DRM trama clientes de MSN Music da Microsoft Publicado 24 Abr 08

A blogosfera aproveita todas as oportunidades para “cascar” na Microsoft, principalmente quando o assunto envolve DRM. Contudo, muitos se esquecem que a empresa nem sempre é a única culpada, nem talvez seja sequer a principal culpada. Antes do leitor de música digital Zune e do seu Marketplace (que a propósito ainda não chegaram à Europa), a Microsoft teve um serviço de música online chamado MSN Music que se destinava a concorrer com o iTunes da Apple e tal como este utilizava um sistema proprietário de Gestão Digital de Direitos, o famigerado PlaysForSure. A loja abriu em Setembro de 2004 mas apenas esteve em funcionamento durante pouco mais do que dois anos.
Ao longo desse período, a Microsoft começou a aperceber-se que o que diferenciava a Apple no mercado da música digital era mesmo o seu ecossistema fechado iPod+iTunes. Com o lançamento do Zune em Novembro de 2006, a MS decidiu fechar o estaminé na MSN Music e reencaminhar os utilizadores para a nova Zune Marketplace. Acontece que aí as coisas complicaram-se ainda mais, porque o Zune era incapaz de reproduzir as faixas “protegidas” com o PlaysForSure adquiridas no MSN Music. Isto porque o Zune Marketplace, a loja criada para “abastecer” os leitores de música digital de downloads legais, se baseia num sistema de DRM próprio.
Contudo, a companhia tem vindo desde então a emitir uma série de chaves de licenças que permitem a transferência das bibliotecas de músicas dos utilizadores. Depois de em Dezembro passado, a Microsoft ter ditado definitivamente a sentença de morte do PlaysForSure, a empresa enviou uma carta aos utilizadores que caíram na asneira de comprar música com DRM na MSN Music Store que gerou uma forte onda de protestos em inúmeros blogs. Na carta a que a Ars Technica teve acesso, a Microsoft refere que a partir do dia 1 de Setembro as faixas aí adquiridas não poderão ser reproduzidas noutros computadores pessoais e dispositivos para além daqueles cinco para os quais os consumidores obtiveram as tais chaves de licenças de reprodução.
Bem, não são exactamente cinco computadores mas sim sistemas operativos, uma vez que de cada vez que o utilizador actualiza para uma nova versão - do Windows XP para o Vista, por exemplo - ele precisa de voltar a proceder à autorização das músicas. Isso significa que os temas apenas poderão ser reproduzidos durante o tempo de vida desses sistemas. Depois disso, nunca mais. A não ser que se opte por gravar as músicas para um CD áudio (burn) e voltar a copiá-las para um formato de áudio digital (rip). É claro que isso irá degradar a já de si nada famosa qualidade áudio desses ficheiros.
Numa entrevista à CNET, Rob Bennett, o executivo da Microsoft que escreveu essa carta, defende a empresa afirmando que o problema apenas irá afectar um pequeno número de pessoas e que é bastante difícil assegurar a interoperacionalidade e o suporte necessários de um sistema anterior de DRM sempre que ocorre uma actualização do sistema operativo. Bennett explica ainda que o recurso à DRM nunca foi uma imposição da Microsoft mas sim das grandes editoras e que parte do catálogo da Zune Marketplace já se encontra disponível sem DRM, em MP3.
Embora as justificações da MS possam ser encaradas por muitos como “desculpas de mau pagador”, penso que aqui a falha se deveu mais a um descuido do que a outra coisa qualquer. A DRM é em si mesma uma tecnologia de curto prazo, concebida para impedir o acesso a longo prazo aos conteúdos. Para além do mais, já não é a primeira vez que isso acontece - veja-se o caso do Sony Connect. Estas más experiências apenas contribuíram para que as majors danificassem ainda mais a sua imagem perante o público. Não admira por isso que elas tenham finalmente decidido aderir - ainda que de uma forma parcial - à venda de música sem DRM.
Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY 2.0 e pertence a dce_76.
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A blogosfera aproveita todas as oportunidades para “cascar” na Microsoft, principalmente quando o assunto envolve DRM.
Comentário de digacultura.net em 25 Abr 08 12:17.Não é uma questão de cascar… Alguém sinceramente acha que o correcto é deixar que nos pisem constantemente, enquanto ficamos impávidos e serenos quais vacas para abate?
Comentário de Rui Miguel Silva Seabra em 29 Abr 08 16:54.Olá Rui. Entendo. Mas a verdade é que pior que a Microsoft só mesmo as companhias discográficas
Comentário de Miguel Caetano em 29 Abr 08 18:48.[...] grupo de utilizadores incautos que fizeram o disparate de pagar dinheiro por música com DRM avisando que se preparava para encerrar os servidores de concessão das licenças de autorização necessárias para [...]
Comentário de DRM: Microsoft dá o dito por não dito e extende autorizações de MSN Music até 2011 | Remixtures em 22 Jun 08 11:24.[...] em Abril passado com o já falecido MSN Music quando a MIcrosoft anunciou que iria deixar de emitir mais chaves de autorização para a música [...]
Comentário de Yahoo Music Unlimited: a DRM volta a tramar os fãs de música | Remixtures em 25 Jul 08 11:10.