Onde há fumo há fogo, é o que se costuma dizer. Apesar de tanto a Virgin Media como a BPI – o organismo que representa os interesses da indústria discográfica -, terem negado um acordo para implementar um sistema de resposta graudal de forma a suspender e, eventualmente, cortar a ligação à Internet dos utilizadores que partilham material protegido por direitos de autor, o que é facto é que as grandes editoras andam numa campanha activa para tentar pressionar os ISPs britânicos a tomarem medidas desse tipo.
Isto porque a BPI tem de facto andado a enviar umas cartinhas para todos os operadores de Internet de forma a convencê-los de que devem começar a avisar os seus clientes que o descarregamento da conteúdos ilegais não é tolerável. Depois dos avisos, aqueles que continuassem veriam a sua ligação à Internet cortada à terceira vez.
No entanto, existe uma empresa que não está pelos ajustes e pretende resistir ao máximo. A TalkTalk, o terceiro maior operador de Internet do Reino Unido pertence ao grupo de telecomunicações móveis Carphone Warehouse, publicou na sexta-feira um comunicado onde diz que não irá aceitar que a indústria discográfica lhe diga o que deve ou não fazer: “A TalkTalk rejeita as ameaças da indústria da música e recusa tornar-se no polícia da Internet.”
Em declarações ao jornalista Rory Cellan-Jones da BBC, o director executivo da Carphone Warehouse Charles Dunstone manifestou o seu repúdio pelo facto da BPI ter tido o descaramento de lhe enviar uma carta onde ameaçava a sua empresa com uma acção legal caso ele não cumprisse com as suas exigências no prazo de 14 dias. Segundo Dunstone, os problemas actuais das discográficas devem-se única e exclusivamente à sua incapacidade para se adaptar às mudanças na tecnologia:
Eles não estão apenas a tentar fechar a porta do estábulo depois do cavalo ter fugido – o cavalo já saiu da cidade, casou e começou uma nova família.
A BPI não se ficou atrás e também emitiu um comunicado igualmente num tom bastante agressivo acusando a TalkTalk de não ter interpretado correctamente o sentido da sua missiva. De acordo com Geoff Taylor, director executivo da BPI, a sua organização não quer que o ISP policie a Internet, prejudique os direitos dos seus clientes ou restrinja a liberdade de utilização da Internet mas apenas que “actue com base na informação” que lhe disponibilize, isto é, os endereços IP dos utilizadores que apanhou a fazer downloads legais via P2P.
Perceberam a diferença? Também eu não. Seja como for, o prazo dado pelo governo britânico para que os ISPs cheguem a uma solução pela via da auto-regulação que satisfaça os detentores de direitos está a contar, pelo que antes de Abril de 2009 é provável que venhamos a assistir a algum acordo entre ambas as partes.
Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC 2.0 e pertence a nchenga.
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