Ainda durante o Mobile World Congress de Barcelona que tem gerado muito buzz ao longo desta última semana, o fundador dos Black Eyed Peas teve uma intervenção que deve ter batido forte nas cabeças de muitos executivos das maiores gravadoras. Segundo Wll.i.am, a indústria de tecnologias móveis serão as responsáveis pela próxima geração de super-estrelas da música Pop.
Para utilizar as palavras dele citadas pela Billboard, “a indústria do disco assemelha-se a uma avozinha – e os artistas de amanhã necessitam de fazer acordos com as suas netas.” Estas netas, na opinião do artista, são as operadoras móveis, aquelas que irão produzir os Michael Jacksons e as Madonnas do futuro.
Criticando o acordo recentemente celebrado entre Timbaland e a Verizon para o lançamento de um álbum exclusivo de originais em moldes semelhantes ao de uma série televisiva, Will.i.am refere: “A parceria entre Timbaland e a Verizon é boa mas como é que ficam as pessoas que não estão ligadas à Verizon? Os músicos são tão importantes como os jogadores de futebol ou de basquete mas nós não temos uma bola. Nós precisamos da nossa própria bola.”
Em alternativas aos contratos com operadoras que fazem com que o artista fique limitados aos seus clientes Will.i.am propõe algo como isto: “Podemos facilmente imaginar a Nokia ou a Sony Ericsson vir ter com um artista e dizer ‘Dá-nos 16 canções em exclusivo para os nossos terminais e nós damos-te um prémio por cada telemóvel vendido.”
Agora, eu não sou – nem de longe, nem de perto – um fã dos Black Eyed Peas, muito pelo contrário. Mas tenho que reconhecer que se há uma qualidade que Will.i.am tem é jeito para o negócio – ele sabe ver como poucos na música Pop para onde é que o dinheiro vai. E cheira-me que o que ele disse não andará muito longe da verdade.
Quer se queira, quer não, o lançamento do iPhone no Verão do ano passado marcou uma viragem na história das tecnologias móveis. Graças ao gadget da Apple, bem como a outros modelos recentes da Nokia, os telemóveis deixaram de ser meros modelos desengonçados com interfaces retrógados. De repente, até já se pode navegar na Web com um ecrã com dimensões e qualidade de imagem razoáveis e ouvir música online via Wifi. Tal como Will.i.am, Steve Jobs também sabe como ninguém para onde o dinheiro vai. E se ele apostou tudo nos telemóveis, então 2008 será com certeza o ano dos conteúdos móveis.
Devido à sua portabilidade, a música será sem dúvida a primeira killer aplication dos dispositivos móveis da próxima geração. Daí que não se admirem que dentro de dois ou três anos empresas como a Nokia, Sony Ericsson e LG comecem a apadrinhar com regularidade lançamentos de grandes e novas estrelas do Pop e do Rock. O pior vai ser depois quando os consumidores forem obrigados a comprarem modelos de diferentes marcas só para terem acesso antecipado aos novos álbuns dos seus artistas favoritos.
Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC-SA 2.0 e pertence a Steve Dinn.
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