Os Nine Inch Nails podem já ter abandonado a Universal Music mas os obstáculos colocados pela antiga editora da banda parecem ainda não ter terminado. Hoje saiu finalmente o disco de remisturas Y34RZ3R0R3M1X3D. Para além de contar com a colaboração de Saul Williams, Stephen Morris e Gillian Gilbert dos New Order, Fennesz e Olaf dos The Knife, entre outros profissionais, a versão em CD inclui um DVD-ROM com os ficheiros multipista de todas as faixas do álbum de originais Year Zero para que os utilizadores as possam recombinar ao seu gosto.
O plano incluía o lançamento de um site em remix.nin.com que funcionaria como uma comunidade oficial em que os fãs poderiam fazer upload das suas remisturas e trocar ideias entre si. Só que quem visitar o site irá deparar-se apenas com a imagem que podem ver aqui ao lado e um link para o site principal da banda. Como o próprio Trent Reznor aí explica, a Universal Music não autorizou a abertura do site. Como seria de esperar, tudo se deve a problemas colocados por advogados.
Isto porque Year Zero foi publicado em nome da Interscope, uma subsidiária da Universal, e esta editora que detém os direitos sobre todas as gravações originais do disco, pelo que o projecto está dependente da sua aprovação. Acontece que a Universal está actualmente envolvida em processos contra o Youtube e o MySpace, sites onde os internautas podem publicar conteúdos protegidos por direitos de autor sem autorização dos detentores de direitos. Do mesmo modo, grande parte das remisturas utilizam samples copiados de diferentes fontes pelo que os seus autores não possuem muitas vezes os direitos de utilização das faixas originais. Como explica Reznor:
A Universal sente que se alojar o nosso site de remisturas estará a expôr-se a si própria à acusação de estar a patrocinar a mesma violação técnica do direito de autor pela qual ela está a processar estas empresas. Eles partem do princípio que se um fã decidir remisturar um dos meus masters com material que a Universal não possui – um mashup, um sample, o que seja – e o publique no site, não existe qualquer salvaguarda legal nos termos da DMCA e eles estarão a fazer exactamente aquilo que o MySpace e o Youtube estão a fazer. Este comportamente poderá ser criticado em tribunal e prejudicar o seu processo.
É por esse receio da sua acusação vir a ser descredibilizada perante um tribunal que a Universal pretende que sejam os próprio Nine Inch Nails a alojar o site de remisturas e que Trent Reznor assuma a responsabilidade legal na eventualidade de surgirem quaisquer problemas. Para além disso, a major pretende ainda que o artista obrigue os fãs a assinarem uma licença de utilização em que eles afirmem que não irão empregar conteúdos sem a autorização dos detentores de direitos. “Se eles mesmo assim o fizerem, toda a gente processa toda a gente e o mundo acaba de repente,” termina Reznor em tom gozão. Apesar do humor, Reznor também deve ter receio de lançar o site em nome próprio pelo que é provável que se encontre neste momento a solicitar a opinião de advogados especialistas em direito de autor… Aguardemos então mais um pouco pelo lançamento do remix.nin.com.
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