Colectivo brasileiro Re:combo morreu

by Miguel Caetano on 4 de Março de 2008

Colectivo Re:combo - da periferia para o centro

Há movimentos e colectivos cuja razão de ser desaparece quando os seus princípios e objectivos se massificam e atingem o âmago da sociedade. Quando isso acontece, o processo de  dissolução é quase sempre imediato e inevitável.

Foi o que aconteceu com o colectivo Re:combo. Surgido em 2002 na cidade brasileira de Recife (estado de Pernambuco) começou por ser um grupo de músicos, artistas plásticos, designers, programadores, DJs e profissionais de vídeo unidos pela valorização da colaboração, da reciclagem artística e da remistura através da produção conjunta de músicas, vídeos e instalações.

Mas em poucos anos tornou-se uma plataforma online distribuída pela rede, chegando a contar com participantes em vários cantos do Brasil, para além de outros países do mundo. O Re:combo chegou mesmo a organizar jam sessions intercontinentais em tempo real com DJs da Alemanha e Roménia.

Nesse sentido, eles foram os pioneiros de muita coisa que se seguiu depois como o ccMixter e outros sites de colaboração online entre músicos. Mais importante do que isso, o Re:combo foi um dos primeiros movimentos a iniciar o debate sobre a cultura livre, a flexibilização dos direitos de autor sob a forma do copyleft e a cultura livre, tendo mesmo a sua Licença de Uso Completo Re:combo (LUCR) inspirado a Creative Commons na criação das licenças CC-Sampling.

Infelizmente, ontem dei de caras com um post de André Lemos no seu Carnet de Notes informando-me que a Zona Autónoma Temporária chamada Re:combo chegou ao fim. Da mensagem enviada pela equipa do projecto:

No dia 5 de fevereiro, durante a terça-feira de carnaval de 2008, como última ação coletiva, distribuida e organizada, membros do Re:combo espalhados pelo Brasil e pelo mundo, celebraram, cada um ao seu modo, o fim do coletivo.

Desde 2002 o Re:combo comprou algumas boas brigas para repensar autoria, o papel (e existência) do popstar e as relações com o público nas instalações audiovisuais. Nesse período demos nome à licença de remix da Creative Commons, ajudamos a criar uma imagem de desenvolvimento em arte e alta tecnologia fora do eixo Rio-SP, já fomos tema de mestrado e tocamoscolaborativamente e em improviso em eventos que vão do Porto Musical (numa quase orquestra caótica de 22 pessoas) até o Tangolomango no Rio de Janeiro (cheio de crianças no palco!)

O que nos leva à uma celebração é a forma de encarar o fim como o fechamento de um ciclo. No nosso primeiro manifesto publicado na Internet estava escrito: “Cenário ideal do futuro: uma série de re:combos tocando efazendo shows em cada cidade do mundo, compartilhando samples e loops com o único objetivo de fazer e tocar música.” entendemos que o que temos hoje, com o acelerado aparecimento de ferramentas como o CCMixter e que tais é esse cenario tornando-se realidade. Além disso, depois da aceitação pela sociedade do Creative Commons ainda é tão urgente e transgressivo se falar que “O Re:combo abre o conteúdo de suas músicas bem como sua propria identidade para a criação de música criativa, dançante e transgressiva.”?

Nesse momento acabamos esse ciclo durante uma grande festa, com a sensação de missão cumprida, com um grande agradecimento aos amigos, e a certeza de que essa experiência, para quem participou, vai durar pra sempre, seja através da memória do coletivo (que será preservada com umcongelamento do website como está hoje) seja pelos ecos dessas experiências nos grupos que surgiram e se desenvolverão após o fim desse ciclo.

Bookmark e Compartilhe

Artigos relacionados:

  1. IsoHunt apoia Creative Commons
  2. Licenças livres validadas por tribunal dos EUA
  3. Músicas de Natal grátis – uma oferta da Magnatune
  4. Copyright, Copyleft e as Creative Anti-Commons – Parte IV
  5. O remix entre a arte do excesso e a arte do pobre

{ 3 trackbacks }

O Avô do Creative Commons é Tricolor | Blog do Santinha | Santa Cruz Futebol Clube
6 de Novembro de 2008 ás 0:56
O que o dinheiro tem a lhe dizer « Dispepsia
16 de Novembro de 2008 ás 23:25
Afrobeat Machine « Impop
21 de Outubro de 2009 ás 3:56

{ 1 comment… read it below or add one }

1 Fabiano 22 de Maio de 2009 ás 11:24

Eu sou Angola, sou artista misical hip hop tenho um grupo eu gosto muito de musica, adoro o vosso trabalho, e gostaria de um dia entrar em conctacto com vcs, valleu

Responder

Leave a Comment

Previous post:

Next post: