Starbucks desfaz-se de editora discográfica

by Miguel Caetano on 26 de Abril de 2008

Starbucks

A aventura da cadeia norte-americana de cafés Starbucks na edição de música não deve ter corrido lá muito bem, pois a empresa acaba de anunciar a cedência da metade que detinha na Hear Music para Concord Music Group, a sua parceira nesta joint-venture. A editora discográfica foi lançada apenas em 2007 e na altura conseguiu encher as páginas dos jornais de economia graças ao contrato milionário com Paul McCartney.

Aliás, deve ter sido mesmo pela publiciidade grátis proporcionada pela comunicação social que Memory Almost Full, o álbum mais recente do ex-Beatle, chegou ao terceiro lugar no Top da Billboard dos 100 discos mais vendidos nos Estados Unidos logo na primeira semana de lançamento em Junho do ano passado. Contudo, os lançamentos posteriores por parte de artistas como Joni Mitchell, Kenny G, James Taylor, Dave Matthews e Gloria Estefan acabaram por ter um desempenho aquém das expectativas. Ainda no mês passado, o New York Times revelou que cada uma das suas 6800  lojas vendia em média apenas dois CDs por dia.

A acrescentar a isto, existe também a crise económica que está a afectar a carteira de muitos norte-americanos que vêem-se assim com menos dinheiro para gastar em cafés aguados vendidos a preços exorbitantes. Daí que não seja de admirar que as vendas da Starbucks tenham descido durante o último semestre, a ponto de a empresa se encontrar actualmente numa delicada situação financeira.  Como as circunstâncias exigem contenção de despesas, a companhia decidiu concentrar as suas energias no seu core business

Isto não quer dizer, contudo, que a Starbucks vai abandonar o negócio da música uma vez que as promoções de oferta de downloads de música – como a que a empresa mantém com o iTunes da Apple – irão continuar. No fundo, acho que o falhanço da editora discográfica da Starbucks deriva da incapacidade que a empresa teve de disponibilizar produtos complementares à venda de música em si. E como eu estou farto de repetir por aqui, a música deve ser encarada como um serviço e não como um produto acabado.

Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY 2.0 e pertence a poolie.

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2 de Julho de 2008 ás 0:55

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