
Precisamente numa altura em que a British Music Rights, a sociedade de gestão de direitos de autor dirigida por Feargal Sharkey que representa os interesses dos compositores, está prestes a conseguir um acordo histórico com os fornecedores de acesso à Internet britânicos para o lançamento de novos serviços legais de P2P sem DRM, eis que surge novamente em cena a má da fita, a British Phonographic Industry (BPI), conhecida por ser o “braço armado” local das quatro grandes editoras discográficas.
Segundo o The Register, a BPI conseguiu convencer o ISP British Telecom a começar a enviar notificações aos seus clientes que forem apanhados a descarregar músicas protegidas por direitos de autor avisando-os de que poderão ver a sua ligação à Internet cortada caso persistirem. O primeiro email foi já enviado a uma do(a)s quatro milhões de subscritore(a)s da BT, acusando-a de ter partilhado a música “Biology” da banda Girls Around através do cliente P2P Ares que funciona tanto com BitTorrent como com Gnutella.
Os dados que levaram à identificação da partilhadora em causa foram recolhidos pela BPI com base na detecção do endereço IP do utilizador que disponibilizou a música em questão. A parceria agora alcançada entre a BPI e a BT vai assim mais longe em relação ao acordo firmado recentemente entre a representante das editoras discográficas e a Virgin Media.
A grande diferença é que as cartas enviadas tanto pela Virgin como pela BPI aos clientes do ISP tinham um cariz meramente pedagógico no sentido de alertar os utilizadores para a natureza ilegal do acto que tinham acabado de cometer, bem como outros “perigos” resultantes do recurso à alternativa grátis do P2P. Na verdade, apenas a BPI fazia uma alusão velada ao risco dos partilhadores perderem o direito à sua ligação à Internet.
Como se vê por mais exemplo das práticas completamente chantagistas e intimidatórias, a possibilidade dos planos para a introdução de ofertas legais de partilha de ficheiros se concretizarem no Reino Unido continua a ser mais do que duvidosa. Só com muita sorte é que os britânicos poderão descarregar à vontade ficheiros de música sem DRM em troca de uma pequena mensalidade antes do final de 2008. O pior de todo é que estas atitudes apenas servem para hostilizar ainda mais os verdadeiros fãs de música. Não se pode confiar em quem promete muito mas acaba sempre por recorrer à repressão. A continuar deste modo beligerante, a indústria discográfica arrisca-se a colocar em causa a viabilidade de todo o negócio da música.
Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC-ND 2.0 e pertence a digitalesse.
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