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Apple poderá vir a ser processada pela sua nova oferta de downloads ilimitados Publicado 21 Mar 08

Apple debaixo d'olho

A estória desta semana no mundo da música digital foi definitivamente o rumor de que a Apple estaria a negociar com as quatro grandes editoras discográficas uma oferta de acesso ilimitado a todas as músicas do iTunes na compra de um iPhone ou um iPod. Os contornos deste plano são pouco conhecidos, mas na essência trata-se da mesma ideia por detrás do conceito Total Music que a Universal Music estaria supostamente a tentar vender às outras três majors desde há alguns meses.

A estratégia passaria por fazer com que as fabricantes de hardware e operadoras de telemóveis absorvam parte do custo da música, tendo o utilizador apenas que pagar alguns euros por mês mediante a aquisição de um telemóvel ou leitor de música digital para ter acesso a toda a música que queira. Até ao momento, a Universal Music já conseguiu estabelecer um acordo com a Nokia. No segundo semestre deste ano, a fabricante finlandesa deverá lançar finalmente o seu Nokia Comes With Music.

O que estragou o arranjinho da Universal Music foi que o Departamento de Justiça (DoJ) dos Estados Unidos se apercebeu do que se estava a passar e soou o alarme de que o Total Music poderia representar uma tentativa ilegal de fixação de preços, logo, abuso de posição dominante.

Eis senão que, pouco tempo depois dos rumores sob a nova oferta da Apple, a eMusic veio a público criticar a tal hipotética oferta da Apple, dizendo mesmo que a iniciativa poderá acarretar inúmeros processos antitrust à empresa, quer nos EUA, quer na Europa.

Segundo David Pakman, director executivo da loja de música online, a lógica da Apple de “atar” os compradores de iPods ao serviço do iTunes pode ser equiparada às práticas monopolistas da Microsoft de “atar” os utilizadores do Windows ao Internet Explorer e ao Windows Media Player. De acordo com Pakman, foi isto que levou à queda da Netscape. Neste caso, a eMusic funcionaria como a nova Netscape, embora a sua quota de mercado actual de 15 por cento esteja bastante abaixo daquela empresa por volta dos finais do século XX-início do século XXI.

Na verdade, talvez a empresa que veja a sua posição mais ameaçada com a oferta de downloads ilimitados da Apple seja a Amazon, que nos últimos meses conseguiu um enorme sucesso com a sua loja de MP3. Além disso, as críticas de Pakman não fazem tanto sentido se tivermos em conta o serviço semelhante que a Nokia se encontra a negociar com as majors. Qual a diferença entre o mercado de telemóveis e os de leitores de música se tivermos em conta que um número significativo de pessoas já ouve música no telemóvel? Em suma, a culpa recai nas grandes editoras e não tanto na Nokia ou na Apple. Ninguém é obrigado a comprar um telemóvel ou um iPod já “carregado” de música…

Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC-ND 2.0 e pertence a jaho.

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