500 mil músicas num iPod: parece muito mas não é Publicado 14 Abr 08

Um novo tipo de memória chamado racetrack (pista de corrida) foi desenvolvido por investigadores do Centro de Investigação Almaden da IBM que promete aumentar a capacidade de armazenamento de um iPod para cerca de 500 mil músicas ou 3500 filmes. 500 mil músicas! Parece muito mas não é.
Aliás, se tivermos em conta que o modelo topo de gama do iPod é o Classic de 160 GBytes e que a Apple o anuncia como sendo capaz de guardar 40 mil faixas, esse tal “maravilhoso” leitor de MP3 que toda a gente ficou a pensar que viria para aí aos trambolhões, seria apenas 12,5 vezes maior do que o maior iPod dos dias de hoje, com um disco rígido de 2 TBytes.
Parece-me por isso que logo à partida, tanto o comunicado da IBM como a notícia do The Times - que proclamam que este tipo de tecnologia será capaz de aumentar a capacidade de um disco rígido de um dispositivo móvel - são algo sensacionalistas. Mais ainda se lermos a notícia até ao fim e nos dermos conta de que a tecnologia ainda se encontra numa fase exploratória e que apenas deverá ser lançada no mercado dentro de dez anos.
É claro que tudo depende do grau de compressão das músicas a que a Apple e a IBM se referem. A tecnologia desenvolvida é semelhante à memória flash na medida em que não tem partes movíveis mas oferece a vantagem de, tal como os discos rígidos, ser capaz de armazenar mais informação, para além de ser capaz de gravar mais rapidamente os dados e ter um custo de produção bastante inferior. O nome de memória racetrack advém do facto de tirar partido dos electrões que viajam à volta da “pista de corridas” de um fio.
Segundo os investigadores da IBM, que publicaram um artigo no mais recente número da revista Science, os dispositivos que utilizarem esta tecnologia serão capazes de funcionarem ininterruptamente durante semanas de cada vez sem que seja necessário recarregar a bateria e teriam um prazo de validade de décadas. Quanto a mim, penso que esta é a parte mais importante da inovação da IBM, que não consiste em nenhuma grande revolução tecnológica.
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Num artigo publicado em 2005 na Scientific American, Mark Kryder da Seagate enunciou a “sua” Lei de Kryder segundo a qual o espaço de armazenamento dos discos magnéticos duplica em cada ano que passa. Segundo os cálculos de Daniel Johansson no Digital Rennaisance, um iPod normal deverá ser capaz de alojar entre seis a sete milhões de faixas, o que é pelo menos doze vezes mais do que os “avanços” proclamados pela IBM. Todo este rol de números e previsões apenas obscurecem uma coisa: mais dia, menos dia será possível andarmos com toda a música jamais gravada em disco, cassete ou CD no bolso de um casaco ou de umas calças. Faz sentido continuar a obrigar as pessoas a vender música à unidade? Será que os detentores de direitos estão tão arreigados aos seus próprios interesses que serão capaz de engendrar tecnologias que impeçam que as pessoas tirem partido desta abundância que a tecnologia irá permitir? Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC 2.0 e pertence a key1. Artigos relacionados:
1 resposta a “500 mil músicas num iPod: parece muito mas não é” : |







Mais um bom post!
Comentário de Jorge vieira em 15 Abr 08 11:05.