O valor do MySpace como rede social de promoção de música

by Miguel Caetano on 6 de Fevereiro de 2008

MySpace.com: um local para a música?

Ontem o MySpace abriu a sua plataforma de desenvolvimento. Isto é uma boa notícia não só para programadores mas também para músicos, bandas, fãs de música e claro… “marketeiros”. Significa que a partir de agora será possível ter acesso a um muito maior número de aplicações e widgets que poderão servir para promover todo o tipo de marcas, entre as quais bandas e artistas.

O que é mais interessante é que uma vez que a Developer API do MySpace emprega o padrão OpenSocial do Google, as aplicações desenvolvidas – e às quais os utilizadores terão acesso já a partir de Março – serão compatíveis com uma série de outras redes sociais – excepto o Facebook, o maior concorrente do MySpace e um sério obstáculo ao Google. Uma das razões para o sucesso do Facebook ao longo do último ano foi o facto de ter aberto a sua API a terceiros. Daí a existência de centenas de aplicações e widgets apenas para esta plataforma, apesar de funcionar como uma espécie de “jardim murado” ou condomínio fechado inacessível aos estranhos.

Só que agora uma banda ou um músico poderá actualizar automaticamente as suas páginas no MySpace no mesmo instante que actualizar o seu site ou página no Hi5 e Orkut. Isto é um pouco o que serviços de sincronização de contas como o Artist Data Systems já oferecem só que de uma forma muito mais simplificada.

Do mesmo modo que no mercado da música muitas editoras já começam a olhar a sério para os widgets como ferramenta promocional ou mesmo de venda de música, também há quem já afirme que as redes sociais como o Imeem que oferecem o streaming grátis de música e partilham as receitas da publicidade com as editoras poderão salvar a indústria da música.

A popularidade no MySpace como indicador de sucesso

Se é verdade que nos últimos anos surgiu uma panóplia de redes sociais especializadas na promoção de música, a popularidade de uma banda ou músico no MySpace – isto é, o número de “amigos” e o número de plays de músicas – continua a ser “o” indicador de um sucesso musical futuro para muitas editoras e bandas ingénuas. Não estranha por isso que surjam empresas prometendo “negócios da china” baseados em truques fraudulentos que asseguram 430 mil plays durante um mês pela módica quantia de 1200 dólares.

O que quem cai nesse tipo de esparrela desconhece é que um número artificial de plays ou de “amigos” falsos não é sinónimo de boas vendas. O rapper Ghostface Killah que o diga: 115 mil “amigos” na sua página no MySpace e apenas 30 mil discos vendidos do seu novo álbum na primeira semana.

“Quais são as estatísticas que comprovam as correlações entre o número de amigos e as vendas online para novas bandas em ascensão?”, pergunta então David Jennings no Net, Blogs and Rock and Roll. Jennings acha que alguém deve estar a recolher este tipo de dados mas o que acontece é que eles não estão livremente disponíveis na Web. Esta falta de transparência fez com que emergisse essa mini-indústria parasítica especializada em aumentar artificialmente a popularidade de uma banda ou músico. Mas enquanto a indústria da música e as redes sociais não colaborarem no sentido de apresentarem indicadores credíveis, essa charlatanice não irá parar tão cedo.

Uma vez que não existe nenhuma “bala mágica” capaz de resolver por enquanto esta indefinição e que as estatísticas em bruto fornecidas por empresas como a Compete e a Quantcast relativas às redes sociais mais populares para a promoção de música ainda são escassas e pouco fidedignas -, o melhor a fazer será mesmo apostar no maior número possível de redes sociais.

Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC-SA 2.0 e pertence a baratunde.

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