Canal holandês da MTV decide programação com base nos Tops do P2P Publicado 15 Mar 08

Já se sabia que algumas rádios norte-americanas recorriam aos Tops das músicas preferidas pelos utilizadores de redes de partilha de ficheiros para estabelecer as suas playlists, mas agora ficou-se a saber que a MTV também faz o mesmo. Para ser correcto, não é bem a própria MTV mas sim a versão holandesa do canal The Music Factory (TMF), detido pela MTV Networks, que por sua vez pertence ao conglomerado multimédia Viacom.
De acordo com o site holandês WebWereld (via TorrentFreak), o TMF passou recentemente a subscrever o serviço de monitorização das redes P2P da empresa Gfk benelux. O canal de televisão pretende usar os dados recolhidos do eMule, eDonkey, Overnet e BitTorrent para adaptar a sua programação às preferências dos seus ouvintes e identificar tendências na evolução dos gostos.
A intenção inicial dos responsáveis do TMF era incorporar os números relativos aos downloads das redes de partilha de ficheiros na sua tabela semanal mas dadas as críticas levantadas pela direcção foi forçada a retroceder dadas as críticas da NVPI, a representante local da IFPI, e da BUMRA/STEMRA, a sociedade holandesa de cobrança de direitos de autor.
O porta voz da NVPI Wouter Rutten afirmou que não coloca reticências ao uso dos dados obtidos das redes de P2P, desde que esses números não sejam explicitamente empregues para as suas tabelas de músicas mais populares ou que não sejam publicamente divulgados.
Mais uma vez, a esquizofrenia da indústria discográfica apresenta-se na sua forma máxima. Se por um lado, a TMF pode divulgar a música que os seus ouvintes descarregam via P2P, por outro não pode divulgar explicitamente a lista dos mais descarregados. É como se a partilha de ficheiros fosse um assunto tabu que deve ser proscrito. Mas a verdade é que ele existe e deve ser tido em conta.
As grandes editoras discográficas sabem disso e já utilizam desde há algum tempo os dados relativos ao P2P para determinar quais as músicas que são mais populares e escolher quais a que devem ser lançadas sob a forma de singles. Veja-se por exemplo esta troca de emails datada de 25 de Julho de 2007 onde Syd Schwartz da EMI pede a Octavio Herrera da empresa de anti-pirataria MediaDefender que lhe entregue os dados relativos à actividade de P2P das faixas da versão “vazada” do álbum Out love to Admire dos Interpol.
Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC-SA 2.0 e pertence a garretkeogh.
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