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Ingleses usam cada vez mais BitTorrent encriptado mas não garantem anonimato Publicado 9 Nov 07

No Reino Unido, a percentagem de tráfego encriptado de BitTorrent passou de quatro para 40 por cento nos últimos 12 meses, de acordo com os números de um grande fornecedor de acesso à Internet britânico não identificado a que o The Register teve acesso. Segundo o jornalista, este crescimento espantoso - 10 vezes mais - deve-se ao facto de os utilizadores pretenderem deste modo evitar ser detectados e perseguidos pelas organizações anti-pirataria como a associação da Indústria Fonográfica Britânica (BPI), equivalente à portuguesa AFP.

Se no ano passado por volta desta altura os torrents encriptados representavam apenas 20 Mbps de toda a largura de banda da rede face aos 500 Mbps do tráfego tradicional de BitTorrent, este ano o tráfego “disfarçado” de BitTorrent subiu para 200 Mbps ao passo que os torrents não encriptados desceram para 350 Mbps.

Em declarações ao The Register, o porta-voz da BPI Matt Phillips afirma que “não deve surpreender ninguém [o facto] de que se as pessoas pensam que conseguem ocultar uma actividade ilegal, elas o tentarem fazer.” Aparentemente, o The Register e a BPI pensam que os utilizadores recorrem à encriptação de BitTorrent para esconderem os dados que partilham.

Mas isso não é de todo possível. É que a encriptação do protocolo de BitTorrent foi implementada por algumas aplicações de torrents como o uTorrent e o Azureus de modo a enganar os filtros impostos por alguns operadores de Internet - caso da Netcabo em Portugal - que limitam a largura de banda disponível para o tráfego de P2P. Estas técnicas de Traffic Shaping são empregues pelos ISPs porque, como todos sabemos, o BitTorrent é um dos protocolos de rede que devora mais largura de banda, logo, acarreta mais custos para essas empresas.

A encriptação de BitTorrent limita-se a esconder o cabeçalho do protocolo pelo que os dispositivos empregues pelos ISPs não podem detectar que o utilizador está a usar BitTorrent. No entanto, esta tecnologia não oculta os dados partilhados e não permite disfarçar aquilo que descarregámos. Isto porque qualquer pessoa pode ligar-se à mesma a um “enxame” de BitTorrent, registar o nosso endereço IP. Ou seja, continuamos à mesma a estar sujeitos a receber uma carta desagradável em casa.

Para os que pretendem partilhar com toda a segurança e anonimato, existem programas bastante eficientes nessa função como o I2P, Ants P2P, GNUnet, Napshare, Mute, FreeNet e Waste. É claro que o grande inconveniente destas aplicações está no facto de se basearem em protocolos menos populares que o BitTorrent, o que significa um menor número de utilizadores, logo, conteúdos…

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