Oink: Quando os porcos voam - Parte I Publicado 4 Nov 07
Num artigo longo mas bastante directo e interessante escrito no dia a seguir ao encerramento do Oink, Rob Sheridan faz uma crítica arrasadora da indústria discográfica, da sua inabilidade em adaptar-se ao novo cenário da música digital. Ao contrário da maioria dos comentários apaixonados escritos por muitos outros membros do site de torrents especializado em música, este texto aborda todos os pontos em questão sobre a pirataria, a partilha de ficheiros e o dinheiro que os artistas e as editoras perdem (e ganham).
Isto porque Sheridan não é propriamente um zé-ninguém. Graças aos vários anos que passou no interior das maiores editoras discográficas desempenhando a função de designer, ele ficou a conhecer por dentro o estilo de vida faustoso de muitos dos executivos destas empresas. O encerramento do Oink.cd foi a gota de água que o levou a exprimir publicamente o que há muito sentia. Tendo em conta que o seu texto - com o título “Quando os porcos voam: a morte do oink, o nascimento da revolta e uma breve história do suicídio da indústria discográfica” - já se tornou num autêntico manifesto dos deserdados do Oink e dos fãs de música em geral que partilham ficheiros em redes P2P, achei por bem traduzir este texto para português. Por ser bastante extenso optei por dividi-lo em duas partes. Em baixo podem ler a primeira parte:
Quando os porcos voam: a morte do oink, o nascimento da revolta e uma breve história do suicídio da indústria discográfica - Parte I
Desde há algum tempo que pretendia publicar uma espécie de comentário sobre a indústria musical – pirataria, distribuição, moralidade, esse tipo de coisas. Pensei nisso várias vezes, mas nunca me embrenhei a fundo na coisa porque o assunto é tão vasto e complicado que seria bastante difícil abordá-lo de um modo razoável e sumário. Eu sabia que iria resultar num comentário cheio de divagações e sem nexo e de qualquer modo a minha opinião exacta tem vacilado bastante ao longo dos anos. Mas quando eu acordei na segunda-feira com a notícia de que o Oink, o site de torrents mundialmente famoso e uma meca para os melómanos de todas as partes, tinha sido encerrado pela polícia internacional e vários grupos anti-pirataria, sabia que era finalmente altura de tentar e organizar os meus pensamentos a respeito desta questão enorme, persistente e importante.
Durante os últimos oito anos, trabalhei regularmente com as maiores editoras discográficas enquanto designer (“Maiores” - Major – é uma distinção importante porque as maiores editoras são uma espécie completamente diferente do que muitas editoras independentes – são elas que detêm o poder e são elas que lideram a campanha contra a pirataria em nome de toda a indústria). Foi em 1999 que eu travei pela primeira vez conhecimento com o funcionamento interno de uma grande editora discográfica – eu era um jovem estudante universitário e o interior de um escritório de uma editora em Nova Iorque parecia tão vasto e excitante. Dúzias de abelhas trabalhadoras zumbiam junto dos telefones e computadores nas suas secretárias. Cartazes de música e pilhas de CDs atulhavam toda a superfície. Toda a gente parecia ter um assistente e os assistentes tinham assistentes e tu não podias deixar de te interrogar “que diabo faz toda esta gente?” Eu acompanhei jantares de 1500 dólares com artistas pagos pelas editoras. Os empregados das editoras discográficas faziam regularmente despesas enormes em bares que eram pagas pelos cartões de crédito da empresa. A certa altura já era habitual veres as pessoas fazerem o maior número de despesas possíveis que eram pagas pela companhia discográfica. Conheci o tipo de personagem de banda desenhada, inalador de cocaína, sempre de casaco, de meia idade e gingão que tu pensavas que fosse demasiado estereotipado para existir fora dos limites do Spinal Tap. Era tudo estranho e excitante, mas uma coisa que me estava sempre a provocar impressão era a quantidade enorme de dinheiro que parecia ser gasto sem grande motivo para receios. Quer fossem os orçamentos de produção enormes ou os “almoços de negócios” que não tinham nada a ver com negócios, uma das minha primeiras reacções a tudo isto foi “então é por isto que os CDs custam 18 dólares…” Uma indústria de excesso. Mas isso é o tipo de coisas que tu estarias à espera do negócio da música, não é? É o local onde as estrela Rock são produzidas. É onde tu recebes limusinas esquias com banheiras quentes na parte de trás, onde tu recebes aviões particulares e festas de cocaína. Se cresceste nos anos 80, no tempo da realeza Pop e das bandas de Metal cabeludas, eras levado a pensar que era óbvio que as editoras discográficas rebentassem com dinheiro a torto e a direito – a quantidade de dinheiro a circular é tão grande! Bem, tu sabes o que se costuma dizer: Quanto maiores eles forem…
