Investigadora defende estudo sobre o impacto da partilha de ficheiros na venda de CDs Publicado 21 Nov 07
No início do mês foi divulgado um estudo encomendado pelo Industry Canada, um departamento do governo federal do Canadá, que concluía que os utilizadores de redes de partilhas de ficheiros compram mais CDs. Como seria de esperar, o documento acabou por gerar uma enorme repercussão não só nos órgãos de comunicação social e na blogosfera mas também nos círculos académicos, com o economista Stan Liebowitz a refutar totalmente os resultados do estudo e a metodologia empregue. Depois de ter voltado a analisar os dados com mais atenção, o professor veio dias depois a reconhecer que as suas críticas iniciais tinham sido demasiado duras. Mesmo assim, não deixou de afirmar o seguinte:
Os autores apresentam dois conjuntos de resultados, um para a amostra completa e outro apenas para os que descarregam músicas. Faz pouco ou nenhum sentido analisar apenas estes últimos e ao fazerem-no os autores acabam por chegar a um resultado que é não só implausível como na verdade totalmente impossível, tendo em conta os dados. Quando o total da amostra é empregue é bastante provável que os resultados continuem a estar enviesados para cima porque os autores não tomam totalmente em linha de conta o impacto do interesse pela música que afecta tanto os descarregamentos como as compras.
No entanto, Birgitte Andersen, co-autora do estudo original juntamente com Marion Frenz publicou posteriormente uma resposta às críticas e acusações de Liebowitz e outros economistas. Andersen contrapõe que as análises de Liebowitz baseiam-se em pressupostos empíricos pouco convincentes e distingue o âmbito macro-económico das análises do professor da Universidade do Texas com o contexto micro-económico do seu estudo
O nosso estudo baseia-se em micro-dados obtidos através de um inquérito em que se perguntou aos indivíduos qual a sua relação com os descarregamentos ilegais e/ou a compra de música e se tentou averiguar os incentivos por detrás desses comportamentos. Embora esta abordagem possa ter os seus problemas, é óbvio que ela também tem os seus méritos no caso de pretendermos compreender o comportamento das pessoas de que os mercados de música dependem.
(…)
Alguns blogs (…) questionam a validade do nosso estudo uma vez que este sugere uma associação positiva entre os descarregamentos via P2P e as vendas de CDs no que diz respeito à amostra de utilizadores do P2P quando temos vindo a assistir a uma descida nas vendas de CDs. Deste modo, eles consideram como ponto fraco do estudo o facto de não conseguirmos identificar a razão da descida das vendas de CDs. É claro que podemos especular porque é que as vendas de CDs desceram (e tal como a maioria dos autores de blogs nós também temos as nossas opiniões pessoais a este respeito), mas este não é o objectivo do estudo.
Porque Liebowitz não foi o único economista a criticar os dados de Andersen e Frenz, também vale a pena mencionar uma outra resposta da autoria dos australianos George Barker e Richard Tooth e que contou com o apoio de uma bolsa concedida pela “nada suspeita” CRIA - sim, a Associação da Indústria Discográfica Canadiana que conseguiu fechar o Demonoid por tempo indeterminado… - que retoma muitas das críticas iniciais de Liebowitz que este veio mais tarde a rever. Segundo eles,
O principal problema com as conclusões do estudo é que os autores assumiram que a relação positiva observada entre as vendas de CDs e os downloads via P2P se devem ao facto dos descarregamentos contribuírem para aumentar as vendas de CDs. É provável que a explicação mais plausível seja a de que aqueles que descarregam mais estão mais interessados em vários tipos de música e por isso acabam por comprar mais CDs.
Contudo, como Michael Geist faz questão de salientar, “o estudo não afirma que o P2P é o causador do crescimento das vendas, mas sim que existe uma correlação entre os dois”. Com efeito, se os utilizadores de P2P acabam por comprar mais música isso invalida o argumento tradicional dos representantes dos detentores de direitos de que cada download é uma venda perdida. Pelo contrário, se não fosse o P2P muitos fãs de música nunca teriam oportunidade de escutar o disco e acabar por comprá-lo.
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