Depois de um atraso de três meses em relação à data inicialmente prevista parece que é desta que o QTrax será lançado. Aquele cujos responsáveis afirmam ser o primeiro serviço grátis e legal de P2P especializado na partilha de música deverá abrir as portas amanhã, às cinco horas da madrugada de Lisboa.

Mas o mais provável é que Portugal não faça parte da lista dos países "privilegiados" em que poderá ser possível aceder e utilizar o serviço que contará de início com um catálogo de 25 milhões de faixas – cinco vezes mais do que os cerca de cinco milhões disponibilizados pelo iTunes.
Segundo o International Herald Tribune – que cita o que o director executivo da QTrax Allan Klepfisz referiu hoje numa conferência de imprensa no MIDEM de Cannes – ele apenas será lançado nos Estados Unidos, Canadá e outros sete países adicionais que não foram especificados.
O modelo de negócio será baseado em publicidade. Para se poder pesquisar descarregar e reproduzir as faixas que pretendemos, será necessário instalar uma aplicação proprietária baseada no código fonte do navegador da Web/leitor de música Songbird. Esse programa irá também disponibilizar o acesso a sites com conteúdos relativos aos artistas em questão como vídeos, toques de telemóveis, letras, capas e notícias.
Segundo o Silicon Alley Insider, será preciso instalar obrigatoriamente esta aplicação porque é aí que os anúncios serão exibidos. Para convencer as quatro grandes editoras discográficas (Universal Music, Sony BMG, Warner Music e EMI) a licenciarem o seu catálogo, a Qtrax consentiu em dar cerca de dois terços por cada dólar que gerar com as receitas de publicidade às majors. McDonald’s, Nintendo, Samsung e o canal televisivo de desporto ESPN são alguns dos anunciantes que já assinaram com a companhia.
E, estava-se mesmo a ver, é claro que as músicas serão disponibilizadas num formato com DRM, o Windows Media da Microsoft. Em teoria, isto implica desde logo uma série de restrições – impossibilidade de gravar as faixas para um CD, etc. – mas a QTrax não especificou até ao momento que tipo de limitações é que o seu serviço irá ter.
Contudo, Klepfisz refere que serão também possíveis outros sistemas de DRM. Segundo ele, não se trata de uma questão de restringir o número de vezes que uma faixa pode ser reproduzida mas sim de contabilizar o número de reproduções de modo a que os detentores de direitos e os anunciantes sejam recompensados. Yeah, right…
Os utilzadores de Macs que ainda estiverem interessados no serviço terão que esperar até 18 de Março, dia em que deverá ser lançada uma versão compatível com o sistema operativo dos computadores da Apple. Até lá só Windows Vista e XP. Quem tem um iPod terá também que aguardar até 15 de Abril, altura em que a empresa irá disponibilizar uma "solução" compatível com o leitor de música digital mais usado do mundo.
Quanto à extraordinária oferta das 25 milhões de músicas, convém explicar que esse número é apenas uma estimativa de todos os títulos disponíveis para partilha na rede Gnutella que são muito mais do que os lançamentos comerciais licenciados pelas editoras. Para complicar mais as coisas, a empresa criou um sistema de três listas divididas de acordo com a possibilidade de identificar e remunerar os detentores de direitos.
Agora é esperar para ver. Mas confesso que as minhas expectativas não são nada elevadas. P2P por P2P os fãs de música irão continuar a preferir aquela oferta que não traz restrições, não lhe impinge publicidade e não o obriga a gastar a sua largura de banda.
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