This page has been designed specifically for the printed screen. It may look different than the page you were viewing on the web.
Please recycle it when you're done reading.

The URI for this page is { http://remixtures.com }

O Top das novas estrelas da música: o P2P não matou a rádio Publicado 27 Mar 08

Soulja Boy - Alguém se irá lembrar dele daqui a 2-3 anos?

Pessoalmente e enquanto fã, ou melhor, apaixonado pela música, entristece-me um pouco que um dos artigos mais visitados de sempre do Remixtures seja um referente ao Top dos artistas e das músicas mais descarregadas das redes de partilha de ficheiros durante o ano de 2007. Isto porque a esmagadora maioria dos artistas que constam dessa lista nem sequer deviam ser chamados músicos. Eles não sabem tocar um instrumento e apenas atingiram a fama devido a uma carinha laroca ou a uma posse à gangster rufia e mauzão.

Sean Kingston

E no entanto, eles saltaram do MySpace ou do Youtube para as playlists das rádios e daí para contratos multimilionários com as quatro grandes companhias discográficas. Ou seja, a fórmula da música Rap e R&B tipo pastilha elástica, efémera, para usar e deitar fora é replicada já não pela MTV mas pelo MySpace e pelo YouTube. Infelizmente, em muitos casos, o P2P limita-se a propagar a “porcaria” e a consagrar-lhe ainda mais destaque. Isto faz com que estas estrelas “fabricadas à pressão” consigam encher durante o período de mais ou menos um ano as salas de concertos e vendam centenas de milhares de toques para telemóveis.

Em vez de servirem para fazer com que os cantores e os artistas mais talentosos cheguem ao cimo e deixem para trás a “porcaria”, os novos suportes da Internet estão a funcionar frequentemente como meros recicladores do velho sistema da indústria discográfica. Mas não são só as grandes editoras que se aproveitam disso; também as estações de rádio já se adaptaram ao novo esquema das coisas e agem muitas vezes para sustentar o crescimento artificial destes artistas. Ou seja, trata-se de um mecanismo de feedback que apenas prejudica a cauda longa, em vez de a beneficiar.

É certo que o espaço para os nomes independentes nunca foi tão grande como hoje. Inúmeros blogs de MP3 esforçam-se por fazer passar a mensagem artística dessas vozes; os concertos nunca deram tanto dinheiro como agora; existem inúmeros sites de música livre e múltiplas netlabels - algumas inclusive com material de primeira qualidade. Mas às vezes parece que as pessoas se estão nas tintas e só querem saber dos TOPS DA MÚSICA. O que não deixa de ser paradoxal, pois nunca como hoje elas tiveram todas as músicas das três últimas gerações e de todos os países do globo à distância de dois ou três cliques.

Outra questão que se me coloca quando penso nisto é porque é que os gostos musicais do público parecem ser tão fracos em comparação com as listas das séries de televisão e dos filmes mais descarregados via P2P. Será que a música deixou de ocupar o lugar de vanguarda da cultura popular?

Vem esta lição de moral a propósito de um artigo da revista Forbes sobre as novas estrelas da música que estão a fazer sensação neste ano. Para chegar a uma lista dos dez artistas mais badalados do momento, o jornalista Louis Hau recorreu a quatro indicadores:

  • o top das músicas e artistas mais descarregados das redes P2P ao longo dos últimos 12 meses de acordo com os dados da BigChampagne;
  • o número de referências na comunicação social medidas pela Factiva;
  • as vendas de singles e álbuns digital em 2007 e durante os dois primeiros meses de 2008 segundo os números da Nielsen SoundScan;
  • vendas de toques para telemóvel tipo mastertone também de acordo com a Nielsen SoundScan.

Como não podia deixar de ser, a lista a que Hau chegou apresenta bastantes coincidências com a lista que eu divulguei em Dezembro passado, se não a nível dos nomes, pelo menos no que diz respeito aos géneros musicais mais populares (R&B e Rap):

  1. Soulja Boy;
  2. Sean Kingston;
  3. Colbie Caillat;
  4. J. Holiday;
  5. Flo Rida;
  6. Plies;
  7. Jordin Sparks;
  8. Huey;
  9. Hurricane Chris;
  10. OneRepublic

Triste sina a dos artistas que ocupam estes tops. Se apenas Sean Kingston e Soulja Boy são as únicas referências comuns, o tipo de sonoridade que faz as delícias da “populaça” é basicamente o mesmo. Mesmo tendo em conta que a lista da Forbes inclui mais uma série de indicadores, podemos concluir daqui que o prazo de validade destes nomes é em geral bastante curto.

O seu tempo é quase sempre o tempo em que a sua música - sim, porque aqui estamos a falar de singles e não de álbuns - permanece nas playlists das maiores estações de rádio. Depois disso, são rapidamente votados ao esquecimento. Mas não haverá motivos para acreditar que esta situação se venha a modificar um pouco num futuro próximo? Será que com a progressiva diminuição das audiências das rádios e o consequente aumento do tempo passado online pelas novas gerações. a cauda longa terá mais hipóteses? Ou será que a “porcaria” continuará a vir sempre ao de cima?

Artigos relacionados:

Trackback URL

Algumas respostas a “O Top das novas estrelas da música: o P2P não matou a rádio” :

  1. [...] é que esta lista é tão parecida com os tops de música offline. Aliás, o mesmo acontece com os tops dos artistas mais descarregados das redes P2P. Apesar de tudo, acho que as pessoas anseiam desesperadamente por se enquadrar dentro do que é o [...]

    Comentário de BBC Sound Index: Um Top da Música 2.0 | Remixtures em 21 Abr 08 14:14.
  2. fergie devia ser a mais badalada p ela e bonita gata e canta bem
    e ainda ela elogia os brasileiros

    Comentário de saulo xanado em 8 Mai 08 20:20.
Deixe a sua opinião sobre este artigo: