“O Petróleo do Século XXI”: a conferência dos piratas

by Miguel Caetano on 19 de Novembro de 2007

Chamou-se “O Petróleo do Século XXI” (The Oil of The 21st Century) mas ao contrário do que o nome indica não teve nada a ver com esse precioso líquido mas sim com o direito à livre partilha da informação e a guerra travada pelas indústria de conteúdos (leia-se propriedade intelectual) contra os que defendem esse direito. O jornalista Pedro Dória do suplemento Link do jornal brasileiro Estado de S. Paulo chamou-lhe a “conferência dos piratas” e o caso não é para menos. De 26 a 28 de Outubro estiveram reunidos em Berlim para participarem naquele evento os principais representantes dos maiores sites de BitTorrent e do movimento da cultura livre.

Este ciclo de conferências foi organizado pela ONG berlinense Bootlab com base numa parceria entre o instituto indiano Sarai e as associações culturais holandesas The Thing e Waag Society e contando com o apoio da Fundação Cultural Federal Alemã. A expressão “A propriedade intelectual é o petróleo do século XXI” foi inventada por Mark Getty que para além de ser presidente da Getty Images – empresa que controla uma base de dados de mais 70 milhões de imagens e ilustrações, sendo por isso um dos maiores “proprietários intelectuais” do mundo -, é também neto de J. Paul Getty, que foi um dos magnatas norte-americanos da indústria do petróleo em meados do século passado.

Ao utilizar essa expressão, o neto Getty revela bem a visão do mundo típica dos grandes conglomerados de conteúdos que encaram a informação como se esta fosse um precioso bem tangível cujo acesso a ele deve, por isso mesmo, ser vedado a todos os que não disponham dos recursos necessários ou que não pretendam pagar por ele. É com base nessa premissa que as indústrias de conteúdos ergueram os seus oligopólios fabulosos no cinema, na televisão e na imprensa. Só que agora esse poderio está a ser ameaçado por uma nova “indústria cultural” totalmente descentralizada, a partilha de ficheiros.

Esse foi aliás o tema de um dos painéis da conferência onde participaram Peter Sunde AKA Brokep do Pirate Bay, Erik Dubbelboer do Mininova e lennart AKA Ernesto do TorrentFreak com moderação de Jamie King – produtor do documentário Steal This FIlm sobre o ataque à “Baía dos Piratas” – cujo torrent e link ed2k podem obter aqui. Da apresentação:

As redes peer-to-peer vieram para ficar. Frequentemente menosprezadas como uma mera conspiração de consumidores adolescentes contra a indústria dos media, estas redes transformaram-se num dos ambientes mais poderosos e resilientes para a produção e reprodução colaborativa de informação cultural. Por isso, parece-nos que a questão da partilha de ficheiros deixou de ser apenas uma questão de identificar e contornar os seus adversários corporativos. Em vez disso, tornou-se uma questão de organização. Pode-se assim conceber uma multidão de iniciativas, grupos, alianças, coligações, e entidades empresariais novas que estão bastante envolvidas – e não apenas em termos ideológicos – no futuro dos protocolos e da infra-estrutura peer-to-peer. A nova Indústria Cultural pode já estar em formação.

Apesar do tamanho pesado do ficheiro (925 MB no formato Ogg), vale a pena descarregar o vídeo, mais que não seja para tentar entender melhor as motivações, a política e a tecnologia por detrás deste novo movimento descentralizado de distribuição de media. Outro painel que também me parece interessante é o subordinado ao tema “A Pobreza do Pequeno Autor” onde se tentou actualizar a discussão em volta da “morte do autor” e da sua transformação em produtor/distribuidor/consumidor graças às novas tecnologias digitais de colaboração.

“Roube este Filme”… “roubado”

Um episódio caricato indirectamente relacionado com esta conferência é que a segunda parte do Steal This FIlm terá alegadamente ido parar ao Pirate Bay (260 MB em formato AVI) antes da data oficial de lançamento do filme. Segundo o TorrentFreak, a cópia disponibilizada consiste numa gravação do vídeo exibido em Berlim. O filme aborda o tema da partilha de ficheiros a partir de uma perspectiva mais abrangente de forma a analisar de um ponto de vista histórico o movimento da cultura livre. Para além de Erik Dubbelboer e Brokep, participam ainda Dan Glickman da Associação da Indústria Cinematográfica Norte-americana.

Eu, quanto a mim, vou esperar mais umas semanas até que o trabalho final esteja concluído porque de acordo com Jamie King a versão “leakada” tem uma qualidade muito fraca.

Nota: a imagem que acompanha este post está disponível aqui segundo uma licença CC-BY 2.0 e foi tirada por altemark.

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1 felipe leal 29 de Julho de 2008 ás 21:12

uma porcaria

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2 remixtures 24 de Junho de 2009 ás 22:11

@ipsolutions “Intellectual Property is the oil of the 21st century” No, it’s not. It’s not scarce http://is.gd/1ciGt http://is.gd/1ciJR

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