Empresário dos U2 culpa ISPs e Silicon Valley pela descida das vendas de música Publicado 29 Jan 08

“Quem é que ficou com o nosso dinheiro?”, perguntou ontem o empresário dos U2 no final de uma apresentação aplaudida por todos os executivos da indústria discográfica presentes durante a International Managers Summit, um ciclo de conferências no âmbito do MIDEM, em Cannes.
Falando em nome dos compositores, artistas e companhias discográficas que se viram privados das enormes receitas que estavam habituados devido à descida das vendas dos discos, Paul McGuinness acusou os ISPs e as operadoras de telecomunicações de beneficiarem do roubo em massa de música impunemente perpretado por milhões de fãs através de redes P2P. Foram os ISPs que, ao permitirem esta pirataria desenfreada, amealharam milhões de dólares em assinaturas de banda larga.
Mas na opinião de McGuinness, a culpa não recai única e exclusivamente nos operadores. Existe todo um conjunto de empresas de hardware e Internet como a Apple, Google, Microsoft, AOL, Yahoo e outras dotcoms sediadas no Silicon Valley californiano que “criaram indústrias no valor de vários milhares de milhões de dólares às custas dos nossos conteúdos sem pagar nada por ele.”
O manager daquela que é a banda mais rica do mundo acusa a mentalidade hippie e libertária dos empreendedores da indústria informática de incutir um desrespeito pelo valor da música na juventude:
Eles estão constantemente à procura da nova ‘killer application’. Mas eles esquecem-se convenientemente de que a verdadeira killer app em que muitos dos seus negócios se baseiam é a música registada em disco dos nossos clientes.
Acontece que McGuinness está farto de ser explorado e roubado e quer que os informáticos comecem “a tomar responsabilidade pela protecção da música que distribuem” e que “partilhem as suas receitas enormes com os fornecedores e proprietários de conteúdos por intermédio de acordos comerciais.”
As palavras mais agressivas são, no entanto, reservadas para os ISPs. Ao abrigo das provisões de neutralidade da rede concedidas pelos legisladores norte-americanos e europeus que as desresponsabilizaram pelos conteúdos que passam pelas suas redes, essas empresas pactuaram no roubo indiscriminado da propriedade intelectual dos detentores de conteúdos. Desta forma, eles comportaram-se como uma editora de revistas com anúncios a carros roubados que chega ao desplante de tratar do processamento dos pagamentos e das encomendas feitas a esses ladrões.
McGuinness acha que o argumento avançado pelos ISPs de que não podem nem devem controlar os conteúdos que circulam na sua rede - porque isso implicaria, além do mais, violar a privacidade dos seus clientes - são desculpas de mau pagador e exige que eles tomem medidas drásticas. Caso não o façam, cumprirá aos governos obrigá-los nesse sentido através da aprovação de leis semelhantes às sugeridas pelo acordo Olivennes em França que implicam a suspensão e até mesmo o corte do acesso dos utilizadores que forem apanhados a copiar, perdão, roubar os conteúdos de outrem.
Para além da repressão, ele avança com um possível modelo de parceria comercial entre ISPs e indústria de entretenimento: “Para mim, o modelo de negócio do futuro será aquele em que a música é incorporada à conta de um serviço de um ISP ou de outra subscrição e as receitas são partilhadas entre o distribuidor e os detentores de conteúdos.”
Então, mas isso não implica uma licença voluntária global implementada pelo governo? Não para o empresário da banda mais rica do mundo: se o governo deve actuar no sentido da repressão dos ladrões, ele não deve fixar um preço para a música, pois isso seria o mesmo que uma banda rock chefiar um governo. Deve ser o mercado a decidir. Não faz nenhum sentido com o que ele disse anteriormente, não é? Não importa. Na verdade, McGuinness apenas se limitou a reproduzir a cassete gasta da IFPI e da RIAA.
Aliás, todo o discurso dele está repleto de incoerências e mal-entendidos. No começo, ele tem mesmo a lata de dizer que os U2 arrecadaram 355 milhões de dólares com os concertos da Vertigo Tour de 2005/2006. E não foi só a banda de Bono e companhia que lucraram com o actual cenário do negócio da música: “Em todo o mundo, as pessoas estão a ir a mais concertos do que nunca. Para a audiência, a experiência nunca foi melhor do que agora (…) O negócio dos concertos é, na sua grande parte, saudável e lucrativo.” A receita para esse sucesso adianta-a ele próprio: “Um número maior de pessoas está a ouvir mais música do que nunca por intermédio de um número muito maior de media do que anteriormente.” Então porquê este azedume todo? Talvez McGuinness queira que os fãs de música sejam obrigados a roubar dinheiro para comprarem toda a música que descarregaram.
Nota: A imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-ND 2.0 e foi tirada por Matt McGee.
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“mentalidade hippie e libertária” afirmou o empressário dos U2. Como ele engordou e se esqueceu dos primórdios da banda. Como esses tempos lhe parecem tão antigos. Será Bono desta opinião? Isto vai contra tudo o k a banda representou durante muito tempo À minha custa em concertos e em discos os U2 já ganharam muito dinheiro mas a fonte vai secar. Nem mais um tusto.
Comentário de vitor em 29 Jan 08 18:26.Está a decorrer o 1º Super Bock Super Blog Awards, uma iniciativa que já conta com mais de 2.000 Blogs
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Comentário de …::: drigosantos.com :::… » Blog Archive » Empresário do U2 revoltado com Provedores e empresas da Internet! em 30 Jan 08 14:44.[...] ponto de vista de McGuinness não sofreu grandes mudanças desde o seu último discurso durante o MIDEM de Cannes em Janeiro passado. Na sua óptica, os ISPs continuam a abotoar-se com milhões de dólares graças a ligações [...]
Comentário de Empresário dos U2 chama ISPs de ladrões | Remixtures em 5 Jun 08 17:07.[...] U2 Paul McGuinness - quem haveria de ser senão o ludita preferido da indústria discográfica que não gosta da Internet e chama os ISPs de ladrões? - declarou ontem à estação de rádio britânica BBC 6 Music (via No [...]
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