todo o mundo tiveram que desperdiçar com advogados em processos que poderiam muito bem ter sido evitados…
P.S: Na França, a Universal já disponibiliza um serviço de assinatura de música aos clientes do ISP Neuf Cegetel embora as características desta oferta sejam um pouco diferentes das do “Total Music”, pelo menos a avaliar pela informação divulgada até agora.
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