Naquele tempo, raramente se ouvia sequer falar na palavra “pirataria” no mundo da música. Eu e os meus amigos trocávamos MP3s na universidade através da rede local mas esses ficheiros eram poucos e tinham pouca qualidade. Parecia uma novidade – como uma versão digital da gravação de uma fita de cassete – e e muito dificilmente um substituto dos CDs. Os CDs soavam bem e tu podias trazê-los no teu DiscMan, e de qualquer modo a única música digital a que tinhas acesso era tão boa como as discotecas de CDs dos teus amigos. Nunca nenhum de nós se apercebeu de que os ficheiros digitais eram o futuro. Mas afinal montes de miúdos em montes de universidades espalhadas pelo mundo tinham tido a mesma ideia de partilhar ficheiros de MP3 através das suas redes locais, até que alguém prestou atenção à ideia e criou o Napster. Subitamente, era como se todas essas redes universitárias estivessem ligadas entre si e tu podias encontra todas estas coisas porreiras online. Era mais fácil e mais eficiente do que as lojas de discos, era alimentado pelos fãs de música e, sobretudo, era grátis. De repente já não tinhas que pagar 15 a 18 dólares por um álbum com a esperança de que fosse bom, tu podias descarregar algumas faixas da Internet e ouvi-las antes de comprares o disco. Mas tu acabavas sempre por comprar o CD se gostasses do que ouvisses – isto é, quem é que quer toda a sua música num computador? Eu seguramente que não. Mas um número crescente de pessoas começou a querer. Para os estudantes universitários, o Napster era uma dádiva de Deus, porque a respeito da maioria deles tu apenas podes ter a certeza de duas coisas: Eles adoram música e são pobretanas. Então isto foi crescendo e crescendo e começou a massificar-se e foi aí que as editoras acordaram e aperceberam-se de que algo de importante se estava a passar. Por essa altura elas poderiam tê-lo visto como uma ameaça ou uma oportunidade e elas, sem hesitar por um momento que fosse, identificaram-no como sendo uma ameaça. Era uma ameaça porque, basicamente, alguém tinha criado um método de distribuição gratuito e mais eficiente para o produto das editoras. Para ser justo, podes imaginar como é que isto deve ter sido confuso para elas – será que existe sequer um precedente histórico em que os produtos de uma indústria passam subitamente a poder ser copiados e distribuídos por si próprios sem qualquer custo?
Durante bastante tempo – muito depois da maioria dos fãs de música mais familiarizados com a tecnologia – eu resisti à ideia de roubar música. É claro que eu descarregava MP3s – eu descarregava montes de coisas – mas fazia sempre questão de comprar o CD físico do disco se fosse algo de que eu gostasse. Eu conhecia montes de músicos, muitos deles mostravam-se confundidos com o que estava a acontecer à indústria que eles costumavam conhecer. As pessoas estavam a descarregar as suas músicas em massa, empanturrando-se nesta nova fronteira como se fossem porcos numa pocilga – e pior que tudo, elas sentiam que estavam no seu direito. Era como se não houvesse problema apenas porque a tecnologia o permitia. Mas havia problema – isto é, há que reconhecer que, por mais que o tentasses justificar, tratava-se de um roubo e lá porque havia tecnologia que permitia ligar um carro sem a chave isso também não o tornava aceitável. Os artistas perderam o controlo da distribuição. Eles não podiam apresentar os álbuns da forma que pretendiam, numa caixa com uma capa bonita. Eles não podiam publicá-lo da forma que queriam porque os piratas da música tinham acesso online ao álbum muito antes da data de lançamento. O controlo tinha escapado de todos aqueles que antes o detinham. Era uma época assustadora num território desconhecido, onde os fãs de música se tinham de repente tornado inimigos dos artistas e das empresas que eles tinham apoiado durante anos. Isso levou a sensacionalismos rídiculos por parte de bandas como os Metallica, subitamente transformados no expoente máximo das estrelas de rock milionárias armadas em bebés chorões, e ao início do problema de imagem que a indústria tem vindo a enfrentar devido ao modo como está a lidar com a questão da pirataria. Mesmo assim, na altura eu compreendi a posição deles. A maioria dos músicos não é rica como os Metallica e precisavam de todas as vendas de álbuns que conseguissem para pagar as suas despesas e o apoio prestado pela editora. Mais ainda, tratava-se da sua arte, que eles tinham criado – porque é que eles não haviam de poder controlar a forma como era distribuídas? Apenas porque uma cambada de miúdos da Internet cheios de acne e armados em chico-espertos tinham arranjado uma forma de enganar o sistema? E estes ranhosos da Internet que se acham no seu direito, não se apercebem eles que os álbuns custam dinheiro a criar, produzir e promover? Como é que há-de haver música nova se ninguém pagar por ela?
Mas sobretudo, eu não conseguia convencer-me da ideia de uma biblioteca invisível de música que reside no meu computador? Onde é que está a capa? Onde é que está a minha colecção? Eu quero o booklet, a caixa – eu quero prateleiras e prateleiras de álbuns que demorei anos a coleccionar, que possa admirar e consiga impressionar os meus amigos… Quero folhear as páginas e agarrar o CD na minha mão… Por ser um miúdo que começou a gostar de música já muito depois dos dias do vinil, os CDs eram tudo o que tinha e eles continuavam a ser importantes para mim.
Tudo isso mudou.
No período de alguns curtos anos, a oferta agressiva de tecnologia combinada com a resposta arrogante da indústria discográfica deitaram rapidamente por terra todas as minhas nobres intenções de me manter arreigado ao antigo sistema e conduziram-me a um estado de revolta total. Dou por mim completamente absorto em música digital, quase nunca compro CDs e sou completamente contra os métodos das maiores companhias discográficas e da RIAA. E penso que faria muito bem à indústria prestar atenção ao porquê disso – porque eu sou apenas um entre milhões e hão-de haver muitos mais milhões nos próximos anos. E tudo isto poderia ter sido diferente.
À medida que os anos foram passando e que a tecnologia tornou os ficheiros digitais no método mais conveniente, eficiente e atractivo de ouvir música para muitas pessoas, as regras e percepções culturais a respeito da música mudaram drasticamente. Vivemos na geração iPod – onde uma “colecção” de CDs obesos parece arcaica – onde a singularidade da tua colecção de música apenas depende do grau de ecletismo do teu gosto. Quando se gostamos de um álbum o enviamos a um amigo para ele o ouvir. Quer este tipo goste ou não, os iPods tornaram-se sinónimo de música – e se eu enchesse o meu iPod de 160 GB novinho em folha seguindo a lei, comprando cada faixa online ao preço de 99 cêntimos que a indústria fixou, isso iria custar-me cerca de 32.226 dólares. Como é que isto pode fazer sentido? Essa é a verdade cruel que a indústria discográfica quer ignorar à medida que se esforça por arranjar formas de fazer com que as pessoas paguem por música numa cultura que já aderiu à ideia da música ser algo que se colecciona em grandes quantidades e que tu partilhas livremente com os teus amigos.
