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Universal propõe parceria de música livre/grátis a outras majors Publicado 12 Out 07

A história de que a Universal Music estava a planear lançar um serviço de subscrição mensal de música já não é nova e foi divulgada em primeira mão pela Digital Music News mas agora surgiram mais pormenores. A ideia do director executivo Doug Morris é, ao que tudo indica, oferecer finalmente aos apreciadores de música aquilo que eles realmente desejam, isto é, uma assinatura ilimitada de música grátis associada à compra de dispositivos móveis.

O plano passa por fazer com que as fabricantes de hardware e operadoras de telemóveis absorvam parte do custo da música, tendo o utilizador apenas que pagar uns míseros cinco dólares por mês mediante a aquisição de um telemóvel ou leitor de música digital para ter acesso a toda a música que queira sem quaisquer riscos de ser processado pela RIAA, AFP ou IFPI… apenas (faltam as outras partes).

Segundo a Business Week, Morris conseguiu já convencer a Sony BMG a aderir ao serviço e encontra-se neste momento em negociações com a Warner. Ausente da mesa de conversações parece estar a EMI. A bem da verdade, o artigo está escrito de modo a transmitir a impressão ao impressão de que se trata de mais um confronto da Universal com a Apple de Steve Jobs, mas o que está em jogo neste serviço com o nome de código “Total Music” é bem mais do que um mero confronto de egos individuais ou empresas, mas sim de uma mudança radical de atitude da indústria discográfica. Em vez de hostilizar o P2P, as majors começam finalmente a querer abraça-lo e legalizá-lo.

Mas será que já não ouvimos esta mesma conversa antes? Para os que não estão lembrados, as majors já tentaram fazer algo semelhante com serviços como o PressPlay e MusicNet que depois se vieram a revelar autênticos fracassos. E como Ian Rogers do Yahoo Music explicou há poucos dias, os serviços de subscrição actualmente existentes do Yahoo, Napster e Rhapsody nunca conseguiram lá muito sucesso devido a uma série de complicações e obstáculos criados pelas próprias majors com o receio de estarem assim a canibalizar as vendas de CDs.

Mas com as vendas de CDs a descerem pelo sétimo ano consecutivo e a previsão de um cenário ainda mais negro para 2008 - e não, os downloads legais de singles nunca irão compensar as perdas no negócio de CDs -, as majors vêem-se encurraladas.

Os cépticos poderão argumentar que as quatro grandes irão sempre tentar “prender” a música algum tipo de DRM que impeçam a transferência das músicas para outros dispositivos. Até há cerca de dois meses atrás sempre que alguém de fora propunha um serviço de subscrição sem DRM as majors diziam sempre que isso era o mesmo que oferecer música de borla pois os clientes poderiam muito bem assinar o serviço durante um mês, descarregar Terabytes de música, cancelar o serviço e ficar com os ficheiros no disco rígido.

Mas nestas circunstâncias o caso muda de figura, dado que as próprias discográficas ficam a ganhar se os fabricantes de hardware e as operadoras de telecomunicações venderem mais dispositivos… Além disso, é preciso notar que a Universal já está a vender downloads de MP3 sem DRM em lojas como a da Amazon.

Mesmo que a música oferecida seja de facto livre e não grátis, é preciso ainda saber como é que as etiquetas vão “descalçar a bota” de convencer as editoras de música e os compositores - os detentores dos direitos conexos -, bem como os próprios artistas a entrar neste tipo de serviço de modo a receberem também eles uma parte das receitas sobre as assinaturas. Por outro lado, ainda não existem detalhes sobre a solução tecnológica concreta que a Universal está a ponderar para determinar a distribuição do dinheiro entre as partes.

No meio de tudo isto, é de lamentar o dinheirão que milhares de pessoas em todo o mundo tiveram que desperdiçar com advogados em processos que poderiam muito bem ter sido evitados…

P.S: Na França, a Universal já disponibiliza um serviço de assinatura de música aos clientes do ISP Neuf Cegetel embora as características desta oferta sejam um pouco diferentes das do “Total Music”, pelo menos a avaliar pela informação divulgada até agora.

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Algumas respostas a “Universal propõe parceria de música livre/grátis a outras majors” :

  1. ótima notícia pro mundo do copyleft, o mundo está abrindo os braços para o novo mundo. Esse tipo de mudança tende a se tornar não só digital mas social também. Aleluia!

    Comentário de Théo em 13 Out 07 11:10.
  2. Este é o caminho a seguir: congregar vontades e interesses de major labels, isp’s e fabricantes da hardware. Não haja dúvidas quanto a isso: uns diminuem as perdas, outros melhoram os serviços e o consumidor sai beneficiado.

    Comentário de BrainDance em 14 Out 07 00:34.
  3. [...] no custo de venda do telemóvel. Isto é basicamente a primeira implementação na prática do modelo Total Music da Universal divulgado pela comunicação social no mês passado que iria supostamente permitir que [...]

    Comentário de O Nokia vem com DRM | Remixtures em 5 Dez 07 15:01.
  4. [...] antes de ser lançado o serviço Total Music já está a ter problemas com a justiça.  Apesar das editoras ainda não terem feito qualquer [...]

    Comentário de Total Music das majors debaixo da lupa dos reguladores | Remixtures em 7 Fev 08 17:40.
  5. [...] deste plano são pouco conhecidos, mas na essência trata-se da mesma ideia por detrás do conceito Total Music que a Universal Music estaria supostamente a tentar vender às outras três majors desde há alguns [...]

    Comentário de Apple poderá vir a ser processada pela sua nova oferta de downloads ilimitados | Remixtures em 21 Mar 08 22:20.
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