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O futuro imperfeito da música móvel Publicado 10 Fev 08

A indústria discográfica continua a acreditar que os downloads de música para telemóveis são a solução para os downloads ilegais e, pelo caminho, de grande parte dos seus problemas, incluindo a descida das vendas de CDs e o lento crescimento dos descarregamentos online legais.

De acordo com o relatório anual da Federação Internacional da Indústria Discográfica (IFPI), as vendas de descarregamentos móveis de músicas subiram para o dobro no último ano: de seis por cento do total das vendas digitais no primeiro semestre de 2006 para 12 por cento no mesmo período de 2007. Mesmo assim, o peso representativo deste suporte ainda é muito diminuto e os estudos comprovam que a maioria dos utilizadores prefere copiar os ficheiros do seu PC para o celular. 

Mas se os telemóveis são de facto o futuro do negócio da música, coloca-se a possibilidade das operadoras de telecomunicações poderem vir a substituir as tradicionais editoras discográficas no papel de intermediários na distribuição das obras.

Dito e feito: o famoso produtor de Hip-Hop e R&B Timbaland acaba de anunciar uma parceria com a Verizon Wireless para o lançamento de um novo “álbum móvel” que será distribuído em exclusivo nos Estados Unidos aos assinantes do serviço de entretenimento V Cast daquela operadora, segundo informa a Billboard.

O responsável por êxitos de Nelly Furtado, Justin TImberlake e outras estrelas irá lançar um tema original por mês. Cada música será gravada por Timbaland em colaboração com um artista diferente num estúdio móvel instalado num autocarro da Verizon que irá andar em digressão pelos Estados Unidos. Dias depois, os clientes da operadora poderão descarregar os temas por um preço de 1,99 dólares, podendo optar por entre downloads completos, ringtones e ringbacks. Como bónus, terão direito a receber uma cópia do ficheiro para o PC. No final deste período, será lançado uma compilação com o formato de álbum

Em termos contratuais, durante os 12 meses do acordo com a Verizon - que inclui patrocínio e concertos ao vivo - Timbaland irá apenas suspender o contrato que o mantém ligado à Interscope.

Fabricantes de telemóveis serão as novas editoras de música?

Em alternativa às operadoras, num futuro próximo os artistas também se poderão aliar às próprias fabricantes de telemóveis. É que estas também não querem ficar de fora do grande jogo milionário da música móvel - isto é, se ele alguma vez se concretizar… Um sinal evidente disso é a recente criação de Conselho Consultivo de Artistas pela Nokia que será presidido pelo ex-Eurythmics Dave Stewart.

O objectivo oficial deste organismo é estabelecer a ponte entre os artistas e a fabricante finlandesa. O Conselho funcionará na dependência da recém-formada divisão de negócios para o Entretenimento e Comunidades liderada por Tero Ojanpera, vice-presidente executivo da Nokia. Nas palavras de Dave Stewart:

O meu primeiro projecto com a Nokia será partilhar a minha experiência enquanto músico, compositor e produtor de modo a ajudar as nossas indústria a avançarem em conjunto (…) Este será também um fórum formidável para os artistas participantes explorarem como a tecnologia está a ser aproveitada para ajudar a apoiar as causas que lhes dizem muito.

A ideia da Nokia de incluir a perspectiva nos artistas nos “novos modelos de negócio para a distribuição de conteúdos” é bem intencionada. Mas talvez fosse também importante ouvir as queixas e necessidades dos consumidores. E uma das principais críticas que estes fazem aos fabricantes e operadoras de telemóveis é a falta de interoperabilidade entre os diversos formatos e dispositivos.

Comprar música em telemóveis: uma experiência decepcionante

Contudo, os players da indústria continuam a fazer-se de cegos e mudos face às inúmeras restrições impostas pelo ecossistema fechado que eles foram montando ao longo dos últimos anos e que, tal como os “jardins murados”, consideram impenetrável. Os passos inúteis e as burocracias que o processo de descarregar legalmente uma música para um telemóvel é bem evidenciado num artigado da coluna Technophile do suplemento de Tecnologia do The Guardian.

Depois de demorar alguns minutos a pesquisar por um vídeo de Britney Spears no novo serviço da Vodafone britânica, o jornalista lá acabou por encontrar um mas a decepção de descobrir uma “formiga reluzente” em lugar da estrela Pop foi demais. Charles Artur descreve em seguida como teve que ultrapassar uma bateria de opções para comprar uma música de Kanye West, tendo sido ainda obrigado a validar o download antes de poder ouvir a faixa. E apesar da razoável qualidade sonora é claro que é impossível reproduzir os ficheiros para outro dispositivo que não aquele em que foi efectuada a transacção. A culpa é a ínfame Gestão Digital de Direitos ou DRM.

Como comenta o No Rock And Roll Fun,  encarar o sector da música móvel como algo separado da Internet é como acreditar na possibilidade de um mercado para a música nos computadores portáteis que possa ser protegido de tudo o resto. A verdade é que “o futuro do sector móvel será essencialmente aquilo que já temos hoje na Internet só que em ecrãs de menor dimensão e não um glorioso ‘jardim murado’ onde um álbum irá valer 15 libras (20 euros)”. E a melhor prova disso é a integração de suporte WiFi e Bluetooth na maioria dos novos telemóveis.

Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC-ND 2.0 e pertence a svanes

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Algumas respostas a “O futuro imperfeito da música móvel” :

  1. [...] O futuro imperfeito da música móvel [...]

    Comentário de Ouvir música no telemóvel é com os chineses, pagar por ela é que não | Remixtures em 11 Fev 08 22:29.
  2. [...] o acordo recentemente celebrado entre Timbaland e a Verizon para o lançamento de um álbum exclusivo de originais em moldes semelhantes ao de uma série [...]

    Comentário de "Fabricantes de telemóveis vão substituir editoras discográficas", diz Will.i.am | Remixtures em 14 Fev 08 23:03.
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