“Já” é a palavra principal aqui, porque isto não tinha que ser assim e isso tornou-se na principal causa da minha total ausência de simpatia por uma indústria discográfica que está a morrer: Elas tiveram a oportunidade de ir em frente, de acompanhar a evolução da tecnologia e de dar resposta às necessidades em mudança dos consumidores – e não o fizeram. Em vez disso, entraram em pânico – elas mostraram ser dinossauros sedentos de poder e começaram a infernizar os seus próprios clientes, as pessoas cujo amor pela música lhes tinha concedido lucros fabulosos ao longo de décadas. Elas usaran os seus contratos discográficos injustos – aqueles que lhes permitiram ser donos de toda a música – e desataram a perseguir crianças, avôs, mães solteiras, até mesmo bisavós já falecidas – juntamente com muitas outras pessoas comuns que não tinham feito nada demais senão descarregar algumas músicas e guardá-las numa pasta partilhada – algo que se tornou na norma cultural da geração iPod. Colaborando entre si naquilo que foi chamado de cartel ilegal e empregando a RIAA como seu cão de ataque, as companhias discográficas gastaram milhares de milhões de dólares com o ensejo de assustarem as pessoas de modo a que não descarregassem música. E isto não está a funcionar. A comunidade de piratas continua a ser mais esperta e inovadora do que os métodos datados das companhias discográficas e as vendas de CDs continuam a descer ao passo que a partilha de música digital na Internet continua a subir. Porquê? Porque a música livremente disponível em grandes quantidades é a nova norma cultural e a indústria não deu aos consumidores qualquer alternativa justa. Elas não se aperceberam do surgimento das novas tecnologias e não se perguntaram a si próprias: “Como é que nós podemos tirar partido disto de modo a assegurar a nossa subsistência e ao mesmo tempo disponibilizar aos consumidores aquilo que eles passaram a esperar de nós?” Elas não se uniram para criar uma tarifa plana mensal que desse direito a descarregar toda a música que quisesses. Elas não reagiram mediante uma redução drástica dos preços dos CDs (que foram desde o primeiro dia excessivamente elevados e na verdade até aumentaram ao longo dos anos 90) ou da oferta de MP3s legais sem DRM a baixo custo. A sua entrada no mercado digital foi demasiado tarde – um precedente para a música sem DRM grátis e de elevada qualidade tinha já sido aberto.
As razões pelas quais as editoras discográficas falharam parecem ser várias. Uma é que elas não foram lá muito espertas. Elas sabem fazer uma coisa muito bem, que é vender discos num ambiente tradicional de retalho. Posso dizer-vos de experiência pessoa que as grandes editoras não fazem nenhuma ideia de como é que devem actuar no mundo digital – as suas ideias estão desactualizadas, os seus métodos não fazem sentido e todas as decisões têm que enfrentar quilómetros e quilómetros de cassete legal, restrições do copyright e interesses corporativos. Tentar fazer com que uma grande editora inove é como tentar ensinar a tua avô a jogar ao Halo 3: frustrante e inútil. O exemplo mais fácil disto é a luta que tem sido convencer as companhias discográficas a vender MP3s sem DRM. Tu estás a tentar explicar uma nova tecnologia a um velhote que fez a sua fortuna nos tempos dos metaleiros cabeludos. Estás a tentar dizer-lhe que quando alguém compra um CD, ele não tem DRM – as pessoas podem copiá-lo para o seu computador no formato de MP3s sem DRM em poucos segundos e enviá-los para todos os seus amigos. Então porque é que insultam o consumidor ao obrigá-lo a pagar o mesmo preço por MP3s com protecção anti-cópia? Não faz qualquer sentido! Apenas chateia as pessoas e faz com que recorram à pirataria! Eles não percebem: “É um MP3, tens que protegê-lo ou então eles copiam-no.” Mas elas podem fazer o mesmo com os CDs que tu já vendes!! Cassete legal e montes de tretas empresariais. Se estas pessoas não fossem donas da música, já estaria tudo resolvido e estaríamos a desfrutar do verdadeiro futuro da música. Porque tal como qualquer indústria nova, não são as pessoas da geração anterior que vão avançar e inovar. É uma nova fornada.
Os jornais são um bom exemplo: as pessoas costumavam ler jornais para ter acesso às notícias. Esse era o método de distribuição e as empresas de jornais controlavam-no. Tu pagavas pelo jornal e recebias as tuas notícias, era como funcionava. Até que a Internet veio e uma nova geração de pessoas inovadoras criaram sites e de repente qualquer pessoa podia distribuir informação e distribui-la mais rapidamente, melhor, com mais eficácia e de borla. Obviamente que isto prejudicou a indústria dos jornais mas não havia nada que eles pudessem fazer porque eles não detinham a informação em si própria – apenas o método de distribuição. A sua única opção foi inovar e encontrar formas de competir num novo mercado. E sabem que mais? Agora posso obter notícias frescas, actualizadas minuto a minuto de borla a partir de milhares de fontes diferentes espalhadas pela Internet – e o New York Times ainda existe. Capitalismo de mercado livre no seu melhor. Não é um exemplo perfeito, mas insere-se no modo como a Internet está a transformar todas as formas de media tradicionais. Aconteceu com os jornais, está a acontecer agora com a música e a televisão e os telemóveis vão ser os próximos. Em todos os casos, a tecnologia exige que a mudança ocorra. Trata-se apenas de saber quem irá encontrar formas de tirar partido dela.
