Lembram-se do Boink, o projecto do Pirate Bay para substituir o OiNK, o tracker de BitTorrent especializado em música fechado no mês passado a mando da IFPI e da BPI? Pois… Afinal os piratas suecos chegaram à conclusão que os fãs de música já não precisam de um site único que funcione como substituto do lendário “palácio rosa”.
A ideia passava por voltar a fazer o upload de todos os torrents do OiNK que os utilizadores ainda tinham guardados nos seus discos rígidos para um site de acesso público à semelhança do Pirate Bay. No entanto, alguns antigos utilizadores não encararam lá muito bem essa perspectiva de passarem a recorrer a um tracker potencialmente inundado de ficheiros MP3 com fraca qualidade ou com poucas “sementes”. Na sua opinião, sem um rácio que controlasse o desempenho e comportamento de cada membro, o site seria em pouco tempo dominado por lixo e ficheiros falsos.
“Há tanta gente a abrir novos trackers de música agora que sentimos que não há necessidade de fazermos o mesmo”, admitiu Brokep, um dos administradores da “Baía dos Piratas” no seu blog (via TorrentFreak). Para regozijo dele, que logo a seguir ao encerramento do OiNk indicou uma lista de possíveis alternativas, e infelicidade da IFPI, a comunidade P2P não ficou parada e migrou de armas e bagagens para alguns desses sites como o STMusic; alguns chegaram até a criar sérios candidatos a sucessores como o What.cd e o Waffles.fm.

O gráfico que podem ver em cima demonstra bem o salto registado em termos de visitas no STMusic, Waffles e What.cd. A força da hidra do P2P fica assim bem demonstrada: quando os detentores de direitos fecham um site, acaba sempre por despontar uma míriade de novos nós na grande rede, cada um mais especializado e dotado de uma maior capacidade de resiliência.
Mas ao contrário do que a indústria de conteúdos dá a entender, os líderes da comunidade P2P não se assumem como renegados criminosos que pretendem lucrar com o trabalho dos outros. A prova disto é que nenhum destes sites recorre a publicidade e apenas aceita doações. Seria bem melhor para todos se os responsáveis pelos grandes conglomerados multimédia começassem a ouvir as suas propostas. Eis a reflexão de Ersan, fundador e administrador do STMusic:
Temos duas opções: ou descobrimos uma forma de não sermos apanhados, o que é algo que acredito que somos capazes de alcançar, ou podemos esforçarmo-nos para legitimar a partilha de ficheiros. Trata-se de uma decisão moral e não de uma questão de força técnica ou de legalidade. A questão é: os artistas, programadores de software, músicos, empresas e estúdios mereçem ou não ser recompensados pelo seu trabalho? Eu acredito fortemente na primeira resposta e farei tudo ao meu alcance para descobrir uma forma de transformar os nossos sistemas eficientes e fiáveis de partilha de ficheiros um meio legal e legítimo para as pessoas acederem a entretenimento e eu apelo a outros para que considerem pelo menos fazer o mesmo
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