
A indústria discográfica já se apercebeu que tentar restringir a liberdade de utilização dos seus conteúdos pelos utilizadores é contraproducente e inútil e daí que a tendência de vender música sem DRM tenha agora chegado aos telemóveis. Depois de ter sido a primeira grande editora discográfica a comercializar downloads de temas no seu catálogo sem medidas de protecção tecnológicas, a EMI deverá ser também a primeira major a estrear-se na venda de músicas sem DRM nos dispositivos móveis graças a uma parceria com a Jamba anunciada esta terça-feira durante o Mobile World Congress de Barcelona.
A fornecedora de conteúdos móveis com sede em Berlim resultante de uma joint-venture entre a News Corp. e a VeriSign irá disponibilizar dentro em breve no continente europeu uma oferta de downloads de mais de 1,5 milhões de músicas sem DRM para telemóveis. Depois da Europa, seguir-se-ão Médio Oriente e África. De momento, ainda não se sabe quando é que esta oferta irá estar disponível nem o preço final das músicas.
As músicas poderão ser adquiridas a partir do serviço móvel Jamba Music ou do portal online Jamster. Para além de vender temas individuais, a Jamba também funciona como um serviço de aluguer de música – tanto via terminais móveis como Web.
Comentando o acordo, as duas empresas consideram que se tratam do primeiro a abranger em simultâneo descarregamentos online através da Web e por intermédio de redes móveis. Até agora, o Jamba fornecia ficheiros no formato WMA para PC e AAC para telemóveis. Mas a partir daqui, os utilizadores vão poder adquirir na sua loja temas em formato MP3 para o PC e formato AAC+ para telemóveis.
Ainda a respeito das DRMs, a Jamba parece não ser a única fornecedora de conteúdos que chegou à conclusão que esse tipo de restrições também não faz sentido nos descarregamentos para celulares. Num painel organizado no âmbito do mesmo Congresso, o vice-presidente da RealNetworks Larry Moores exortou as editoras a disponibilizarem mais música móvel sem DRM (via Billboard):
A DRM continua a ser importante nos modelos de subscrição mas a questão é que quando compramos uma faixa individual à Verizon ou à Vodafone é bastante difícil conseguir ouvi-la noutro dispositivo qualquer. Se queremos usufruir totalmente da experiência [dessa faixa] temos que a comprar três vezes. Bem, o mercado já rejeitou [isso] quando passou a descarregá-la ilegalmente.
Belas palavras, mas será que alguém com responsabilidades nas outras três grandes editoras as irá ouvir?
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