Mininova processado por antipiratas holandeses Publicado 19 Mai 08
Depois de tantos anos de existência, sobrevivendo incólume às investidas das indústrias de entretenimento contra inúmeros sites de BitTorrent alojados na sua própria Holanda natal - entre os quais o Everlasting.nl e o Demonoid - o Mininova foi finalmente atingido por uma acção legal da BREIN, a agência holandesa de antipirataria.
Conforme esta entidade refere num comunicado (via TorrentFreak), o site indexador de torrents conta actualmente com mais de 30 milhões de visitantes únicos por mês e um total de mais de cinco mil milhões de torrents descarregados. As suas receitas em publicidade ascendem a várias centenas de milhares de euros por mês.
Uma vez que mais de 90 por cento dos torrents que surgem nos resultados de pesquisa do Mininova são ilegais, a BREIN pretende que o tribunal obrigue os administradores do site a filtrarem os seus resultados de busca de modo a que todos os torrents associados a conteúdos não autorizados possam ser automaticamente removidos.
Embora o Mininova já remova actualmente todos os torrents que infringem os direitos de autor quando os respectivos detentores de direitos o solicitam, o director da BREIN Tim Kuik acha que isso “não é suficiente por parte de um site que recorre a ficheiros não autorizados de uma forma permanente e sistemática”, Talvez a única razão que fez com que o site se tivesse mantido até agora relativamente afastado das preocupações dos detentores de direitos seja o facto de, ao contrário do Pirate Bay - o segundo maior site de BitTorrent do globo -, o Mininova não possuir um tracker para alojamento de torrents, limitando-se a indicar os ficheiros que se encontram noutros lados.
Ao que tudo indica, parece que ambas as partes tentaram durante algum tempo chegar a acordo, mas agora a paciência da BREIN esgotou-se. O que é estranho neste caso é que se trata exactamente da mesma situação a que assistimos com o YouTube e os inúmeros processos de que foi alvo por parte das grandes editoras discográficas e dos maiores estúdios de cinema. A grande diferença é que o Mininova não aloja os conteúdos em si mas apenas torrents.
Deste modo, apenas facilita o acesso indirecto a filmes e músicas. Mas creio que o busílis questão está naquela diferença tão ténue e efémera entre download e streaming. Se o Youtube se conseguiu converter quase totalmente num site legítimo foi em grande parte porque permite apenas o streaming dos vídeos e não a sua transferência. Para um sector tão agarrado ao conceito de propriedade intelectual, esta diferença é essencial. É claro que existem mil e um estratagemas para copiar - isto é, descarregar - os vídeos do Youtube para o nosso disco rígido. Mas desde que não esteja lá um botão para fazer download, não há grande problema. Agora, já imaginaram se o Youtube fosse obrigado a filtrar todos os resultados? Pos é precisamente este o risco que o Mininova corre agora.
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