No final da semana passada a BPI, a organização que representa a indústria discográfica britânica, publicou os mais recentes dados sobre as vendas de downloads de música. De acordo com os seus números, as músicas descarregadas legalmente da Internet ultrapassaram a marca dos 150 milhões nessa mesma semana.
Em Março deste ano as vendas de descarregamentos pagos ultrapassaram a barreira dos 100 milhões, o que correspondia a um crescimento de cerca de cinco milhões de vendas por mês. Tendo em conta os mais recentes números, o valor médio da subida por mês passou a corresponder a cerca de 6,25 milhões. Apesar do crescimento do mercado de downloads pagos ter sido bastante modesto nos últimos três anos, a BPI aproveitou logo a oportunidade para considerar o marco como um grande feito para o sector da música naquele país. No entanto, feitas as contas isso quer dizer que em média cada britânico comprou menos de três faixas em formato digital nos últimos três anos. Por outras palavras, a despesa média da população em música digital foi de 79 pences (1,10 euros) por ano.
A culpa desta lenta ascenção poderá muito bem estar na renitência das grandes editoras discográficas em abandonarem as medidas de protecção tecnológica conhecidas por DRM. Quem o diz é o próprio organismo representante dos comerciantes online britânicos, a Associação de Retalhistas de Entretenimento (ERA). Estas tecnologias proprietárias incompatíveis entre si que deviam impedir a “pirataria” na era da música digital estão a contribuir para “travar o crescimento e a funcionar contra o interesse do consumidor”, afirmou Kim Bayley, directora-geral da ERA, ao Financial Times.
Segundo esta responsável, ao adoptarem sistemas de DRM as editoras discográficas poderão ter acabado por ajudar na lenta descolagem dos serviços digitais legais. É certo que a EMI e a Universal – ainda que apenas parcialmente e de modo experimental – já começaram a aderir à venda de MP3 sem DRM, mas na verdade não passam de meras experiências que precisam de ser alargadas para que o sector cresca, segundo Bayley que também refere os dados recentemente divulgados pela loja online 7Digital que dão conta de que os ficheiros protegidos se vendem quatro vezes melhor que as músicas com DRM.
Ao fazer neste momento este apelo às majors para que ponham definitivamente cobro à DRM, a ERA esperar que todas as quatro grandes tomem esta decisão ainda a tempo da época de compras do Natal e do período habitual de fortes vendas registado em Janeiro, quando os consumidores se preparam para carregar os iPods que acabaram de receber de presente. Parece-me, contudo, que este prazo é bastante optimista e ainda vamos ter que esperar mais alguns meses para que a mudança ocorra. No fim de contas, continuo a pensar que o modelo de venda de música a unidade não responde adequadamente às necessidades do consumidor de música dos dias de hoje. Talvez o Pai Natal nos reserve a todos um serviço legal de subscrição mensal de MP3 sem DRM, isto é, downloads realmente ilimitados…
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