E se a Apple passasse a vender música num formato lossless semelhante ao FLAC? Publicado 19 Dez 07

Os formatos de áudio lossless como o FLAC - sem perda de compressão, ao contrário dos lossy MP3, WMA e AAC - são desde há muito os preferidos pelos audiófilos por assegurarem uma fidelidade de reprodução idêntica a um CD áudio. O grande inconveniente do FLAC é que os ficheiros são muito pesados: cada música de quatro minutos ocupa cerca de 36 MBytes. Isso não impediu, contudo, que alguns utilizadores com posses para adquirir discos rígidos de grande capacidade tenham convertido toda a sua discoteca pessoal para FLAC.
Uma vez que esse é o único padrão de qualidade sonora que admitem, muitos optaram por ignorar a maioria dos serviços comerciais de música online em favor de trackers privados de BitTorrent. A verdade é que, à excepção de alguns sites mais de nicho - como o Beatport, especializado em música de dança -, a oferta legal que aposta na venda de música lossless é escassa. Do mesmo modo, são raros os leitores portáteis compatíveis com FLAC. Mas com a introdução de discos rígidos de maior capacidade no circuito comercial, assim como de leitores portáteis gigantes - como o iPod Classic de 160 GB - o panorama poderá vir a sofrer alterações dentro em breve.
E há até mesmo quem, como o jornalista Nate Lanxon da CNET.co.uk, preveja que a Apple irá começar a vender músicas com qualidade lossless na loja online do iTunes. Mas segundo Lanxon, é mais provável que a empresa opte pelo seu formato proprietário de nome ALAC (Apple Lossless Audio Codec), criado em 2004 do que pelo formato aberto FLAC. É que só assim a Apple conseguirá garantir a manutenção do seu ecossistema fechado iPod+iTunes - baseado no formato proprietário AAC, que apenas se popularizou graças ao apoio da Apple, que o adoptou para a sua loja do iTunes.
Lanxon dá a entender que a Apple irá tentar recorrer a uma tecnologia de DRM como a FairPlay para impedir que os ficheiros adquiridos no iTunes possam ser reproduzidos noutros dispositivos para além do iPod, de modo a assegurar o crescimento a longo prazo das vendas do seu gadget. Tendo em conta a estratégia comercial proteccionista adoptada pela companhia até ao momento, é bem provável que isso venha a suceder, caso se decida de facto a vender downloads de música com maior qualidade áudio. Mas nesse caso, também é expectável que, tal como aconteceu com o MP3, outras concorrentes como Amazon, Wal-Mart e eMusic venham a adoptar o FLAC.
Embora muitos cépticos considerem que não existe mercado para a venda de downloads lossless, todos os estudos apontam para a existência de um nicho significativo de fãs de música que estão dispostos a pagar um pouco mais - não muito - por um ganho substancial de qualidade.
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Eu voto no Flac! Mas não vejo a Apple a ir por ai…
Comentário de Jorge Vieira em 20 Dez 07 15:29.Fala-se até que o formato de compressão sem perda da Apple é baseado nas especificações do FLAC. Eu realmente não me importo se alguma loja vier a oferecer um formato de compressão sem perda, usando um formato de código aberto como o FLAC, ou usando os proprietários como ALAC ou WMA lossless. O único problema neste universo se chama DRM, mas também tanto faz, porque o usuário, dentro do ambiente em que ele se encaicha, por exemplo o da Apple, vai acabar comprando CDs e vai transferir as músicas para o seu iPod, em um formato aberto, ainda que proprietário. Ainda tem o WMA lossless que não fica para trás, e que apresenta até bem mais compressão do que os outros dois formatos. É o mundo dando voltas. Daqui há algum tempo, alguém vai seguir o exemplo do iTunes, e começar a dar suporte aos selos ID3 imbutidos nos arquivos AIFF criados pelo iTunes e, então… Comprimir não mais será preciso!
Comentário de Edu Camargo em 7 Jun 08 06:52.