
Ontem em Cannes, durante a conferência de imprensa de apresentação do QTrax que contou com estrelas como James Blunt, Don Henley dos Eagles e LL Cool J, a empresa garantiu que o seu serviço legal e grátis de P2P financiado por publicidade contava com o apoio de todas as quatro grandes editoras discográficas.
Hoje ficou-se a saber que afinal não era bem assim, que houve algum exagero por parte dos responsáveis pelo serviço: tanto a Universal Music, como a Warner Music, a EMI e a Sony BMG não estabeleceram até agora acordos de licenciamento com o QTrax, embora estejam em curso negociações.
Para o director executivo da QTrax Allan Klepfisz isso não quer dizer que haja qualquer motivo para alarme: “Isto é uma tempestada numa chávena de chá. É verdade que alguns dos acordos podem não ter sido fixados em tinta mas também é verdade que tínhamos a compreensão (das editoras) e até mesmo, em alguns casos, de apoios.”
Tudo indica que a empresa tenha de facto numa determinada altura obtido acordos de licenciamento com as editoras, mas acontece que devido aos atrasos ou ao facto de se referirem a um modelo anterior ao do serviço os termos desses acordos já expiraram. O QTrax tem vindo a ser planeado desde 2002, altura em que deixou de ser um serviço ilegal de P2P no sentido de legitimar o seu modelo de negócio.

Por falar em atrasos, ao contrário do que estava previsto ainda não é possível descarregar a aplicação que irá permitir pesquisar, descarregar e ouvir as tais 25 milhões de músicas ontem prometidas. Mas segundo indica o Idolator, o site já se encontra disponível a partir do endereço music.qtrax.com e inclui mesmo álbuns das editoras que declararam não ter firmado nenhum acordo com a QTrax. Mas parece que ainda não dá para descarregar.
Seja como for, a experiência do QTrax revelou ser até agora o maior fiasco da Música 2.0. Esta vai ficar para a história como uma lição de como não se deve lançar um serviço de música grátis. Ainda para mais porque a empresa gastou perto de 700 mil euros só para encher aquela apresentação de vedetas. Se tiverem mais novidades sobre o serviço, deixem aí nos comentários. Aliás, gostaria mesmo que deixassem a vossa opinião sobre esta história toda.
Actualização (21h30m): quem quiser, pode tentar fazer o registo no QTrax aqui (aviso já que Portugal não faz parte da lista das opções de países à escolha) ou descarregar o programa aqui. A aplicação tem um tamanho de 9,4 Mbytes e consiste basicamente de uma versão do Songbird com a extensão de reprodução do Windows Media. Quanto aos acordos de licenciamento, a Slyck confirma que a EMI Music Publishing , a divisão da EMI responsável pelo catálogo de composições – possui um acordo de distribuição com a QTrax. Ao menos uma, mas quantas faltam?
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É uma pena.. Mesmo com DRM, podia ser o princípio de uma mudança de mentalidade por parte das majors..
Foi um grande balde d’água fria pra mim. Estava mesmo empolgado com a possibilidade de ouvir todas aquelas músicas e, mais ainda, por saber que o artista receberia por isso. Eles não podia ter sido tão precipitados.
Pelo visto colocaram a carreta na frente dos bois.
Espero que isso não acabe com a idéia que é muito boa.