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Radiohead estão fartos da música grátis Publicado 30 Abr 08

In Rainbows de Radiohead

Afinal, tudo não passou de uma vez sem exemplo. Depois de terem sido consagrados como autênticos revolucionários da indústria discográfica por terem em Outubro passado disponibilizado na Internet o seu novo álbum In Rainbows segundo um modelo “você decide o preço” - dando inclusivamente aos fãs de música a hipótese de descarregarem gratuitamente o disco - os Radiohead acabam de dar uma machadada fatal nas expectativas de todos aqueles que pensavam que o grupo britânico iam repetir a experiência.

Em declarações ao Hollywood Reporter, Thom Yorke afirmou o seguinte:

Penso que foi uma resposta isolada a uma determinada situação. Foi uma daquelas coisas em que nos encontrávamos numa posição em que toda a gente nos perguntava o que é que nós iríamos fazer. Não penso que voltaria a ter a mesma relevância agora, de qualquer das formas, caso decidíssemos oferecer algo de novo. Foi um momento específico no tempo.

Não sei o que se pode depreender das palavras do vocalista dos Radiohead senão que afinal que a experiência não foi tão lucrativo como a banda estava inicialmente à espera e que os dados revelados pela empresa de estudos de mercado ComScore sempre estavam certos. Um mês depois do lançamento online, a ComScore divulgou que maioria das pessoas (62%) que descarregara a versão digital do disco não tinha pago nada e que o valor médio desembolsado pelos 38 por cento que pagaram foi de uns meros seis dólares (4,14 euros). Apesar dos Radiohead se terem apressado a desmentir esses números, a verdade é que até hoje eles escusaram-se a divulgar os seus próprios dados.

Mesmo assim, Thom Yorke admite que as bandas de maior dimensão podem tirar partido de novas formas para comunicar directamente com os fãs: “Nós apostámos agora numa relação directa com os fãs porque somos suficientemente grandes para isso.”

No entanto, isso não passa de um lugar-comum que casos como as de artistas autoproduzidos como os norte-americanos Jonathan Coulton e Brad Sucks ou o brasileiro Bnegão desmentem. Estes artistas disponibilizam a sua música segundo licenças livres mas que ganham dinheiro dando concertos um pouco por todo o lado. Porque o ganha-pão dos artistas sempre foram os concertos. É certo que são exemplos ainda isolados, mas esta “classe média” de músicos que tira partido da “cauda longa” é cada vez maior.

Com estas afirmações, os Radiohead acabam de prestar um mau serviço a todas as bandas e todos os fãs que acreditam na viabilidade de um outro modelo de negócio para a música. Do mesmo modo, Thom Yorke dá assim razão às críticas tecidas por Trent Reznor dos Nine Inch Nails de que a iniciativa dos Radiohead tinha sido apenas uma mero truque promocional para vender mais CDs de In Rainbows. Com efeito, Reznor foi mais longe e chegou mesmo a disponibilizar de borla, com uma licença Creative Commons e via BitTorrent o primeiro volume do álbum Ghosts I-IV. E o que é certo que graças ao seu plano de oferecer vários planos de oferta aos fãs dos NIN, Reznor conseguiu recolher 1,6 milhões de dólares só na primeira semana após o lançamento. Afinal de contas o que é que correu mal aos Radiohead para eles não quererem repetir a experiência?

Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC-ND 2.0 e pertence a Ben Ward.

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1 resposta a “Radiohead estão fartos da música grátis” :

  1. Olá!

    Tenho pena que só se fale de Radiohead e de Nine Inch Nails como líderes na criação de um novo modelo de negócio. Sou fã das duas bandas, mas sou da opinião que nesta situação é mesmo um caso de artistas “com a cama feita”, embora com o mérito inerente de músicos revoltados com a indústria.

    Perdi o hábito de ir regularmente a lojas de música após ler o blitz (o antiguinho), para ser confrontado com uma realidade virtual tão absorvente que me prende aos mesmos ecrãs que me fazem companhia a trabalhar. E gosto. Os meus bolsos também. Mas perdeu-se a experiência global da música, o lado apaixonado da questão que nos levava a ir atrás de algo.

    Perdeu-se na motivação, ganhou-se em simplicidade.

    Na minha opinião, a indústria sempre evoluiu tecnologicamente, nunca foi uma mudança. Bato palmas aos senhores das maçãzinhas que ao terem conhecimento de alguém que convertia música em ficheiros de computador, tenham ameaçado o cd com o ipod. Culpem e louvem a maçã.:) E novamente, apesar de serem os mais conhecidos não foram os primeiros.

    Neste momento Radiohead e NIN são os cavaleiros da indústria musical, e levaram outros artistas igualmente “pop” a usar o mesmo modelo ou a criar métodos derivados. Com tanta flexibilidade nas formas de distribuição, duvido que se descubra um novo modelo de negócio que se mantenha por muitos anos sem sofrer alterações.

    Com isto, perderam em esforço todos os outros pequenos que já faziam o mesmo, sem terem a ajuda inicial de uma editora ou uma multidão de fãs à partida. Passou a ser o “estilo Radiohead”, embora os Smashing Pumpkins já o tivessem feito com o seu Machina II e a sua posterior edição limitada em vinil.

    Ainda bem que a força de vontade e a criatividade continuam gratuitas para continuarem a surgir coisas diferentes sem se colarem a modelos pré-fabricados.

    Abraços e continuação de bom trabalho!

    j.

    Comentário de João Dorminsky em 8 Mai 08 12:29.
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