Nova loja de MP3 da Napster deixa europeus de fora Publicado 20 Mai 08

Tal como anunciado no início do ano, a Napster começou hoje a disponibilizar músicas sem DRM em formato na sua loja online a 99 cêntimos cada faixa e 9,95 dólares cada álbum. A oferta do serviço ronda os seis milhões de faixas e inclui o catálogo de todas as quatro grandes companhias discográficas (Universal, Sony BMG, Warner e EMI). Até agora a Napster vendia ficheiros WMA com bitrate de 192 Kbps. Os novos ficheiros em formato MP3 oferecem uma melhor qualidade de áudio (bitrate de 256 Kbps).
No comunicado oficial, a empresa refere que a sua loja é 50 maior do que qualquer outra loja de MP3, mas a verdade é que a Amazon conta com 5,2 milhões de faixas, de acordo com o Hypebot. Seja como for, o que é facto é que isto não é assim lá muito importante para todos os fãs de música que vivem noutros cantos do mundo para além dos Estados Unidos da América. Tal como no caso da loja da Amazon - apesar das promessas feitas entretanto no sentido de mudar a situação -, o serviço da Napster apenas se encontra acessível aos utilizadores norte-americanos.
Não percebo quais são os obstáculos que impedem que as empresas lancem os seus serviços de música digital a nível global. De certo que têm a ver com as licenças de direitos de autor concedidas pelas editoras discográficas. Mas enquanto não houverem alternativas legais às ofertas grátis, as pessoas não terão outra hipótese se não recorrerem a elas, independentemente de serem ilegais ou não.
Quando eu utilizei o Napster original pela primeira vez em Março de 2000, a experiência que aquele programa me fez sentir foi algo de fabuloso. Nunca dantes tinha alguém tido acesso à maior discoteca de música do mundo. Ali se podia encontrar de tudo e mais alguma coisa. Ali nunca havia falta de stock. Qualquer pessoa com acesso à Internet podia descarregar música a qualquer hora do dia ou da noite e a partir de qualquer lugar no mundo. Embora Shaw Fanning só tenha criado o programa menos de um ano antes, naquela altura já milhões de utilizadores partilhavam gratuitamente ficheiros MP3 guardados nos seus discos rígidos.
O surgimento do Napster e a facilidade de partilha de ficheiros MP3 que oferecia significou o fim da indústria discográfica tal como a conhecíamos. Depois disso, veio a crise, a descida das vendas e o ciclo sem fim de milhares de processos apresentados aos seus antigos clientes em vários cantos do globo. Apesar das majors terem conseguido encerrar o Napster original enquanto rede de partilha de ficheiros em 2001, há muito que o génio já tinha saído da garrafa sob a forma de várias redes P2P que ao longo dos anos se foram tornando cada vez mais descentralizadas, logo mais difíceis de controlar e encerrar - desde o Gnutella ao BitTorrent, passando pelo KaZaa e pelo eMule/eDonkey.
Passados oito anos, tornou-se ainda mais fácil descarregar discos ou mesmo discografias inteiras via sites de torrents em qualquer ponto do globo. Em contrapartida, continua a ser bastante difícil comprar músicas sem DRM a partir de plataformas legais. Para além da loja do iTunes - que até hoje ainda só conta com o catálogo “desprotegido” da EMI - e da eMusic, as ofertas de música sem DRM noutras partes do globo são escassas, tanto em termos do número de lojas como da dimensão do catálogo.
De qualquer modo, a Napster não parece muito apostada em desistir tão cedo do seu serviço de subscrição de músicas que oferece o acesso ilimitado a faixas no formato WMA com DRM por um preço entre 12,95 e 14,95 dólares por mês. Com a nova loja de MP3, a empresa pretende converter os compradores ocasionais em clientes da assinatura.
Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC-SA 2.0 e pertence a t-dawg.
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