
A indústria de entretenimento continua a fazer pressão em todas as partes do mundo no sentido de convencerem os fornecedores de acesso à Internet a bloquearem e, se for caso disso, a cortarem o acesso aos seus clientes que forem apanhados a descarregarem ilegarem conteúdos protegidos por direitos de autor.
Tudo começou na França em Novembro passado, com o acordo Olivennes que envolveu ISPs, editoras discográficas, produtoras de cinema, estações de televisão e outros detentores de direitos. Este documento foi entretanto transformado num ante-projecto de lei.
Mais recentemente, o governo do Reino Unido também ameaçou avançar com legislação nesse sentido caso os ISPs não tomassem medidas por si próprios até Abril de 2009. Outro país em que dentro em breve os utilizadores poderão ver a sua ligação à Internet cortada é a Austrália, caso o governo avance com um plano nesse sentido.
Agora, a moda propagou-se ao Japão, onde quatro organizações representantes dos interesses de mais de mil ISPs daquele país asiático concordaram em cortar a ligação à Internet dos utilizadores que forem apanhados a descarregarem conteúdos ilegais como músicas, filmes e software através do programa de P2P Winny, bem como outras populares aplicações de P2P.
Baseado parcialmente no FreeNet e no WinMx, o Winny é um programa bastante popular no Japão que oferece um elevado grau de anonimato aos seus utilizadores, recorrendo à encriptação das comunicações. Segundo o jornal Yomiuri Shimbun, mais de 1,75 milhões de japoneses são utilizadores habituais de redes P2P.
O artigo do diário não adianta grandes pormenores sobre como é que este sistema de avisos, suspensão e corte da ligação à Internet irá funcionar na prática, mas convém ter em conta que esta não é a primeira vez que este tema surge na agenda pública no Japão: há cerca de dois anos atrás, um importante ISP tentou introduzir uma série de medidas semelhantes, incluindo o corte da ligação à Internet do utilizador sempre que fossem apanhados a utilizar o Winny. Felizmente que a operadora de telecomunicações desistiu da ideia quando o ministro da Administração Interna e das Comunicações afirmou que isso poderia constituir uma violação à privacidade dos internautas.
Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC 2.0 e pertence a kamome.
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