
“Olhem para mim! Eu também sou importante!”. Numa altura em que o MySpace se prepara para lançar o seu próprio serviço de música que contará com o envolvimento directo das majors, a Last.fm achou por bem transmitir este recado às quatro grandes editoras discográficas num comunicado onde cita alguns dados que indicam que a sua oferta de streaming grátis de músicas completas parece estar a levar as pessoas a comprarem mais CDs e downloads legais.
Em concreto, a empresa apenas refere que desde que em Janeiro passado introduziu o seu serviço de música grátis a pedido – que apenas se encontra ainda disponível em alguns países, embora nos últimos tempos eu tenha notado um aumento do número de faixas integrais no site brasileiro – as vendas de CDs e downloads por intermédio dos seus links para a Amazon aumentaram 119 por cento. Mesmo descontando o efeito novidade do serviço, a empresa refere que as aquisições de CDs e downloads entre os que já eram utilizadores aumentou 66 por cento.
Reconheço que para alguém que possui uma relação negocial com as majors faz todo o sentido “evangelizar” as vantagens do streaming completo de faixas em relação à política anterior seguida até há não muito tempo pelas editoras de limitarem-se a oferecer míseros excertos de 30 segundos. Mas na verdade, já em Fevereiro passado a empresa-mãe da Last.fm, a CBS, tinha divulgado números que apontavam para um crescimento de 59 por cento no número de utilizadores únicos.
A questão é que tanto daquela como desta vez a solidez dessa informação é muito ténue. Por exemplo, do mesmo modo que seria expectável um aumento do afluxo de tráfego ao site logo após o início da nova oferta, também agora o impacto desses dados permanece algo obscuro. Por exemplo, “porque é que embora a Last.fm mantenha parcerias comerciais com o iTunes e a 7digital, a empresa apenas refere a Amazon?”, pergunta Antony Bruno da Billboard.
A interrogação é pertinente se tivermos em conta que a Amazon foi a principal beneficiada com a recente adesão das majors à venda de música sem DRM e muitos utilizadores podem simplesmente ter mudado do iTunes para a loja de MP3 da gigante de comércio electrónico.
De qualquer modo, não basta oferecer música grátis para levar as pessoas à compra por impulso; é preciso também ter em conta uma série de funcionalidades que complementem a experiência. O co-fundador da Last.fm Martin Siskel frisa bem esse aspecto quando destaca a importância das funcionalidades de descoberta e recomendação de música nova, bem como as características de rede social que o site integra de uma forma bastante feliz. Aliás, foi por isso que o tempo de permanência médio de cada utilizador no site aumento 118 por cento numa base mensal.
Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC 2.0 e pertence a angeladini2.
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