Analista da bolsa aconselha Warner Music a oferecer música grátis com anúncios Publicado 2 Nov 07
Depois dos inúmeros processos e de vários anos a cobrar preços elevadíssimos por um CD, será que a indústria discográfica ainda vem a tempo de impedir que a música se desvalorize por completo, tendo em conta o acesso fácil e rápido a ela? Rich Greenfield, um analista da Pali Research - uma empresa que sugere aos investidores onde é que estes devem investir -, acha que sim e que a única forma das quatro grandes companhias discográficas gerarem actualmente dinheiro consiste em oferecer o seu catálogo a custo zero mas financiado por publicidade.
Bob Lefsetz publicou alguns excertos de um relatório de Greenfield em que este analisa o posicionamento da Warner Music no mercado e recomenda aos investidores que se desfaçam das acções desta major. Contudo, as conclusões do documento são válidas para as outras três grandes: EMI, Sony BMG e Universal Music. Para aceder ao relatório é necessário registo. Greenfield afirma sem hipocrisias:
Por mais pessoas que a RIAA processe, por mais vezes que os executivos da indústria da música apontem o crescimento da música digital, pensamos que uma crescente maioria de consumidores de todo o mundo acham basicamente que a música registada em disco é ‘grátis‘. É necessário que surja um novo modelo para o consumo de música e esse modelo passará muito provavelmente por música sem DRM passível de ser descarregada a custo zero pelos consumidores, totalmente financiada por publicidade (no âmbito de algum tipo de ambiente de rede social que permita que os consumidores descobram/explorem música).
A indústria da música não está de momento preparada para tomar essa iniciativa e mesmo se tivesse, a transição de modelo económico será bastante dolorosa.
Vinda de um analista de Wall Street, a opinião de Greenfield é bastante surpreendente, tanto mais que a análise dele é bastante realista a adequa-se perfeitamente ao que se passa no sector da música independente:
- Novos artistas estão a construir identidades online e a vender música directamente aos fãs. Embora ainda almejam um contrato com uma grande editora, estes artistas estão a conquistar dimensão online e a aumentar o seu preço para as editoras. O poder de negociação está a afastar-se cada vez mais das grandes editoras.
- As receitas da indústria musical dos Estados Unidos foram de 14,3 mil milhões de dólares (9,8 mil milhões de euros) em 2000 (de acordo com dados da RIAA) e espera-se que sejam apenas de 10,3 mil milhões de dólares (7,1 mil milhões de euros) em 2007. Contudo, se as receitas da indústria tivessem crescido ao mesmo nível do PIB ao longo desse período, em 2007 as receitas da indústria teriam sido de quase 17 mil milhões de dólares (11,7 mil milhões de euros), o que demonstra de modo dramático que a indústria da música tem vindo e continua a ter um desempenho negativo.
- Os artistas ganham a grande maioria do seu dinheiro com as digressões e merchandising e não com os CDs. Consequentemente, tem cada vez mais lógica acreditar que os artistas querem que a sua música chegue à maior audiência possível ao mais baixo preço possível - isto é, GRÁTIS. Contudo, isso coloca as editoras de música numa posição bastante delicada dado que as suas divisões de música registada em disco geram quase todo o seu dinheiro com a venda de música.
- As editoras de música precisam de se tornar bastante mais pequenas à medida que a indústria encolhe e necessitam de transferir o seu negócio para novas áreas como a representação de artistas, digressões, merchandising, etc. Contudo, isto não é fácil de fazer e exige que as empresas de música efectuem aquisições significativa.
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