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Compositores: no descarregar é que está o ganho Publicado 26 Mai 08

Um pouco por todo o lado ouvimos as editoras discográficas culparem o aumento dos downloads ilegais via P2P pela descida das vendas de CDs. “Estamos à beira da morte do negócio da música!”, gritam aos ouvidos dos políticos de forma a pressioná-los a aprovarem leis mais repressivas contra a partilha de ficheiros. Mas será mesmo assim?

Ao concentramos as nossas atenções na queda das vendas de rodelas em plásticos, estamos a ignorar toda uma série de receitas adicionais ligadas ao negócio da música, como concertos, licenciamento para rádio e televisão, bem como bares e discotecas. A questão é que esse dinheiro acaba por passar ao lado das etiquetas de discos. Embora já se conhecessem alguns dados que comprovavam precisamente isso, nas últimas semanas surgiram mais resultados concretos que vão nesse sentido.

No Reino Unido, a MCPS-PRS - uma sociedade de cobrança de direitos de autor e que representa os interesses dos compositores e publishers de música - anunciou na quinta-feira passada que os seus resultados financeiros relativos ao ano de 2007 atingiram um valor-recorde. O montante total cobrado em royalties ascendeu às 562 milhões de libras (cerca de 706 milhões de euros), o que representa um crescimento de 2,8 por cento em relação ao ano anterior.

Um dado que revela bem a encruzilhada em que as editoras discográficas se encontram é que os direitos de reprodução mecânica sofreram uma baixa de 11 por cento. Em contrapartida, os direitos de difusão e interpretação de música subiram oito por cento, situando-se actualmente nos 155,5 milhões de libras. Mais ainda, este foi o primeiro ano em que os compositores e os publishers lucraram mais com os direitos de licenciamento para radiodifusão, streaming online e downloads digitais do que com as vendas de discos. Mas o sector onde se verificou um maior ritmo de crescimento foi o dos concertos ao vivo e dos festivais: mais 20 por cento. Quanto aos bares e discotecas, a subida foi de 4,1 por cento. Televisão, 10,4 por cento.

Ou seja, apesar da descida das vendas e do aumento extraordinário dos downloads ilegais, a verdade é que nunca como hoje os criadores de música ganharam tanto com a sua actividade.

É claro que existem excepções, como refere Philippe Astor no Electron Libre (via Numerama): na Alemanha, a GEMA viu as suas receitas globais descerem 2,83 por cento no ano passado. Já nos Estados Unidos, a ASCAP conseguiu atingir um recorde de receitas no valor de 863 milhões de dólares - uma subida superior a 10 por cento. Do mesmo modo, também a sua concorrente BMI registou um aumento de oito por cento durante o ano fiscal de 2006-2007.

A mesma tendência parece também estender-se à França. Embora a SACEM - entidade representante dos interesses dos autores, compositores e publishers de música - ainda não tenha revelado os seus números para 2007, em 2006 os resultados indicaram uma subida de 5,9 por cento nas receitas provenientes da cobrança de direitos relativos à execução pública (espectáculos, dança, cinema, etc.). Mesmo assim, neste caso este aumento não foi suficiente para compensar uma ligeiríssima descida das receitas globais (0,2 por cento). Outro facto digno de nota é que o peso somado dos direitos relativos ao consumo colectivo e ao licenciamento para televisão e rádio já representam dois terços das receitas dos membros da SACEM.

Pode-se dizer, deste modo, que há cada vez mais dinheiro no negócio da música que nunca chega aos bolsos das editoras discográficas. Uma vez que tecnologias como P2P contribuem para um aumento em flecha do número de apreciadores de música, esse efeito acaba por se repercutir positivamente noutros sectores da indústria musical cuja actividade não está ligada a um produto e sim a um serviço.

Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC-SA 2.0 e pertence a JamesEverett.

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1 resposta a “Compositores: no descarregar é que está o ganho” :

  1. [...] - das receitas totais arrecadadas em licenças de direitos de autor pela MCPS-PRS. Em Fevereiro dei aqui conta de que esta sociedade de gestão colectiva tinha recolhido 562 milhões de libras (cerca de 717 [...]

    Comentário de Compositores britânicos ganham dinheiro com vídeos de utilizadores no Youtube | Remixtures em 12 Ago 08 18:18.
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