Quem confia na indústria discográfica? Publicado 22 Abr 08
A fazer crer numa pesquisa da agência de relações públicas Edelman, parece que cada vez menos pessoas. Mas como é que não haveria de ser assim dado o número enorme de processos instaurados pelas editoras contra os utilizadores de redes de partilha de ficheiros? Contudo, não deixa de ser caricato o facto de ser uma empresa de relações públicas a afirmá-lo, ainda que com base em estatísticas cuja metodologia é sempre um tanto ou quanto obscura.
De acordo com a pesquisa da Edelman realizada junto dos consumidores britânicos e citada pelo The Guardian (via Silicon Alley Insider), a percentagem dos inquiridos que afirmou confiar na indústria do disco baixou de 47% em 2007 para 31% este ano. Os inquiridos - com idades compreendidas entre os 18 e os 34 anos - afirmaram na sua maioria (55%) que estão dispostos a tomar uma “acção directa” contra uma empresa sempre que discordarem com as suas práticas. 53 por cento disse que não hesitaria em transmitir opiniões negativas a respeito dessa empresa aos seus amigos e 46% afirmou que tencionaria ignorar o marketing e a publicidade da empresa. Outros 39 por cento indicaram que não investiriam nessas companhias.
Em vez de ameaçarem cortar a ligação à Internet dos utilizadores suspeitos da partilha de ficheiros, seria melhor que as editoras discográficas pusessem os olhos nas empresas de tecnologia como a Apple que fornecem hardware como o iPod que permite o acesso imediato a uma biblioteca interminável de música, uma vez que 77 por cento dos inquiridos indicou confiar nelas.
Não espanta por isso que um em cada quatro tenha admitido já ter descarregado conteúdos ilegais (via Web, provavelmente), 24% confessaram já ter copiado CDs dos amigos e 18% tenha partilhado ficheiros online (via P2P). Aliás, mais do que uma questão meramente privada, a defesa da pirataria via Internet tornou-se para alguns uma questão política, dado que 11% já participaram activamente em campanhas pelo direito ao acesso livre e grátis a música, filmes e jogos online. Por outro lado, existe também uma pequena percentagem (9%) de britânicos para os quais as medidas de protecção tecnológica como as DRMs não constituem obstáculo, tendo já utilizado ferramentas de hacking para removê-las.
Se a indústria tem feito várias tentativas no sentido de aumentar a oferta legal de música na Internet, tudo indica que pelo menos no Reino Unido (onde, tal como aqui, a loja de MP3 da Amazon ainda não chegou), os consumidores ainda não se dão por contentes e querem mais oferta e a preços mais baratos: “56% dos jovens consumidores britânicos preferiam comprar conteúdos legais em vez de descarregá-los ilegalmente caso o seu custo de venda fosse inferior”. Confirmando os piores temores dos executivos da indústria da música, existe já uma fatia relativamente significativa de pessoas (27%) que se recusa terminantemente a pagar; outros 17% parecem hesitar entre as duas posições, uma vez que afirmaram que poderiam pagar mas continuar à mesma a “sacar” ilegalmente da Rede.
Se é verdade que a maioria destes “estudos” acabam por chegar à mesma conclusão e não adiantam muito de novo, também é verdade que os responsáveis pelas grandes editoras ainda não deram muita atenção à mensagem que os quase ex-consumidores de música andam a tentar passar há anos: é preciso agir rápido e o quanto antes pois não basta oferecer música de borla financiada por publicidade através do MySpace para recuperar a confiança perdida. É necessário desistir imediatamente de todas as acções legais em curso e propor um armísticio generalizado aos fãs de música.
Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC-ND 2.0 e pertence a mary hodder.
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