Britânicos compram menos downloads legais mas partilham mais Publicado 17 Mai 08

A força dos resultados desastrosos relatórios financeiros não chega para convencer os responsáveis pela indústria discográfica a adaptarem o seu modelo de negócio obsoleto aos novos tempos. E uma vez que essas empresas apenas acreditam em dados estatísticos mastigáveis não admira que tenham surgido aos longo dos últimos anos uma série de estudos realizados por consultoras se limitam a constatar a realidade.
Na sequência de um estudo divulgado em Julho de 2007 que indicava que o número de britânicos que faziam downloads ilegais estava a aumentar a olhos vistos, ao passo que o ritmo de crescimento dos downloads legais estava a diminuir, surgiu agora outro estudo realizado pela companhia de estudos de opinião The Leading Question e pela consultora de música digital Music Ally que indica que ao longo deste último estas tendências apenas se acentuaram ainda mais.
Segundo a pesquisa realizada junto de 800 britânicos, a percentagem de fãs de música que adquiriu regularmente downloads legais de música desceu de 16 por cento em finais de 2006 para 14 por cento em 2007. Em contrapartida, a percentagem de utilizadores que descarregam regularmente discos da Internet situa-se agora nos 22 por cento. Mesmo assim, a principal fonte de origem das colecções de música digital são os seus próprios CDs (51%).
Mais preocupante para as editoras é o facto dos dados apontarem que a percentagem de utilizadores que descarregam ocasionalmente ficheiros de redes P2P e dos que compram ocasionalmente música digital em lojas como a do iTunes é exactamente a mesma: 28%.
Ou seja, os britânicos começam por pagar pelos descarregamentos, experimentam uma a duas vezes mas depois optam pela alternativa mais lógica e grátis… Não admira por isso que o número médio de descarregamentos pagos por mês (3,32) seja bastante inferior ao de descarregamentos grátis (12).
De forma a colmatar esta situação, os analistas da Leading Question e da Music Ally sugerem a implemtação de um plano em cinco pontos. As receitas aconselhadas não são nada de excepcionais e tocam pontos que eu já aqui foquei várias vezes, mas como parece que ainda há muita gente importante que não percebeu a mensagem:
- A Música precisa de ser incorporada a outros produtos e pacotes de entretenimento: pode-se criar valor através de muitas outras formas para além dos downloads adquiridos ocasionalmente pelos consumidores. A música precisa de deixar de depender nas vendas por unidade e tornar-se mais um serviço do que um produto. Deve ser algo que já vem pré-carregado nos dispositivos, incorporado a tarifas móveis, oferecido como parte de pacotes de TV/Entretenimento/ISP.
- As editoras necessitam de experimentar novos calendários e formatos de lançamento: O velho modelo dos lançamentos de singles e álbuns deixou de fazer sentido. As editoras necessitam de ser mais inovadoras se não querem ver o seu negócio falir. Olhem para os exemplos dos Radiohead, Nine Inch Nails e Prince. Façam experiências com formatos novos e diversificados, novos planos de preços e calendários de lançamentos, edições exclusivamente digitais e parcerias promocionais com marcas.
- Por uma coisa ser grátis não significa que não deia dinheiro: A indústria musical não devia recear o grátis, devia adoptá-lo. A cultura da Rede é grátis ou pelo menos “parece” grátis. Mas pode-se ganhar à mesma dinheiro através de outras fontes de receitas: desde serviços financiados por publicidade a marcas dispostas a pagaram para se associarem com os artistas a jornais dispostos a pagarem por CDs promocionais.
- Mudem os tops: os tops deixaram de fazer sentido. Uma vez que cada vez menos pessoas compra música, os tops necessitam de reflectir as outras formas através das quais as pessoas estão a consumir música
- Confiem no DJ: O online significa que qualquer pessoa pode aceder ou possuir a toda a colecção de discos de John Peel mas a disponibilidade imediata e massiva à música a pedido faz com que seja hoje mais do que nunca necessário um guia de confiança à semelhança de John Peel. As novas camadas de valor terão origem nas ligações sociais que vêm quase tanto através da música como da própria música.
Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC-ND 2.0 e pertence a lozzyloz.
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