EMI caça crânio do Google

by Miguel Caetano on 2 de Abril de 2008

Douglas Merrill, o novo guro do Digital da EMI, curte Sex Pistols e Nine Inch Nails

Imaginem que estão há mais de cinco anos na maior empresa de Internet do mundo no cargo de director de sistemas de informação. Esta é uma posição invejável, de facto. Tão invejável que não têm dúvidas alguma em admitir que têm o melhor emprego do mundo. O que é que vos faria mudar completamente de ideias a ponto de um mês e meio depois estarem dispostos a abandonar esse posto?

No caso de Douglas Merrill, 37 anos e vice-presidente da divisão de engenharia da Google, a proposta irrecusável veio da parte de Guy Hands, o novo patrão da EMI. Hands queria que Merrill aceitassse o lugar de presidente da unidade digital da quarta maior companhia discográfica. Sendo Merrill um fã de música – em particular dos Sex Pistols e Nine Inch Nails -, ele não hesitou em aceitar a difícil tarefa de completar a transição da etiqueta para a era digital.  

Porque não é todos os dias que uma major decide recrutar um geek do Google e uma vez que a notícia foi divulgada a 1 de Abril, tendo ainda para mais partido de um blog pouco conhecido, muita gente pensou que se tratava de mais uma brincadeira de mau gosto do Dia das Mentiras que atulhou os feeds de RSS de todos nós.

A informação foi, contudo, rapidamente confirmada pela CNET, bem como por uma série de blogs de tecnologia. Merrill deverá começar no seu novo emprego a 28 de Abril. Um facto inusitado é que Douglas não tem qualquer experiência anterior na área do entretenimento. Nas talvez seja por isso mesmo que Guy Hands foi buscar um executivo de topo à Google. Ele sabe bastante bem que, mais do que ninguém, o Google construiu o seu império graças a um modelo assente no grátis, baseado na flexibilização dos direitos de autor, na abertura e na transparência.

Em entrevista ao Paid Content, Merril afirma que pretende aprofundar as experiênciasrealizadas pela EMI em direcção a novos modelos de negócio mas no que toca às ideias relativas à licença global e às subscrições de música considera que os fãs estão dispositos a pagar pela música embora ninguém saiba ainda a quem é que eles devem pagar.

Seja como for, os próximos episódios da história da EMI serão bastante engraçados até porque se adivinha um conflito de culturas entre a mentalidade livre e aberta típica de Silicon Valley e a postura fechada e exlusivista das majors no que se refere à propriedade intelectual. Aliás, basta reparar que enquanto a EMI foi uma das majors que instaurou processos contras os fãs de música que descarregaram ilegalmente os seus discos, o Google foi muitas vezes alvo dessas mesmas empresas que acusaram vários do seus serviços online (Google Video e YouTube) de violarem os seus direitos de autor.

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