Ao contrário dos jornais, as companhias discográficas detêm a distribuição e o produto que é distribuído pelo que não podes criar o teu próprio site e oferecer aí a música que elas controlam – e isto é o que importa: distribuição. Montes de tipos a favor da pirataria argumentam que a música pode ser grátis porque as pessoas hão-de sempre gostar de música e acabarão por pagar bilhetes para concertos e merchandising pelo que o mercado irá sofrer uma transformação e os artistas irão sobreviver. Bem, sim, isso pode ser uma opção para alguns artistas mas isso não ajuda em nada as companhias discográficas, porque elas não ganham dinheiro nenhum com merchandising ou bilhetes para concertos. Elas controlam a distribuição e a propriedade e essas são as duas coisas que a pirataria ameaça. As poucas grandes editoras que restam fazem parte de conglomerados de media gigantescos – na posse de empresas-mãe enormes para as quais os artistas e álbuns são apenas números numa folha de papel. É por isso que as companhias discográficas empurram porcaria Pop descartável pela tua garganta abaixo em vez de fomentarem artistas com possibilidades de fazer uma carreira: porque elas têm directores executivos e accionistas aos quais devem prestar contas e essas pessoas estão-se nas tintas para o facto de uma banda realmente formidável ter potencial para ser bastante bem sucedida caso receba o apoio necessário ao longo da próxima década. Elas percebem que o mais recente excremento musical de Gwen Stefani vendeu milhões, porque os pais de raparigas de doze anos continuam a comprar música para os seus miúdos e a empresa-mãe exige mais lixo Pop que represente dinheiro-fácil que daqui a um mês toda a gente já terá esquecido. A única coisa que interessa a estas empresas é o lucro – ponto final. A música não é encarada como uma forma de arte, como era nos primeiros tempos da indústria onde as editoras eram fundadas por fãs de música – trata-se pura e simplesmente de um produto. E muitas destas empresas também detêm as fábrica de produção que criam os CDs, pelo que elas acabam por fazer dinheiro de todos os lados – e perdem dinheiro mesmo com os MP3s legais.
Em cima de tudo isto está uma estrutura viciada, datada e injusta de leis de propriedade intelectual, todas elas a precisar de uma reforma enorme tendo em conta o despontar da era digital. Estas leis permitem que as editoras mantenham o seu colete de forças sobre os copyrights de música e permitem que a RIAA processe qualquer avozinha que quiser desde que ela partilhe ficheiros. Uma vez que as editoras pertencem a empresas gigantescas com montes de dinheiro, poder e influência política, a RIAA consegue convencer os políticos e agências governamentais a manipularem as leis de copyright em seu benefício. O resultado são multas absolutamente desproporcionais e leis que em alguns casos transformam a partilha de ficheiros numa acusação mais grave que o roubo armado. Isto é mais um exemplo de interesses empresariais privados que usam de influência política para virarem o sentido das leis numa direcção completamente oposto aos valores em transformação das pessoas. Ou, segundo esta descrição bastante inteligente de um executivo de uma discográfica, “um caso óbvio de um conglomerado multinacional que recorre ao seu poderio político para prejudicar todos menos ele próprio.” Mas as manobras políticas obscuras e tácticas de medo são tudo o que resta à RIAA e aos outros grupos anti-pirataria, porque o número de pessoas que descarregam música ilegalmente ronda actualmente as centenas de milhões e eles não podem processar toda a gente. A esta altura eles estão apenas a tentar segurar o que resta da barragem antes que esta se abra de todo. A sua vítima mais recente é o Oink, um site popular de torrents especializado em música.
CONTINUA
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