RIAA e DRM: O regresso dos mortos-vivos Publicado 9 Mai 08
Decididamente, a RIAA não tem qualquer noção das realidades da economia digital e continua irresolutamente convicta de que é necessário impedir que os consumidores façam o que quiserem das músicas que adquiriram legalmente e que as tecnologias de DRM (Gestão Digital de Direitos) são a única ferramenta capaz de cumprir essa tarefa.
Numa altura em que todas as suas associadas já tiveram o bom-senso de recuar na sua posição e começar a vender música sem DRM em formato MP3 - ainda que apenas nos Estados Unidos, a Associação da Indústria Discográfica Norte-americana acredita que as DRMs ainda andarão por cá durante muitos anos.
De acordo com as palavras de David Hughes, responsável pela unidade de tecnologia da RIAA, citadas pela CNET e proferidas durante a conferência Digital Hollywood que terminou ontem em Los Angeles:
Fiz uma lista das 22 formas que existem de vender música e 20 delas ainda requerem DRM. Qualquer tipo de serviço de subscrição ou play-per-view limitado ou financiado por publicidade ainda exige DRM. Portanto, a DRM não está morta.
Mas Hughes não se contenta com isso, pois pensa que o futuro nos irá reservar ainda mais DRM:
Penso que vai haver uma mudança. Penso que se irá registar um movimento rumo aos serviços de subscrição e que isso irá implicar em última instância o regresso da DRM. As pessoas apenas querem a música quando a desejam. Se elas tiverem acesso à música, então elas não se preocupam com a DRM.
O que ele refere até pode ser verdade. O problema é que a DRM acaba por sempre por bater à porta do utilizador e quando menos se espera. Isto porque quem compra música com DRM está na verdade apenas a alugá-la. Mesmo nos casos que não se referem a planos de subscrição de downloads ilimitados, a possibilidade de perdê-la a qualquer momento é bem real. Veja-se o exemplo das pessoas que compraram música através da loja MSN Music da Microsoft e que se viram impossibilitados de copiá-la para outros dispositivos para além dos autorizados.
Com tantas alternativas à DRM para os serviços de subscrição de downloads ilimitados, parece que a relação da RIAA com a DRM já roça a obsessão. Sendo tão fácil para qualquer miúdo remover ou passar por cima da DRM não será melhor “atirar a toalha ao chão?”, perguntou Rajan Samtani. Ele sabe do que fala ou não fosse director da divisão empresarial da Digimarc Corp., uma empresa especializada em tecnologia de marca de água digital.
Sem ir ao extremo de recorrer a marcas de água digitais - que, apesar de tudo, também têm os seus inconvenientes -, existem várias alternativas para vender música sem DRM por assinatura e impedir que parasitas paguem uma mensalidade para descarregar paletes de música de uma só vez e ficarem com as faixas depois de cancelarem, como refere Ed Felten no Freedom to Tinker. Uma delas é a seguida pela eMusic e consiste em limitar o número de downloads que cada utilizador pode fazer por mês. Outra, que é a seguida pelas operadores de telecomunicações, consiste em exigir um período alargado de fidelidade. Mas basta puxar um pouco pela cabeça para pensar noutras alternativas.
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RIAA e DRM: O regresso dos mortos-vivos…
E a RIAA lá continua a bater no ceguinho……
Comentário de diga cultura em 9 Mai 08 17:53.