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De que vale um “amigo” na Last.fm? Publicado 2 Mai 08

Neste momento, dos cinco “vizinhos” (neighbours) que se encontram mais próximos de mim na Last.fm em termos de preferências musicais, quatro são norte-americanos e um é britânico - na verdade dois deles não indicam o país onde residem, mas todos os indícios me levam a presumir que se tratam de norte-americanos. Tratam-se todos de fãs de música do sexo masculino com uma média de idades de 20 anos.

Gostava de saber mais sobre eles. Dado o seu extremo bom gosto musical (;-)), parecem-me ser definitivamente pessoas bastante interessantes, consumidores vorazes de música e extremamente criativos. Adorava conhecê-los pessoalmente e saber porque é que eles gostam de folktronica, pós-rock, IDM, folk psicadélico e tropicália. No entanto, sei que provavelmente isso nunca irá acontecer. Já me lembrei de meter conversa com eles ou adicioná-los como “amigos”, mas acabo sempre por hesitar. Sou um bocado tímido e as diferenças sociais que nos separam são demasiado amplas para fazer de conta que elas não existem.

Para além do mais, eles não são sempre os mesmos; a minha lista de vizinhos vai variando consoante eu ouça mais krautrock numa semana e menos noutra. Mesmo assim, já notei algumas presenças regulares. Por exemplo, com o tempo fui-me habituando ao nick do yeahdixon e ao avatar do ipe-se. Mas nunca me atrevi a entrar em contacto com eles. Na verdade, eu utilizo mais a Last.fm para descobrir música nova através do motor de recomendação do site ou (re)descobrir o que eu já conhecia através das playlists dos meus “vizinhos”. Por outro lado, todas as pessoas que constam da minha lista de “amigos” são pessoas que eu conheci noutros locais da Web e não ali e que, por coincidência ou nem tanto, têm gostos musicais bastante diferentes dos meus. Para dizer a verdade, eu ainda não “conheci” ninguém exclusivamente através da Last.fm. De facto, talvez a minha experiência social com o Last.fm seja mesmo um retrato fiel do tipo de relações que ocorrem entre “vizinhos” e “amigos” naquela plataforma online.

De acordo com um resumo de um artigo de Nancy Baym, investigadora e professora de Estudos de Comunicação da Universidade do Kansas, e Andrew Ledbetter, professor de Estudos de Comunicação da Universidade do Ohio, o grau de profundidade das “amizades” no Last.fm é relativamente baixo. Inclusivamente nas situações em que ambos os utilizadores apresentam uma forte semelhança de perfis musicais, as relações de amizade não implicam necessariamente a existência de uma forte amizade. Para chegar a essa conclusão, Baym e Ledbetter realizaram um inquérito internacional a utilizadores da Last.fm, ao qual responderam 559 pessoas (36,5% do sexo feminino, 63,5% do sexo masculino) de 48 países. As respostas foram recolhidas por intermédio de mensagens enviadas para dois fóruns de discussão generalistas da rede social.

A ideia-chave do artigo, intitulado “Tunes that Bind? Predicting Friendship Strength in a Music-Based Social Network”, é a de que a Last.fm não propicia a criação de relações fortes entre os seus utilizadores, favorecendo antes a formação de laços fracos. Tal como outras redes sociais, ela funciona apenas como mais um nó para relações fortes previamente existentes, que poderão ter sido estabelecidas a partir de outros modos de comunicação como contactos pessoais, telefonemas, messaging, email, instant messaging, SMS ou correio postal. No entanto, os investigadores verificaram ainda que existia uma maior probabilidade das amizades entre os utilizadores da Last.fm serem mais fortes quando:

  1. o “amigo” era do sexo feminino;
  2. os “amigos” pertenciam a sexos diferentes;
  3. os “amigos” não se conheceram através da Last.fm;
  4. os “amigos” também cmunicavam face-a-face, pelo telefone, SMS, email ou outro site
  5. os “amigos” comunicavam via Last.fm

O artigo será apresentado durante a 9ª edição da conferência anual da Associação de Investigadores da Internet (AOIR), a realizar em Outubro na cidade dinamarquesa de Copenhaga. Cá ficarei a aguardar a publicação integral do paper para saber mais detalhes sobre o estudo.

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Algumas respostas a “De que vale um “amigo” na Last.fm?” :

  1. De que vale um “amigo” na Last.fm?

    Neste momento, dos cinco “vizinhos” (neighbours) que se encontram mais próximos de mim na Last.fm em termos de preferências musicais, quatro são norte-americanos e um é britânico - na verdade dois deles não indicam o país onde residem, mas t…

    Comentário de digacultura.net em 2 Mai 08 09:25.
  2. Estou com pouco tempo para responder, mas ainda assim…

    “Utility” é a chave. Todas as redes sociais têm uma pedida para cada ligação. No caso dos “friends” do last.fm, a ligação pode não ser muito forte em termos sociais, mas cada ligação é forte em termos de “utilidade”. Se fores meu amigo, levas com as minhas recomendações e eu com as tuas. As pessoas no Last.fm *usam* o sistema de amizades, mais do que propriamente *beneficiam* dele.

    Quanto à questão do “fazer amizades”… Realmente não é comum o pessoal no Last.fm “adicionar amizade” com quem não conhece. A minha experiência (com a minha conta e a de outros) diz que - quando isso acontece - a ligação é útil e frutuosa, mais do que na maioria das redes sociais.

    Comentário de Mind Booster Noori em 2 Mai 08 14:50.
  3. «Seu grau de compatibilidade musical com macaetano é: Zero.» Eheh.

    Comentário de Luís em 2 Mai 08 18:26.
  4. «Seu grau de compatibilidade musical com macaetano é:
    Alto» :)

    Comentário de wCao em 3 Mai 08 13:57.
  5. “Seu grau de compatibilidade musical com macaetano é:
    Muito baixo:(

    Comentário de BL em 8 Mai 08 14:39.
  6. [...] barra lateral esquerda, o que não é nada conveniente. Quando a mim, isto denota um menosprezo por uma das vertentes mais importantes da descoberta de música nova por parte da [...]

    Comentário de Last.fm inaugura novo design "lava mais branco" cheio de buracos | Remixtures em 18 Jul 08 00:41.
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