
Já ouviram falar em Vanguart? Terminal Guadalupe? Hurtmold? Violins? Bem, creio que tudo fica mais fácil se eu falar em Nação Zumbi. Pois é, tratam-se tudo de nomes de bandas brasileiras, na sua grande maioria em início de carreira – cheias de talento e que lançaram no ano passado álbuns de qualidade.
Tão bons que acabaram todos por constar entre os dez primeiros lugares dos 50 melhores álbuns de 2007 publicada na revista Scream & Yell com base nas preferências de um juri composto por 91 membros, entre bloggers (como Alexandre Inagaki, Alexandre Matias e Viviane Menezes do Coquetel Molotov), jornalistas (da Folha de S. Paulo, Rolling Stone Brasil, MTV, Veja, iG Música, etc.), produtores, escritores, promotores de eventos e músicos.
Outro dado interessante que o Carlos Freitas salienta no Submúsica é que dos 50 discos mais votados quase metade – isto é, 23 discos – são de bandas ou artistas brasileiros. Como ele diz, “há algo brasileiro no ar, com cheiro de novidade. É tempo de mudança.”
Que o Brasil tem um cenário musical com uma pujança e um dinamismo que apenas pode ser comparado a um número muito restrito de países em todos o mundo, já toda a gente sabia. Logo, a preponderância dos nomes nacionais numa lista como esta não é muito surpreendente. Mas e aí, podem perguntar, onde é que estão as outras bandas brasileiras com que toda a blogosfera e as publicações online anglo-saxónicas nos matraquearam constantemente ao longo de 2007? Um exemplo, Bonde do Rolê, 12ª posição. Outro exemplo: Gui Boratto, 26ª posição. Amon Tobin nem sequer aparece.
Não posso indicar com certeza, mas talvez haja algo em especial que justifica esta desvalorização dos nomes internacionalmente mais badalados pelos críticos nacionais. Essas bandas novas surgem nos lugares cimeiros muito provavelmente porque firmaram o seu nome no circuito nacional de concertos, actuando um pouco por todo o país.
É claro que o MySpace, os blogs de MP3 e outros meios descentralizados de promoção de música também devem ter contribuído em muito para esse domínio avassalador, como o Carlos Freitas refere. Até porque muitas dessas bandas não são originárias das duas grandes metrópoles Rio de Janeiro e São Paulo. E daí deixo a ideia: porque não trazer algumas dessas bandas cá a Portugal?
Uma última nota: mesmo sendo o Brasil uma potência mundial da música, desejava que fosse possível ver mais nomes portugueses posicionados ombro-a-ombro nas listas dos melhores de fim de ano dos bloggers e críticos de música portugueses. Sei que isso não deve absolutamente ser ordenado por decreto e que depende de uma série de mudanças sociais, culturais, económicas e de mentalidades, mas é uma aspiração. A culpa não é nem dos críticos, nem dos músicos, nem dos consumidores de música. É de todos nós e da forma como a sociedade valoriza a música.
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