Tal como prometido, publico em baixo a segunta parte da tradução do manifesto ““Quando os porcos voam: a morte do oink, o nascimento da revolta e uma breve história do suicídio da indústria discográfica” (a primeira parte pode ser encontrada aqui) escrito por Rob Sheridan em tom de desabafo provocado pelo encerramento do Oink pela IFPI e BPI.
Nesta parte, Sheridan contesta a propaganda transmitida por estas duas organizações anti-pirataria, nomeadamente que o tracker privado de música era importante local de pirataria realizada com fins lucrativos. Na verdade, diz Sheridan, o Oink era totalmente gratuito, não tinha publicidade e dependia unicamente da boa vontade de dezenas de milhares de voluntários. Era isto, na sua opinião, que o tornava na “maior loja de discos do mundo” e no melhor modelo de distribuição de música alguma vez criado.
Revoltado com as intimidações e as mentiras das grandes editoras discográficas, Sheridan considera que estas estão condenadas a arderem numa fogueira, devido aos inúmeros erros que cometeram. O designer afirma ainda que acha que a música registada em disco deve passar a ser grátis de modo a que outras fontes de receitas adicionais não ligadas às majors adquirem mais peso no sector. Por isso, ele conclui o seu manifesto apelando a todos os fãs de música que boicotem todos os álbuns produzidos e distribuídos pela RIAA e passem a apoiar as bandas que gostam que continuam agarradas a uma major através dos concertos, merchandising, etc.
“Quando os porcos voam: a morte do oink, o nascimento da revolta e uma breve história do suicídio da indústria discográfica” – Parte 2
Se não conheces o Oink, aqui vai um resumo rápido: O Oink era um site gratuito reservado a membros – para se entrar precisavas de ser convidado por um membro. Os membros tinham acesso a uma base de dados de músicas nunca antes vista que era mantida pela comunidade. Cada álbum que tu possas imaginar estava apenas a um clique de distância. Os critérios de qualidade extremamente rígidos do Oink asseguravam que tudo o que estava disponível era de uma qualidade topo de gama – o mínimo era MP3 de 192kbps, mas eles favoreciam downloads de MP3s com uma qualidade muito mais elevada bem como o formato lossless FLAC. Eles incentivavam as pessoas a fazerem registos de modo a verificarem se a música tinha sido copiada do CD sem quaisquer erros. Os transcodes – ficheiros codificados a partir de outros ficheiros codificados resultando numa qualidade inferior – eram absolutamente proibidos. Tu tinhas sempre a certeza que irias receber música de qualidade superior ao iTunes ou qualquer outra loja de MP3s legais.
O rácio inflexível do Oink entre o que era descarregado e o que era partilhado assegurava que todos os álbuns na sua enorme base de dados estava sempre a ser bem semeado (“seeded”), resultando em downloads mais rápidos do que em todos os outros lados na Internet. Um álbum de 100mb poderia ser descarregado em poucos segundos mesmo numa ligação de banda larga mediana. O Oink era famoso por disponibilizar álbuns pré-lançamento muito antes do que em todos os outros lados na Internet, frequentemente meses antes de eles chegarem aos retalhistas – mas eles também tinham um catálogo vastíssimo de música datada de várias décadas anteriores, abastecido por fãs de música que se orgulhavam em fazer o upload de pérolas raras que pertenciam à sua colecção e que outros utilizadores requisitavam. Se não conseguias encontrar um álbum no Oink, apenas tinhas que publicar um pedido e esperar que alguém que o tivesse cumprisse o teu pedido. Mesmo quando o pedido era extremamente raro, a vasta rede de centenas ou milhares de fãs de música do Oink desejosos de darem o seu contributo para o site asseguravam normalmente que não tinhas que esperar muito tempo.
Neste sentido, o Oink não era apenas um paraíso total para os fãs de música mas era também sem dúvida nenhuma o modelo de distribuição de música mais completo e eficiente que o mundo jamais conheceu. Posso dizer isto sem receio de estar a exagerar. Era como a maior loja de discos do mundo, cuja selecção e distribuição amplamente superior era inteiramente guardada, fornecida, organizada e ampliada pelos seus próprios clientes. Se a indústria musical encontrasse uma forma de capitalizar o poder, dedicação e inovação dos seus próprios fãs do mesmo modo que o Oink conseguiu, em vez de estar a morrer ela estaria hoje em dia a prosperar. Se as leis de propriedade intelectual não tivessem tornado o Oink ilegal, o criador do site seria hoje em dia o novo Steve Jobs. Ele teria revolucionado a distribuição de música. Em vez disso, ele é um criminoso, e isto apenas por ter encontrado a melhor forma de satisfazer a crescente procura do consumidor. Eu pagaria de bom grande uma pesada taxa mensal para ter direito a um serviço legal tão bom como o Oink – mas não existe nenhum, porque a indústria musical nunca conseguiu pôr de lado a sua ganância e conversa da treta para fazer com que isso acontecesse.
