Mudança de cadeiras na Sony BMG: Dinossáurio Clive Davis emprateleirado Publicado 18 Abr 08

Poucos fãs de música deverão já ter ouvido falar de Clive Davis. No entanto, quem não conhece Janis Joplin, Santana, Patti Smith, Bruce Springsteen, Whitney Houston, Alicia Keys? Pois é, este “raposa velha” da indústria discográfica foi o responsável pelo lançamento e relançamento - no caso de Santana - de algumas das maiores vedetas da música Pop das últimas quatro décadas.
Só que ninguém vive para sempre e Davis que era o actual director-executivo e presidente da BMG acaba de ser enviado para a prateleira pela administração da sua empresa-mãe, a Sony BMG. Para o seu lugar foi Barry Weiss, de 49 anos, até agora o patrão da Zomba Label Group, a editora responsável por fabricar ídolos Pop à pressão como Justin Timberlake, Britney Spears, Backstreet Boys, R. Kelly, etc.
É claro que como todos os patrões que se prezem, a empresa quis que o “rei” Davis não fosse remetido para o esquecimento e inventou o cargo de “director criativo” justamente para ele. E a verdade é que Clive Davis sempre foi uma figura incómoda que foi capaz de renascer das cinzas já duas vezes: uma em 1975 quando foi despedido da sua posição de presidente da Columbia Records devido a acusações de contabilidade fictícia. Mas logo em seguida, o “rei” fundou a Arista Records.
Fazendo Fast-forward para 25 anos mais tarde, depois da Bertelsmann já ter comprado a Arista através da sua BMG, os patrões do grupo alemão tentaram afastá-lo da Arista a pretexto de uma política compulsiva de reforma. Mas graças ao apoio que os artistas da editora lhe concederam, Davis conseguiu fazer um tremendo escarcéu e manter-se no seu lugar. O resultado foi que ele acabou de ganhar de presente uma nova editora, a J Records, onde a BMG investiu 150 milhões de dólares.
Daí que pode muito bem acontecer que Davis aproveite esta oportunidade para dar outra vez as cartas. Mas porque é que Davis foi “emprateleirado” justamente agora uma vez que a sua divisão era uma das poucas da Sony BMG que estava a dar lucro? O problema é que Davis era um bocado gastador - vídeos e campanhas de marketing com orçamentos faraónicos - e fala-se que o senhor estava a receber qualquer coisa como dez milhões de dólares ao ano. Segundo consta, parece que Weiss é um bocadinho mais forreta e numa altura em que as vendas de discos estão a cair por aí abaixo, as editoras querem é gente frugal. Pior destino que o de Davis teve Charles Goldstuck, o “braço-direito” do “rei” que foi mesmo posto na alheta.
Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença GNU Free Documentation e pertence a Christopher Peterson.
Artigos relacionados:
- Sony fica com Sony BMG por 775 milhões de euros
- Sony BMG perde 49 milhões de dólares num trimestre
- EMI consegue acordo de redução de custos com IFPI
- Bertelsmann resolve problemas legais de Napster
- Adeus Sony BMG, olá Sony Music Entertainment Inc.






