
Os nossos vizinhos espanhóis gozam de uma posição invejável. A justiça deixa-os descarregar à vontade todo o tipo de conteúdos a partir da Internet desde que não haja qualquer intenção de obter lucro. Como se isso não bastasse, ainda têm o descaramento de reivindicar o fim do canon digital, a famosa taxa digital pelo direito à cópia privada dos discos adquiridos legalmente que todos os europeus – à excepção dos irlandeses e britânicos, que ainda não usufruem dessa “benesse” – pagam de cada vez que compram um CD ou DVD virgem ou um gravador de CD/DVD.
Nós por cá, tudo mal: para além de suportarmos uma oferta de banda larga ao nível de países em desenvolvimento, continuamos também a correr o risco – ainda que mínimo – de levar com uma queixa-crime em cima sempre que descarregamos um disco que seja do Rapidshare ou de um site de torrents.
Com um ambiente legal e tecnológico tão vantajoso e progressista não admira que os espanhóis sejam os réis dos downloads ilegais, de acordo com dados da Sociedade General de Autores e Editores (SGAE) citados pela EFE que indicam que nos últimos cinco anos o número de downloads “ilegais” de música aumentou 566 por cento e que no ano de 2007 se descarregaram mais de 1,2 mil milhões de músicas – o que representa um crescimento de 50 por cento face aos 800 milhões registados em 2006.
Segundo o estudo apresentado pelo Departamento de Reprodução Mecânica da SGAE durante uma conferência de imprensa no MIDEM de Cannes de um total de 180 milhões de downloads ilegais contabilizados em 2003 a Espanha passou para 1,2 mil milhões no ano passado.
Outra pesquisa sobre o consumo de media na Europa da responsabilidade da Associação Europeia de Publicidade Interactiva (EIAA) revela que 58 por cento dos utilizadores espanhóis de Internet “sacaram” discos da Rede em 2006 face a uma média europeia de 37 por cento. Estes números são bastante superiores aos de um estudo da Jupiter Research citado pela IFPI no seu recente relatório sobre o sector da música digital que indicavam que “apenas” 35 por cento dos internautas espanhóis copiam discos da Internet e deixam empalidecer os resultados de um outro relatório do Ministério da Cultura que indicava que somente 13 por cento de “nuestros hermanos” faziam downloads ilegais.
Com isto tudo não admira que apenas três em cada 100 espanhóis compre música em serviços online comerciais. A esmagadora maioria – 93% – prefere recorrer, está claro, à música grátis via P2P. Mesmo assim, uma pequena minoria concilia ambas as fórmulas.
Segundo a SGAE, os downloads ilegais tornaram-se já uma prática habitual para os cidadãos, ficando apenas atrás do correio electrónico, da navegação via Web e do instant messaging. A indústria discográfica é que não está lá muito contente com este novo passatempo nacional: de acordo com a Promusicae, a associação de produtores de música, as vendas de discos desceram no ano passado pela sexta vez consecutiva, tendo-se registado uma quebra de 22,7 por cento.
Em suma: se os portugueses querem músicas e filmes “à pala” com velocidades estonteantes e sem limites ignóbeis o melhor que têm a fazer é ir para Espanha.
Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC-SA 2.0 e pertence a imamon
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“para além de suportarmos uma oferta de banda larga ao nível de países em desenvolvimento”
Errado!
Wilson,
posso ter exagerado um bocado mas olhe que a nível de limites não existe comparação com o resto da Europa
PODE HAVER muita velocidade de internet mas e so no papel quase ninguem tem 24mb reais e a gente so atinge os 4 ou menos…
Gostei muito do seu site…Tem noticias muito interessantes.
Já adicionei aos meus favoritos.