
Numa entrevista recente à BBC, Thom Yorke dos Radiohead explicou que a ideia de lançar uma versão exclusivamente digital de In Rainbows era absolutamente ridícula e que as pessoas ainda querem sentir um objecto físico quando elas compram música.
Descontando o facto da versão online do novo disco da banda ter sido lançada sem sequer incluir uma imagem de capa, a verdade é que os fãs de música continuam a valorizar toda a experiência estética adicional que um CD tradicional oferece como um booklet contendo imagens artísticas, letras e outros extras. Não admira por isso que as pessoas continuem a resistir à ideia de pagar por simples ficheiros de áudio e quanto muito uma imagem em tamanho thumbnail da capa do disco.
Em contrapartida, muitos trackers privados de BitTorrent dedicados à partilha ilegal de músicas oferecem por vezes digitalizações dos próprios booklets dos CDs. Mas segundo Antony Bruno da Billboard refere num artigo, dentro em breve os “bons” consumidores de música digital poderão esperar dentro em breve algumas das funcionalidades até agora reservadas ao mundo analógico… ou aos “piratas”.
Na Primavera passada, a Warner Music introduziu cerca de 75 booklets interactivos baseados no QuickTime da Apple a 75 dos seus álbuns comercializados no iTunes que ofereciam fotografias e ligações para conteúdos multimédia adicionais. Contudo, parece que a experiência não correu lá muito bem devido a um problema de incompatibilidade entre o QuickTime e a tecnologia Flash da Adobe.
Também existem algumas movimentações nesse sentido no mercado dos telemóveis: Várias editoras estão a colaborar com fabricantes de dispositivos móveis numa espécie de “álbum móvel” que inclui a canção completa, o toque de telemóvel, wallpapers e outros conteúdos – tudo por um preço único.
Outro tipo de metadados que também deverá passar a ser disponibilizado juntamente com os downloads digitais é as letras das músicas. Até agora, as tentativas de integração com serviços de música digital têm sido raras – talvez porque as editoras de música pegaram o hábito de processar todos os sites e aplicações dedicadas à disponibilização de letras de canções…
Contudo, a Gracenote, uma empresa especializada no licenciamento de letras, têm vindo a celebrar uma série de acordos para a implementação de serviços de pesquisa online e em telemóveis com companhias como a MTV, AOL e Yahoo.
Por fim, o artigo da Billboard refere ainda a possibilidade das editoras virem a acrescentar mais conteúdos multimédia como imagens da fase de produção e gravação do disco, “making offs“, entrevistas e vídeos. Apesar desse tipo de funcionalidades já se encontrar em formatos de CDs multimédia como o CDVU+ da Disney ou o MVI da Warner, creio que ainda estamos longe de assistirmos à inclusão desse modelo de “revistas digitais” nos downloads de música online.
Ao mesmo tempo, também não ficaria muito admirado se a Apple decidisse introduzir algo do género no seu serviço iTunes Plus de música sem DRM, visto que poderia ser uma maneira de compensar os consumidores pelo preço extra cobrado face à oferta da concorrência…
Nota: A imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY 2.0 e foi tirada por Dan Kamminga.
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