
Já alguma vez encontrarem em redes P2P como a eMule e Gnutella ficheiros que aparentam ser partilhados por milhares de utilizadores mas que depois vai-se a ver e não passam de anúncios a conteúdos apetecíveis – como filmes pornográficos – protegidos por DRM que apenas podem ser reproduzidos mediante pagamento?
Pois é, essa é uma táctica bastante popular por distribuidores de material porno que conseguem assim “sacar” várias dezenas de milhares de euros por mês a utilizadores mais ingénuos de redes de partilha de ficheiros. Quanto maior for o número de utilizadores falsos, maiores serão as hipóteses do resultado aparecer em primeiro lugar à frente de todos os outros.
O estratagema de impingir anúncios aos utilizadores através de ficheiros falsos referenciados nos resultados de busca do P2P é tão lucrativo e eficaz que existe mesmo uma empresa que o utiliza para vender publicidade a anunciantes. Fundada em 2006 a partir das cinzas da CRight – uma companhia de combate à pirataria ao serviço das grandes editoras -, a californiana Skyrider foi na altura do seu lançamento alvo da cobertura de todos os maiores blogs de tecnologia por prometer uma tecnologia revolucionária capaz de monetizar as redes P2P – o todo-poderoso Tim O’Reilly chegou mesmo a compará-la ao Google. A grande diferença é que o Google não força ninguém a levar inadvertidamente com os anúncios.
O que é certo é que em pouco tempo a Skyrider conseguiu recolher oito milhões de dólares dos fundos de investimento Sequoia Capital e Charles River Ventures. Isso foi em Agosto de 2006. Dois meses mais tarde, angariou mais 12 milhões de dólares, desta vez da ComVentures. Em suma: 20 milhões de dólares em apenas duas rondas de investimentos. Nada mau para uma empresa cuja principal actividade consistia em inundar o eMule/eDonkey com lixo electrónico com vista a enganar os mais incautos.
Mas depois disso, não se soube mais nada. Até o ReadWriteWeb já pensava que a Skyrider tinha entrado em coma permanente, tendo em conta que mesmo o seu site parecia ter parado no tempo.
Recentemente, porém, o Venturebeat anunciou que a Skyrider conseguiu obter mais cinco milhões de dólares em financiamento fornecidos por todos os anteriores investidores da empresa. Segundo uma fonte anónima contactada por aquele blog, a tecnologia por detrás da Skyrider é absolutamente incrível e “maquiavélica”. Será que alguém se lembrou de alargar as aplicações da tecnologia a outras plataformas para além do P2P como o Twitter ou o Facebook através da criação de utilizadores falsos? Só de pensar nisso fico com arrepios.
Se gostou deste artigo, porque não deixa a sua opinião nos comentários e subscreve o feed de RSS? Obrigado!
Artigos relacionados:
- 10 milhões: utilizadores do Pirate Bay são quase tantos como a população portuguesa
- Reino Unido: estudo sobre partilha de ficheiros usa estatísticas duvidosas para enganar políticos
- Resposta gradual: notificar e expulsar os partilhadores da Internet sai muito caro
- Digiprotect: uma empresa especializada em extorquir dinheiro dos partilhadores
- BitTorrent.com em apuros porque ninguém quer dar dinheiro por vídeos com DRM