Um aparte interessante: A RIAA adora queixar-se a respeito dos piratas de música que disponibilizam os seus álbuns na Internet antes de eles serem lançados nas lojas – passando a imagem de que se tratam de piratas malvados obstinados em atacar o seu inimigo, a indústria musical. Mas vocês sabem de onde é que as “fugas” (leaks) de música vêem? Da p*** da fonte, claro – as editoras! A esta altura, a maioria das bandas sabem que quando acabam o álbum e este é enviado para a editora surge logo o risco de ele acabar por aparecer online, porque as editoras estão cheias de funcionários que por acaso são fãs de música que estão ansiosos por partilhar o novo álbum da banda com os seus amigos. Se o álbum consegue não “escapar” directamente a partir da editora então é certo e seguro que ele acabará por “escapar” assim que entrar na prensagem. Alguém na fábrica de prensagem está sempre disponível para surrupiar uma cópia e, pouco tempo depois, ele aparece online. Porquê? Porque as pessoas adoram música e estão ansiosas por ouvir o novo álbum da sua banda favorita! Não é uma questão de lucro e não é por má fé. Por isso, cara indústria discográfica: Talvez se protegesses um pouco melhor os teus bens, as coisas não “escapariam” – não culpes os fãs que acorrem ao material disponibilizado online, culpa antes as pessoas que o roubaram das tuas fábricas de prensagem! Mas assumindo que isto é um buraco demasiado difícil para tapar, coloca-se a questão, “porque é que as editoras não se adaptam à transformação em curso na distribuição e passam a vender os novos álbuns online assim que eles estiverem concluídos, antes que eles tenham uma chance de se ‘escapulirem’, e os CDs físicos alguns meses mais tarde?” Bem, em primeiro lugar, as editoras continuam obcecadas com os números do Top da Billboard – continuam obcecadas em determinar o valor de mercado do seu produto mediante o seu comportamento na semana de lançamento. Vendê-lo online antes da estreia nas grandes superfícies comerciais, antes dos meses necessários para promover adequadamente o produto de modo a assegurar o sucesso, iria complicar esses números (apesar desses números já não quererem dizer rigorosamente nada). Para além disso, vender um álbum online antes dele chegar às lojas faz com que as cadeias de comércio a retalho (que também estão a ser prejudicadas com isto tudo) fiquem irritadas e essas cadeias têm muito mais poder do que elas deviam ter. Por exemplo, se uma companhia discográfica lança um álbum online mas a Wal-Mart não tiver o CD nas suas lojas senão daqui a dois meses (porque ele precisa de ser prensado), a Wal-Mart passa-se. Mas vocês podem perguntar: “Quem é que quer saber que a Wal-Mart se passe?” Bem, as companhias discográficas, porque a Wal-Mart é, em termos tanto trágicos como misteriosos, o maior retalhista de música no mundo. Isso significa que eles têm poder e podem dizer “Se venderes o álbum da Britney Spears online antes de nós o podermos vender nas nossas lojas, nós perdemos dinheiro. Então se fizerem isso, nós não iremos distribuir o álbum dela e aí vocês vão perder MONTES de dinheiro” Esse tipo de conversa da treta gananciosa está sempre a acontecer na indústria discográfica e isso resulta numa experiência inferior para os consumidores e fãs de música.
É por isso que o Oink era tão bom – removam todas as leis e obrigações legais, toda a propriedade e margens de lucro e obviamente que o resultado será algo puramente para, através e a favor do fã de música. E isto acaba por ajudar os músicos – a partilha de ficheiros é “a maior ferramenta de marketing jamais inventada para a indústria musical.” Uma das melhores funcionalidades do Oink era o modo como permitia que os utilizadores conhecessem artistas semelhantes e vissem o que é que as pessoas que gostavam de uma determinada banda também gostavam. Tal como o sistema de recomendação da Amazon, era possível passar horas a descobrir novas bandas no Oink e isto era o que muitos dos seus utilizadores faziam. Através de sites como o Oink, a quantidade e diversidade de música que eu ouço aumentou a pique, fazendo com que eu ficasse a conhecer centenas de artistas de que outro modo eu nunca teria ouvido. Passei a ser fã da sua música e posso não ter comprado os seus CDs mas eu nunca teria comprado os CDs deles de qualquer das formas, porque nunca teria ouvido falar neles! E agora que os ouvi, eu vou aos seus concertos e falo neles aos meus amigos e dou a escutar as suas músicas aos meus amigos para que eles possam ir aos concertos e contar aos seus amigos e por aí fora. O Oink era uma rede onde fãs de música partilhavam e descobriam música. E sim, era tudo tecnicamente ilegal e estava condenado a fechar, suponho. Mas não é tanto o facto deles terem fechado o Oink que me deixa chateado, mas a p*** da propaganda carregada de conversa da treta que eles fizeram passar cá para fora. Se a indústria tivesse tentado ter alguma compaixão – se eles tivessem dito, “nós compreendemos que se tratam apenas de fãs de música que procuram ouvir tanta música quanto puderem, mas nós temos que proteger os nossos bens e estamos a tentar arranjar uma solução ao nível de toda a indústria que se adeque às novas necessidades dos fãs de música”… Bem, é demasiado tarde para isso, mas teria sido encorajador. Em vez disso, elas pintaram a coisa como se tivessem apanhado um cartel de droga colombiano ou algo do género. Elas descreveram o Oink como se este fosse uma rede de pirataria altamente organizada. Como se os utilizadores do Oink distribuíssem pirataria infantil ou alguma cena do género. O comunicado afirma: “Não estamos perante um caso em que amigos partilhavam música por prazer.” O quê?? É EXACTAMENTE isso que ele era! Ninguém fazia dinheiro naquele site – não havia anúncios, nenhuma taxa de registo. O único câmbio era o rácio – a quantidade que tu partilhavas com outros utilizadores – uma forma espectacular de transformar o “gratuito” numa espécie de mini-economia florescente. Os grupos anti-pirataria tentaram passar a ideia de que tu tinhas que pagar uma quantia para entrares no Oink, o que NÃO é de todo verdade – as doações eram voluntárias e destinavam-se a pagar o alojamento e manutenção do site. Se das doações acabasse por sobrar algum lucro para o tipo que administrava o site, bem que ele o merecia – ele criou algo verdadeiramente fenomenal.
Por isso, a questão que se coloca é: O que é que se irá seguir?
Para as grandes editoras, acabou-se. Acabou tudo. Vocês vão arder na p*** de uma fogueira e todos nós vamos dançar à roda. E a culpa é toda vossa. Certamente, algures lá no fundo, vocês deviam saber que este dia estava a chegar, não é? A vossa indústria assenta num modelo de negócio injusto que consiste na propriedade de arte que não criaram a troco de serviços que disponibilizam. Está tudo viciado de modo a que sejam vocês sempre a ganhar – mesmo se o artista se saia bem, vocês acabam por sair dez vezes melhor. Este modelo subsistiu durante tanto tempo porque vocês controlavam a distribuição mas agora esta voltou a estar nas mãos das pessoas e vocês deixaram passar a bola quando podiam ter-se adaptado.
Isto não quer dizer que os artistas deixaram de poder ganhar dinheiro ou mesmo que é o fim das editoras discográficas. Trata-se apenas do fim das editoras discográficas como as conhecíamos. Muitas pessoas indicaram o modelo dos Radiohead como sendo o futuro, mas os Radiohead estão apenas a molhar os dedos dos pés para testar as águas. O que à primeira vista parecia ser uma revolução bem intencionada veio agora a ser descoberto que não passou de um truque de marketing: Os Radiohead estavam a “experimentar,” lançando uma versão MP3 de fraca qualidade de um álbum apenas para acabarem por castigar os fãs que pagaram por ela através do lançamento de uma versão em CD de qualidade superior contendo faixas adicionais. De acordo com o empresário dos Radiohead: “Se não acreditássemos que quando as pessoas ouvem a música elas vão querer comprar o CD então não teríamos feito o que estamos a fazer.” Ui. Os Radiohead estavam a caminhar na direcção certa, mas se eles querem de facto começar uma revolução eles precisam de colocar o álbum digital do “tu-decides-o-preço” ao mesmo nível de conteúdos e qualidade do álbum físico do “nós-é que-decidimos-o-que-tu-pagas”.
