QTrax já abriu… mas só tem o catálogo de uma indie falida

by Miguel Caetano on 29 de Fevereiro de 2008

QTrax

Depois do fiasco do não-lançamento do Qtrax, o serviço de P2P legal e grátis que prometia downloads à borla de mais de 25 milhões de músicas, a sua empresa-mãe Briliant Technologies garantiu que a plataforma online iria dentro em breve permitir efectuar os tais descarregamentos.

E, com efeito, desde ontem que já é possível “sacar” algumas músicas do QTrax, pelo menos para os utilizadores residentes num dos cerca de 20 países em que o serviço aceita o registo. Como já devem adivinhar, Portugal não se encontra nessa lista. Desta vez, os nosso irmãos brasileiros tiveram mais sorte.

Mas nem tanto assim, dado que as faixas que se encontram neste momento no QTrax pertencem todas a bandas que constam do catálogo da TVT Records, uma editora independente nova iorquina – chegou inclusive a publicar discos dos Nine Inch Nails – que curiosamente abriu recentemente falência.

A disponibilização de músicas de bandas como New Years Day, Sevendust, Lil John, The Holloways, The Cinematics, The Kicks e Bobaflex no QTrax resulta de um acordo com a TVT Records assinado há dois anos atrás, como confirmou o presidente desta etiqueta indie Steve Gottleib ao Listening Post.

Ainda a propósito do QTrax, uma das presenças no Digital Music Forum East esta quarta-feira em Nova Iorque foi Allan Klepfisz, o director executivo da companhia, que aproveitou para tentar criar pelo menos uma parte do buzz gerado com a apresentação multimilionária do serviço durante o MIDEM de Cannes, no final de Janeiro.

Segundo os seus números, o navegador personalizado do QTrax – baseado no Songbird – foi descarregado por mais de 500 mil pessoas; dois depois do semi-lançamento do serviço, o site chegou a ser o 742º mais visitado em todo o mundo. É claro que logo depois – quando se ficou a saber que praticamente nenhuma das majors tinha assinado um acordo com o Qtrax – veio o apocalipse.

Segundo o executivo, os grandes culpados foram os media,que apenas contribuíram para espalhar um grande mal-entendido. O Qtrax tinha o apoio das editoras; só não tinha era nenhum acordo. Os jornalistas e os bloggers é que deitaram tudo a perder ;-)  

“Mas o QTrax vai voltar a sério, vocês vão ver!”, proclama Klepfisz. O problema é que mesmo que a empresa embrulhe toda a janela do software com anúncios – já falta pouco… -, o dinheiro gerado pela publicidade nunca será suficiente para pagar as licenças exigidas pelas grandes editoras. Ele próprio o admitiu, acrescentando que será necessário recorrer a outras “oportunidades” como venda de bilhetes para concertos e merchandising.

No final, a oferta do QTrax não parece nada cativante para o utilizador que já se habituou a descarregar ilegalmente música grátis. Não só por causa dos ficheiros WMA “protegidos” com DRM, ou de ser impossível transferir as músicas para um iPod ou mesmo de ser obrigado a visitar regularmente o site para renovar as licenças de utilização das músicas mas por tudo isso junto. É muito empecilho junto.

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