Empresários de rock britânicos reclamam percentagem sobre revenda online de bilhetes

by Miguel Caetano on 6 de Dezembro de 2007

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Ao contrário da música em si que é um bem intangível, logo, abundante, os bilhetes para concertos são um dos poucos recursos escassos na indústria musical. O seu número depende sempre da capacidade de lotação das salas de espectáculos. Se o artista é popular, então o preço desses bilhetes tende a aumentar ainda mais.

Daí que hoje em dia o mercado da revenda de bilhetes na Internet seja uma fonte de lucro fácil para vários especuladores que compram os bilhetes a preço normal para os revenderem por montantes elevadíssimos quando eles esgotam. É claro que existe sempre o risco dos fãs de música perderem o dinheiro se um espectáculo ou uma digressão forem adiados.

Foi para reduzir esse perigo e também, como é óbvio, para amealhar uma parte das cerca de 200 milhões de libras anuais resultantes da revenda de bilhetes de concertos que os empresários de algumas das maiores bandas britânicas como Radiohead, Oasis, The Verve, Arctic Monkeys e Robbie Williams anunciaram esta semana o lançamento da Release Rights Society (RRS – Sociedade de Direitos de Revenda).

Esta entidade que deverá ser lançada em Janeiro de 2008 irá regular o mercado de revenda de bilhetes, acreditar os sites que cumprem os seus requerimentos e cobrar uma percentagem sobre as suas receitas a ser distribuída entre os artistas e os promotores de concertos.

Mas será justo os músicos receberam duas vezes pelo mesmo bem? Embora a intenção dos empresários britânicos seja postiva, na medida em que visa legalizar o mercado negro de revenda de concertos e assegurar que os consumidores não sejam enganados por aldrabões sem escrúpulos, a aplicação desta taxa apenas terá como efeito aumentar o preço – já de si extremamente elevado – das actuações ao vivo. Por outro lado, o mais importante mercado ilícito – aquele que envolve transacções em dinheiro vivo – continuaria a funcionar ileso, sendo bastante provável que os vendedores também aproveitassem para inflacionar os preços.

Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY 2.0 e foi tirada por Eggybird.

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