No fim de tudo, não sei qual vai ser o modelo do futuro – penso que todas as peças disponíveis do puzzle vão continuar a estar lá, mas elas precisam de ser recolocadas e as leis precisam de ser alteradas. Talvez as companhias discográficas do futuro sirvam para ajudar os custos de gravação e promover os artistas, mas a música deixará de pertencer a elas. Talvez a música passe a ser grátis e os músicos passem a fazer o seu dinheiro com as digressões e o merchandising e caso eles precisem de uma editora, a editora fique com uma percentagem dos lucros das vendas de bilhetes e merchandising. Talvez todas as companhias discográficas digitais ofereçam às bandas todos os instrumentos de que eles necessitam para vender as suas músicas directamente aos fãs, cobrando uma pequena percentagem pelos seus serviços. De qualquer modo, os artistas irão ser os donos das suas músicas.
Eu costumava rejeitar o lema “a música deve ser livre” dos ladrões de música online. Eu sabia demasiado a respeito dos detalhes e da economia por detrás disso tudo, da situação bastante delicada em que muitos artistas se encontravam em relação às suas editoras. Eu pensava que havia várias novas maneiras de vender música que seriam justas para todas as partes envolvidas. Mas deixei de acreditar nisso porque as grandes editoras obsoletas, gananciosas e obcecadas com a propriedade nunca vão deixar que isso aconteça e isso é hoje em dia mais óbvio para mim do que nunca. Por isso, talvez a música deva ser grátis. Talvez retirar o dinheiro da música seja a única forma de fazer com que o dinheiro volte a ela. Talvez seja altura de abandonar a ideia de estrela Rock – da música como uma via para a fama e a fortuna. De qualquer modo, a melhor música foi sempre feita por pessoas que não estavam nisto pelo dinheiro. Talvez os músicos espertos e talentosos encontrem maneiras de assegurar um bom nível de venda sem as vendas de CDs. Talvez os executivos da indústria discográfica que fizeram as suas fortunas com contratos injustos e monopólios de distribuição se devam afastar, com a certeza de que conseguiram tirar proveito de uma oportunidade excepcional e de que é altura de encontrar a riqueza noutro lado. Talvez o mercado da música, uma vez nas mãos dos consumidores, se alargue a novas e lucrativas formas que nunca ninguém ainda pode sequer imaginar. Não saberemos até que a música não seja grátis e, mais tarde ou mais cedo, isso acabará por acontecer. A inovação tecnológica destrói as velhas indústrias mas cria outras novas. Não podem continuar a lutar para sempre.
Até que os muros venham finalmente abaixo, encontramo-nos naquilo que será inevitavelmente encarado como o período mais caótico e conturbado da história da música – estão a ser presos fãs por partilharem a música de que eles gostam e muitos artistas não sabem para onde se virar, incapazes que são de experimentar novos modelos de negócio por estarem acorrentados a contratos discográficos assinados com editora retrógradas.
Então o que é que tu e eu podem fazer para ajudar a despontar este admirável mundo novo? O que era extraordinário no Oink era o modo como os fãs tomavam voluntariamente e de uma forma hiper-eficiente a função de distribuição que costumava custar milhões de dólares às editoras. Os fãs de música demonstraram que eles estão muito menos interessados em dinheiro do que em dedicar tempo e esforço à música. É tempo de mostrar aos artistas que não existem limites para o que uma vibrante comunidade online de fãs pode alcançar, sendo que tudo o que eles irão pedir em troca é mais música. E é tempo de mostrar às editoras que elas perderem uma chance enorme ao não aproveitaram estas oportunidades quando tiveram essa hipótese.
1. Deixa de comprar música das grandes editoras. Ponto final. A única forma de fazeres com que a mudança ocorra é atingires as editoras onde lhes dói mais – os seus lucros. Hoje em dia, as grandes editoras parecem-se com Terry Schiavo – encontram-se num estado vegetativo, num coma profundo, enquanto que tipos engravatados de cabelos brancos tentam alterar as leis para sobreviverem. Mas qualquer pessoa racional pode verificar que é demasiado tarde e já é altura de retirar o tubo de alimentação. Neste caso, o tubo de alimentação é o vosso dinheiro. Informem-se das editoras que pertencem/apoiam a RIAA e grupos semelhantes que velam pelo cumprimento dos copyrights e não as financiem directa ou indirectamente. O RIAA Radar é uma ferramenta formidável para vos ajudar nisto. Não comprem CDs, não comprem downloads do iTunes, não comprem na Amazon, etc. Roubem a música publicada pelas grandes editoras que desejam. É fácil e, apesar das tácticas intimidatórias da RIAA, pode ser feito de uma forma segura – especialmente se mais e mais pessoas o fizerem. Enviem cartas para essas editoras e para a RIAA explicando-lhes com um tom calmo e profissional que deixaram de financiar os seus negócios devido às suas tácticas intimidatórias para com os fãs de música e a sua incapacidade de apresentar uma solução de distribuição digital viável a longo prazo. Diz-lhes que tu achas que o modelo de negócio delas está obsoleto e que os tempos em que as empresas eram proprietárias da música dos artistas acabaram. Faz com que fique bastante claro que vais continuar a apoiar directamente os artistas de outras formas e faz com que fique BASTANTE claro que a tua decisão é um resultado directo das acções e inacções das companhias discográficas a respeito da música digital.
