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P4P: um protocolo para melhorar o P2P Publicado 19 Mar 08

P4P

Ao contrário da Comcast que não olha a meios para controlar o peso que o tráfego do P2P acarreta sobre a sua rede e de economizar largura de banda, recorrendo mesmo a técnicas agressivas de filtragem de protocolos como o BitTorrent ou da AT&T que já avisou que poderá vir a bloquear a partilha de conteúdos ilegais pelos seus clientes, a Verizon é um fornecedor de acesso à Internet que entende que se pode conciliar as necessidade dos seus clientes - downloads mais rápidos -, com o seu interesse próprio.

Em vez de tentar combater o P2P, este ISP pretende melhorar a eficácia dos protocolos de P2P sobre a sua rede. No início do ano eu referi aqui que a Verizon e a produtora de software de partilha de ficheiros Pando se preparavam para testar um protocolo desenvolvido pela Universidade de Yale e de Washington denominado P4P (Proactive network Provider Participation for P2P) no âmbito de um projecto da Associação da Indústria de Computação Distribuída (DCIA), uma organização que inclui ISPs e empresas de P2P.

No final da semanada passada, os resultados destes testes foram apresentados no âmbito de uma conferência da DCIA em Nova Iorque e o balanço é bastante positivo, a avaliar pelos dados adiantados por Doug Pasko, responsável tecnológico da Verizon e director do grupo de trabalho relativo ao P4P da DCIA, à Ars Technica. Em certos casos, foram registados aumentos na ordem dos 200 por cento na velocidade dos downloads, chegando mesmo a registarem-se crescimentos de 600 por cento. É claro que isto aconteceu porque os testes foram realizados entre pares ligados à rede FIOS da Verizon, totalmente baseada em fibra óptica, como nota a CNET. No caso das ligações domésticas de DSL, é pouco provável que os utilizadores obtenham ganhos assinaláveis dado que a velocidade de downloads já está à partida limitada.

Gráfico comparando o funcionamento do P2P com o P4P

A grande vantagem do P4P para os ISPs é que se trata de um protocolo capaz de economizar os seus custos com a largura de banda, na medida que evita o recurso a pares que se situem mais longe entre si. No caso do BitTorrent via P2P convencional, a ligação entre pares não se baseia no grau de proximidade geográfica entre eles, mas sim no grau de disponibilidade e de largura de banda do cliente. Assim, se somos de Lisboa e queremos descarregar um filme poderemos obter partes dele de um outro utilizador situado no Japão, outro na Argentina e assim por diante, quando seria muito mais rápido e económico “sacar” os pacotes de um par residente no Porto.

Nos testes realizados com o P4P, a Verizon registou que 58 por cento dos dados eram relativos a tráfego local. Isto é uma percentagem muito mais elevada do que no caso de uma rede tradicional de P2P em que de cada vez que um cliente da Verizon descarrega um ficheiro, apenas 6,3 por cento dos dados partem de outro cliente do ISP na mesma cidade. Por aqui se vê que os ISPs têm todo o interesse no P4P, uma vez que a maior parte do tráfego circula ao nível da própria rede local, o que diminui drasticamente as despesas de largura de banda do operador. Por outro lado, se o tráfego passar por um operador rival ou situado no estrangeiro, a tarifa a pagar será inevitavelmente mais cara, mesmo já contando com a possibilidade de se estabeleceram acordos ocasionais de peering entre operadores.

A primeira aplicação prática do P4P deverá ter lugar no próximo mês quando a cadeia de televisão NBC começar a disponibilizar downloads de vídeos em formato HD de séries televisivas através do software da Pando. A Verizon também já adiantou que apenas pretende colaborar com empresas de P2P que se dedicam à disponibilização de conteúdos legítimos. Quererá isto dizer que as redes P2P de código fonte aberto como a eMule e a BitTorrent ficarão fora deste protocolo? Não estarão desta forma a Verizon e os outros ISPs a tentar fomentar o desenvolvimento de tecnologias P2P proprietárias? Onde fica o princípio da neutralidade de rede no meio disto tudo?

Nota: as imagens que acompanham este artigo é retirada da apresentação Can ISPs and P2P Work Together? de Laird Popkin da Pando e Doug Pasko da Verizon no âmbito da conferência do North American Network Operator’s Group a 18 de Fevereiro em San José na Califórnia.

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Algumas respostas a “P4P: um protocolo para melhorar o P2P” :

  1. [...] umas semanas mencionei aqui o protocolo P4P que está a ser testado nos Estados Unidos pela Verizon e pela Pando e que se [...]

    Comentário de Ono - um plugin para aumentar a velocidade dos downloads de torrents do Azureus | Remixtures em 6 Jun 08 17:36.
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  3. [...] eu referi aqui em Março passado, a vantagem aparente do P4P é que ele faz com que qualquer aplicação de [...]

    Comentário de P4P: o “Cavalo de Tróia do P2P”? | Remixtures em 25 Ago 08 22:59.
  4. [...] eu referi aqui em Março passado, a vantagem aparente do P4P é que ele faz com que qualquer aplicação de [...]

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