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A Sociedade de Conservação dos Mashups Publicado 18 Jun 08

Sociedade de Conservação dos Mashups

Será que os mashups se tornaram num objecto artístico demodé, datado, fora de moda? Vão dizer isso a Girl Talk, o mashupper que se tornou o herói deste movimento de recombinação e colagem sonora. O DJ e produtor anunciou há dias que pretende lançar o seu novo álbum segundo um modelo “pague-o-que-quiser” semelhante ao dos Radiohead. Mas tudo indica que alguém lhe tenha estragado os planos uma vez que o disco já está disponível no Pirate Bay (lendo os comentários, chega-se à conclusão que se trata de um fake colocado online há mais de três meses). Segundo a MTV, o disco vai ser disponibilizado no site da editora Illegal Art já amanhã, dia 19. Entretanto, podem ouvir a bastante misteriosa e esquisita música “!” que Greg Giilis colocou na página do seu alter-ego Girl Talk no MySpace que mais faz lembrar algumas bandas industriais.

Numa altura em que o ícone dos mashups se prepara para regressar em força, porque não recordar ou até mesmo ouvir pela primeira vez os “clássicos” deste género musical tão amado por uns e odiado por outros? Esta é a proposta do blog Mashup Preservation Society que eu fiquei a conhecer através do Trabalho Sujo do Alexandre Matias - que foi aliás quem me chamou a atenção para esse fake do Girl Talk… O objectivo deste blog criado há menos de um mês consiste justamente em preservar para a memória futura da música popular algumas das pérolas da Pop bastarda. Do post de apresentação:

Olá amigos. Nós somos um colectivo de artistas, DJs, produtores, engenheiros de som, músicos e coleccionadores de música. A missão do Mashup Preservation Society é documentar, registar e proteger de um modo casual a música pertencente ao estilo de áudio “mashup”. Regra geral, um mashup é um método pós-giradisco de combinar elementos de duas ou mais músicas entre si de modo a formar uma nova criação. Nos formatos tradicionais, isto inclui a combinação de uma faixa vocal ou a capella de uma canção por cima da faixa instrumental ou dub de outra. Contudo, este estilo pode tornar-se rapidamente bastante complexo e resultar numa expressão e interpretação criativa no que diz respeito à edição, mixagem e produção. Em muitos casos, este resultado pode consistir num obra de arte totalmente nova que de outra forma nunca teria chegado a existir. Noutros casos, o resultado pode ser tão simples como uma paródia ou um cut-up engenhoso.

A nossa posição em relação à legalidade dos mashups é simples: estamos a documentar um segmento importante e influente da história musical e artística que de outro modo não poderia ser preservado pelos próprios artistas devido a razões legais. Nós acreditamos que este conceito é legal nos termos do uso justo (fair use) uma vez que a preservação desta música se destina a fins educacionais e históricos. Contudo, este site não é uma desculpa para distribuir todos os mashups ou materiais de remisturas que se encontram abrangidos pelo uso justo. A nossa intenção é antes seleccionar material importante para a história musical que influenciou e irá influenciar artistas e produtores ao longo dos próximos anos.

Boa parte desta música não se encontra documentada noutros lados. Uma parte foi lançada em vinil de “etiqueta branca”, outra foi lançada exclusivamente em formatos descartáveis como CDRs e MP3. Em consequência, sem este gesto de conservação esta música e este pedaço da história humana iria certamente perder-se.

Nesta Sociedade de Conservação dos Mashups encontram-se já disponíveis álbuns essenciais como o Grey Album do DJ Danger Mouse (o famoso disco que funde as músicas dos Beatles com as rimas de Jay-Z) e American Edit de Dean Gray (AKA Party Ben & Team 9 que combinam American Idiot dos Green Day com tudo e mais alguma coisa). Que os mashups vivam para sempre!

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