2. Apoia directamente os artistas. Se uma banda que tu gostas está agarrada a uma grande editora, existem montes de maneiras de apoiá-la sem comprares o CD dela. Fala dela a toda a gente que conheces – criar um site para fãs se és realmente dedicado. Vai aos concertos quando elas passarem pela tua cidade e compra camisolas e outro merchandising. Um pequeno segredo: tudo o que uma banda vende que não contém música está fora do alcance da editora discográfica e acaba por contribuir com mais dinheiro para o artista do que comprar um CD. Camisolas, cartazes, bonés, porta-chaves, autocolantes, etc. Envia uma carta à banda dizendo-lhe que vais deixar de comprar a sua música mas que vais continuar a ouvi-la e vais passar a mensagem e apoiá-la de outras formas. Diz-lhe que tomaste esta decisão porque estás a tentar fazer com que a indústria mude e deixaste de financiar editoras discográficas ligadas à RIAA que são proprietárias da música dos seus artistas.
Se gostas de bandas que publicam música em editoras independentes não ligadas à RIAA, então compra os seus álbuns! Desse modo estás a apoiar a banda de que tu gostas e a apoiar pessoas dedicadas e trabalhadoras ligadas a pequenas editoras de música com uma mentalidade progressista. Se gostas de bandas que são totalmente independentes e publicam música por si próprias então apoia-as tanto quanto possível! Compra os discos, compra merchandising, fala delas a todos os teus amigos e ajuda a promovê-las online – mostra que uma rede de fãs dedicados é a melhor promoção que uma banda pode pedir.
3. Espalha a mensagem. Espalha esta mensagem para o maior número de pessoas que possas – difunde a mensagem no teu blog ou MySpace e, sobretudo, diz aos teus amigos no emprego ou aos teus familiares, pessoas que poderão não estar tão por dentro da Internet como tu. Ensina-lhes a usar torrents, mostra-lhes onde é que eles podem arranjar música grátis. Explica-lhes como é que eles podem apoiar os artistas e fazer com que as editoras morram à fome e quem é que eles devem ou não apoiar.
4. Intervém politicamente. O caminho mais curto para acabar com todos estes disparates é alterar as leis de propriedade intelectual. A RIAA pressiona os políticos para que estes manipulem as leis de copyright a favor dos seus interesses, por isso os eleitores precisam de pressionar os políticos em nome dos interesses das pessoas. Contacta os teus representantes e senadores locais, Diz-lhes de um modo educado e cuidado que consideras que as leis de copyright deixaram de reflectir os interesses do povo e que não irás votar neles se eles apoiarem os interesses da RIAA. Incentiva-os a redigir legislação que ajude a alterar as leis antiquadas e as penas exageradamente severas que a RIAA defende. Os contactos dos representantes de cada estado podem ser encontrados aqui e os contactos dos senadores aqui. Podes enviar-lhes um email mas é sempre mais eficiente telefonar-lhes ou escrever-lhes cartas.
Esta noite, depois do fim do Oink, dou comigo a perguntar-me onde é que eu poderei encontrar música nova. Todas as outras opções – em especial as legais – parecem em comparação deprimentes. Interrogo-me quanto tempo irá demorar antes que todos possam experimentar de um modo legal o tipo de nirvana musical que os utilizadores do Oink estavam acostumados. Não estou muito preocupado – algo ainda melhor do que o Oink irá surgir das suas cinzas e a RIAA irá responder com mais processos e o ciclo irá repetir-se vezes sem conta até que a indústria morra de tanto sangrar. E aí tudo poderá mudar, e a decisão de como irá funcionar o novo negócio dos discos passará a estar nas mãos dos músicos, dos fãs e de uma nova geração de empreendedores. Quer concordes ou não, isto é um facto. É inevitável – porque a determinação dos fãs em partilhar música é muito, mas muito mais forte que a determinação das empresas em impedi-los.
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