Brasil: IFPI apreende computadores em lan houses Publicado 29 Jan 08

Como a Federação Internacional da Indústria Discográfica (IFPI) não consegue obrigar os ISPs a travarem a partilha de ficheiros efectuada pelos seus clientes, sobretudo nos países com uma maior taxa de pirataria, ela decidiu adoptar uma estratégia mais radical: realizar ataques em locais onde os internautas se encontram.
No Brasil, o ponto de encontro de todos os jovens dos bairrros periféricos que querem utilizar a Internet para aceder ao Orkut, jogar com os amigos ou baixar uma música dos tops do eMule são as lan-houses, uma espécie de cibercafés que fazem um fabuloso trabalho de inclusão digital que passa muitas vezes despercebido face às iniciativas do Estado apesar de cobrarem pelo acesso.
Mas acontece que a APCM (Associação Anti-Pirataria de Cinema e Música), uma organização anti-pirataria criada em Abril do ano passado pela IFPI e pela Associação da Indústria Cinematográfica (MPA, ligada à norte-americana MPAA, não pensa assim e coordenou uma série de operações em lan houses durante a primeira quinzena de Janeiro.
Num comunicado em inglês publicado ontem (via Écrans), a IFPI refere que ao todo foram cerca de 335 ataques em lan-houses localizadas no estado de São Paulo que envolveram cerca de 600 polícias e resultaram na apreensão de 2339 computadores que continham mais de um milhão de ficheiros “ilegais” de música, bem como na detenção de um suspeito.
O que nem a IFPI nem a APCM deixam bem explícito é se estas lan-houses comercializavam CDs e DVDs piratas ou se o material adquirido se referia a gravações em suportes virgem adquiridos pelos clientes de músicas descarregadas através de programas e sites de partilha de ficheiros. Mas mais uma vez meter contrafacção no mesmo saco de P2P dá muito jeito, não é?
Recentemente, a APCM divulgou que apreendeu mais de 36 milhões de CDs e DVDs (gravados e virgens) em todo o Brasil durante o ano de 2007 no âmbito de três mil operações anti-pirataria (mais 21,24% em relação a 2006). Números igualmente impressionantes são os relativos à apreensão de suportes de gravação: 2.261 gravadores de CDs, 15854 gravadores e 1191 periféricos informáticos.
O que impressiona neste rol de estatísticas é que os anti-piratas se esquecem que a pirataria é muitas vezes incentivada pelos próprios artistas, que sabem à partida que quando mais verem as suas músicas distribuídas mais pessoas irão atrair para os concertos. Essa é a face oculta da pirataria que a indústria não quer revelar porque se o fizer arrisca-se a perder a sua legitimidade e razão de ser.
Enquanto isso, a partilha de músicas digital continua imparável no Brasil, apesar do crescimento de 185 por cento nas vendas dos serviços pagos legais em 2007, segundo a ABPD (Associação Brasileira de Produtores de Discos). Segundo o relatório anual da IFPI, o número de downloads ilegais foi de 1,8 mil milhões em 2007. A mesma organização refere logo de seguida que o mercado da música desceu 50 por cento durante a primeira metade de 2007. Mas será mesmo que uma coisa tem a ver com a outra?
Nota: A imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC-ND 2.0 e foi tirada por Yasodara.
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