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Modelo de música ao preço do freguês não funciona com CDs Publicado 13 Fev 08

inspirada nos recentes projectos dos Radiohead e de Trent Reznor/Saul Williams, a experiência era para ser do tipo “escolhe um CD, decide o preço” mas acabou por ser algo como “escolhe um CD e paga zero”. A ideia da editora independente 2nd Rec até era bem pensada, o problema é que provavelmente era demasiado generosa.

A 6 de Novembro passado os responsáveis por esta etiqueta baseada na cidade alemã de Hamburgo lançaram uma oferta especial mediante a qual qualquer pessoa residente na Alemanha poderia escolher um de entre nove CDs do seu fundo de catálogo. A editora faria então o favor de enviar esse disco por correio sem qualquer encargo adicional - embora incluísse uma carta elencando as despesas que a gravação, impressão e distribuição daquele álbum exigiu. Depois de ouvirem o disco, os fãs de música poderiam pagar o preço que achassem justo

Apesar da adesão por parte do público ter sido enorme - em poucos dias foram atingidas cerca de 500 encomendas - e da reacção junto de blogs, revistas e até mesmo rádios ter sido igualmente bastante positiva, os resultados finais não foram lá muito positivos. De acordo com os dados da editora recolhidos até 11 de Fevereiro:

481 CDs foram enviados (4 encomendas foram devolvidas porque nunca chegaram a ser entregues).

127 pessoas pagaram, o que significa que:

26,62% optaram por pagar

O preço médio pago por essas 127 pessoas foi de:

8,87 euros nos álbuns de longa duração

7,95 euros pelo EP de cinco faixas de Amanda Rogers

Embora estas médias possam não parecer muito más, o mesmo não se passa com este número:

0,74 euros

Esta é o preço médio desembolsado por cada um dos 481 CDs que enviámos, depois de subtraídas as despesas de envio. Setenta e quatro cêntimos.

Então talvez as pessoas não gostaram dos CDs, poderão alguns pensar. Talvez 3/4 não pagaram porque pensavam que o disco não prestava. Isso explicaria a baixa taxa de conversão.

Mas no seguimento do envio dos CDs fizemos um pequeno inquérito onde perguntámos o quanto gostaram do CD que receberam (para escala de classificação usámos as notas do sistema de ensino alemão, de 1 a 6, sendo 6 a melhor):

19,40% atribuíram 1, 44,72% classificaram um disco com um 2 (a nota média foi de 2,39), o que significa que 64% consideraram o álbum bom ou muito bom. E no entanto muitas dessas pessoas decidiram não pagar nada pelo CD.

Na mesma entrada, Johannes da 2nd Rec diz que a experiência deixou um travo amargo de decepção, tendo em conta os emails e os comentários de incentivo que a editora recebeu que contrastam totalmente com o comportamento final dos participantes na iniciativa.

A lição que há a tirar desta experiência é que não se pode ser demasiado ingénuo. O modelo “escolhe um CD, decide o preço” até pode dar resultado caso o utilizador apenas receba o disco depois de ter efectuado o pagamento da quantia que acha justa e após ter tido a possibilidade de ouvir pelo menos uma ou duas faixas completas do álbum que irá receber. Neste caso, a partir do momento em que recebeu o disco não havia qualquer incentivo para ele pagar.

Para além do mais, é preciso não esquecer a diferença entre uma obra em suporte digital - cujos custos marginais de reprodução são quase inexistentes uma vez que cada cópia efectuada não exige mais custos adicionais senão a largura de banda e o armazenamento online - e uma obra num suporte físico como o CD em que cada cópia adicional exige custos adicionais significativos - como a impressão e as despesas de envio.

(via Phlow)

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