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Media Defender, o bode expiatório dos “piratas” Publicado 31 Mai 08

A MediaDefender é uma empresa de anti-pirataria utilizada pelos grandes estúdios de Hollywood e as maiores editoras discográficas para espalhar ficheiros falsos em redes de P2P para enganar os “partilhadores”. Por causa disso e de outras coisas, os utilizadores de redes de partilha de ficheiros ganharam uma antipatia especial para com esta companhia - a ponto de um grupo de hackers anónimo ter distribuído em Setembro passado via BitTorrent mais de 700 MB de mensagens confidenciais trocadas entre os seus funcionários que continham detalhes sobre as tácticas empregues pela companhia na sua missão como spamming, intrusão e sabotagem de sistemas e ataques de negação de serviço.

Foi justamente um ataque de negação de serviço com origem na MediaDefender que deixou completamente inoperacional um tracker de BitTorrent da Revision3 desde o início do fim-de-semana passado até esta terça-feira. A Revision3 é uma produtora de televisão online fundada por Kevin Rose do Digg responsável por programas de informação sobre tecnologia como Diggnation e Tekzilla. Os seus vídeos em formato de alta definição são distribuídos por intermédio de BitTorrent de modo a reduzir os custos de largura de banda.

Como o director executivo da Revision3 Jim Louderback afirmou no blog da empresa, eles conseguiram detectar a origem da onda massiva de pacotes SYN (mais de 8000 por segundo) com que o servidor de BitTorrent estava a ser bombardeado à ARTISTDirect, a empresa-mãe da MediaDefender. Quando Louderback entrou em contacto com Dmitri Vilard, director executivo da ARTISTDirect, e Ben Grodsky, vice-presidente da MediaDefender, eles admitiram que estavam a utilizar o tracker da Revision3 já há uma série de meses para fazer o upload dos seus próprios ficheiros torrent falsos.

Apesar de Louderback achar que a MediaDefender não tentou atacar deliberadamente a Revision3, ele já solicitou ao FBI que investigue o caso. É claro que a blogosfera de tecnologia e a comunidade de P2P em geral fez tudo para empolar o caso, ou não fosse a MediaDefender a organização de anti-pirataria mais odiada pelos “piratas”.

Mas se formos a ver bem o que realmente se passou, as coisas não são tão óbvias assim. É que o servidor de BitTorrent da Revision3 era um open tracker, dito de outro modo, um tracker que permitia que qualquer pessoa podesse fazer o upload dos seus próprios torrents - incluindo os relativos a conteúdos ilegais. Daí que seja possível descarregar séries televisivas como LOST e Donas de Casa Desesperadas por intermédio do tracker da Revision3. De acordo com o que Janko Roettgers refere no NewTeeVee, só o site indexador de torrents BTMon.com indica mais de 22 mil torrents associados ao servidor da Revision3, indo desde os actuais êxitos de bilheteira de Hollywood até filmes pornográficos - alguns desses ficheiros foram publicados há mais de quatro anos.

A MediaDefender aproveitou esse “buraco” para espalhar os seus torrents falsos. Quando a Revision3 detectou essa falha de segurança, ela começou a bloquear todos os torrents com origem na MediaDefender. A partir daí, os servidores da empresa de anti-pirataria desencadearam o tal ataque que deitou abaixo a máquina da Revision3.

Em suma: ambas embora ambas as partes tenham tido culpas no cartório devido ao descuido e incompetência dos seus técnicos de redes, a MediaDefender viu a sua fama de “atacante” de entidades inocentes crescer ainda mais. Uma lição que também se pode tirar deste episódio é que as tecnologias anti-pirataria acabam por ser sempre ineficazes, gerando mais prejuízos do que benefícios. Não se pode querer danificar ou controlar uma tecnologia apenas pelas aplicações nefastas que alguns fazem delas, sejam redes de P2P ou blogs. Quem não compreende isso acabará por ser publicamente enxovalhado.

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